terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Auto de Natal



Ainda não conheci Auto de Natal mais belo que "Morte e vida Severina", de João Cabral de Melo Neto. Segue a última estrofe:

—— Severino, retirante,
deixe agora que lhe diga:
eu não sei bem a resposta
da pergunta que fazia,
se não vale mais saltar
fora da ponte e da vida
nem conheço essa resposta,
se quer mesmo que lhe diga
é difícil defender,
só com palavras, a vida,
ainda mais quando ela é
esta que vê, severina
mas se responder não pude
à pergunta que fazia,
ela, a vida, a respondeu
com sua presença viva.
E não há melhor resposta

que o espetáculo da vida:
vê-la desfiar seu fio,
que também se chama vida,
ver a fábrica que ela mesma,
teimosamente, se fabrica,
vê-la brotar como há pouco
em nova vida explodida
mesmo quando é assim pequena
a explosão, como a ocorrida
como a de há pouco, franzina
mesmo quando é a explosão
de uma vida severina.

De volta a Madri para meu primeiro Natal no Mundo de cá

http://cuaderno.josesaramago.org/

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Viena também é terra de Sissi



Lembra de Sissi “A Imperatriz”? Aquela do filme protagonizado pela atriz Romy Schneider? Pois bem, Sissi era Elisabete da Baviera, que se transoformou em imperatriz da Áustria em meados do século XIX ao se casar com o imperador Francisco José I. Era considerada a mulher mais bonita da Europa em seu tempo. O imperador trocou sua irmã Helena para se casar com ela. Infelizmente, a vida de Sissi não foi nenhum conto de fadas. A sogra, arquiduquesa Sofia, era realmente uma megera, e o imperador, embora apaixonado, era workaholic, ausente, muito conservador e absolutamente subserviente às regras sociais tão defendidas pela mãe. Ambos a obrigavam a viver em uma gaiola de ouro na sua adolescência. Dizem que o nome da primeira filha, homônimo da sogra, foi escolhido a contragosto de Sissi. Desafortunadamente, a criança morreu aos primeiros 2 anos de vida. Depois dela, ainda outros 3 filhos fizeram parte da família: Gisela, Rudolfo e Maria Valéria. Rudolfo, herdeiro do trono, foi encontrado morto - tudo indica que foi assassinado - ao lado da amante, o que aumentou ainda mais o desgosto de Sissi.

Sissi sofria de depressão por causa de seu casamento infeliz, devido às trágicas mortes, e por ser obrigada a manter certa distância dos filhos. Tinha uma rígida vida na corte de Habsburgo. Era culta, escrevia poesia, era rebelde, irreverente, e pouco a pouco se tornou obcecada pela sua beleza e boa forma. Com 1,73 de altura e 45 kg, quase anoréxica, além de comer pouco e fazer muitos exercícios físicos, adorava cavalgar. Tardava 3 horas penteando seus longuíssimos cabelos de mais de 1 metro e meio. Tinha uma empregada que era sua sósia e a substituía em alguns papéis (acenando para o povo diariamente da janela do palácio em algumas ocasiões, por exemplo). Apesar de ter uma forte personalidade, inevitavelmente, teve que se submeter às muitas exigências da monarquia. Deprimiu e teve a infelicidade de morrer muito cedo, aos 61 anos, vítima de um assassino italiano, anarquista, que tinha outro alvo, mas ao descobrir que Sissi estava em Genebra, creía que era uma personalidade com mais notoriedade.

Era uma figura muito carismática, mas como se negava muitas vezes a acompanhar o marido, e na maturidade viajava muito sozinha - dizem que tinha amantes - a Áustria se ressentia de seu comportamento, sobretudo a aristocracia.

Após sua morte, o que acontecia no Palácio se tornou público e o povo passou a adorá-la. O filme teve um papel importante ao torná-la mito. Hoje, sua imagem é explorada em quase tudo, há um museu que leva seu nome e abriga suas coisas, e o Palácio onde ela viveu é aberto ao público.

Sissi, a personagem do filme, é um ídolo para minha mãe. Me empenhei em conhecer a verdadeira história para contá-la, mas pensando melhor, as fantasias são normalmente mais interessantes do que a vida real. Talvez ela prefira ficar com a versão cinematográfica.





















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De Viena para o Mundo de lá
















Estive em Viena, uma cidade lindíssima. De avião, são 2h30 de Madri. Meu marido foi a trabalho e segui a tiracolo sem pestanejar. Cidade da música clássica, terra de Mozart (nasceu em outra cidade austríaca, mas viveu quase toda sua vida em Viena) e Strauss. Foi também onde Beethoven, Freud e tantos outros fizeram fama.

A população é extremamente acolhedora, pouco reativa, simpática e cosmopolita. Apesar de falar um dialeto alemão, o inglês é uma segunda língua muito BEM falada e ouvida pelas ruas. Todas as universidades são públicas e consideradas de excelente qualidade, atraindo inclusive muitos alemães (que privatizaram demais nos últimos tempos).

As guerras, no entanto, deixaram profundas marcas em seu povo e sua arquitetura. Como foi palco da primeira guerra mundial e ficou ao lado da Alemanha na segunda, possui relíquias seculares destroçadas que ainda levarão anos para serem restauradas por completo, sem falar nas conseqüências diretas econômicas, psicológicas e sociais. A Ópera, por exemplo, foi bombardeada pelos americanos que pensavam ser uma estação de trem. Nada comentam sobre a primeira guerra, já sobre a segunda, dizem que não sabiam dos verdadeiros planos de Hitler (a gente finge que acredita pra sair bem na foto). Um dos discursos históricos nazistas ocorreu no alto de um dos belíssimos edifícios do centro. Hoje, há uma praça dedicada aos judeus que foram vítimas da segunda grande guerra, com uma bandeira negra e um sepulcro de concreto no meio.

Viena tem um casco histórico lindíssimo, glamoroso e conservado, a parte mais antiga da cidade. Carruagens vendem percursos (40 euros o mais barato), há muitos quiosques pelas ruas vendendo vinho quente ou poncho, uma bebida a base de canela e vinho que lembra um pouco o conhaque – tomei vários, pois realmente tem o poder de esquentar. O rio Danúbio é uma atração à parte. Corta toda a cidade e é muito bonito de se ver. Ali, o Natal é comemorado em grande estilo. Músicas natalinas no melhor estilo clássico, feirinhas, linda iluminação, muita gente pelas ruas. Apesar disso, Viena é uma cidade muito pouco ruidosa, o que me faz estranhar muito. As pessoas falam baixo, o tráfico também é mais para o silencioso, e imagino que em época não festiva, seja um pouco monótona.

No Natal, as pessoas se soltam (numa comparação grosseira, é quase como o nosso carnaval vivido no interior das pequenas cidades). O veado é a mascote principal e as pessoas andam com chapéus com dois cornos, de forma muito natural e engraçada. Chapéus de papai Noel também são comuns ornamentando cabeças de turistas, principalmente europeus, e nativos. A cidade está repleta de feirinhas de Natal que são simplesmente maravilhosas. Comi todo tipo de lingüiça, cada uma mais deliciosa do que a outra, e muita mostarda. O frio (fazia perto de zero grau) ainda está ameno para padrões austríacos, no entanto, já incomoda bastante, principalmente quando o que há de mais interessante a ver está nas ruas do centro antigo, muito diverso e cheio de atrações.

Pela sua geografia, sofre atualmente mais influência econômica e social da migração do leste europeu do que Madri. Búlgaros, iugoslavos, etc. migram para ali em busca de melhores condições de sobrevivência. Quando saímos do centro histórico, lembramos claramente que ali há também muita pobreza. Os prédios “novos” da periferia não seguem o glamour clássico da cidade e necessitam de conservação.

No Belvedere, fui apreciar a exposição de Gustav Klimt e me encantei. É lamentável que hoje se faça tanta gravura replicando seus principais quadros, pois as cores, os traços, tudo é muito diferente do que vemos nos pratos, pôsteres, camisetas que ilustram suas obras mais famosas.

Bem, 5 a 7 dias bem vividos é o suficiente para conhecer os pontos turísticos principais da cidade e, apesar do frio dessa época do ano, vale muito a pena.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Esse papo já tá qualquer coisa, mas já é Natal em Madrid



O que é ciência?; os sistemas de informação de marketing ajudam em que medida (e como) às empresas?, a tecnologia NÃO é responsável por uma melhor performance na implantação de uma estratégia de CRM; quais modelos de predição de comportamento do consumidor?! Enfim, se você não é da área de marketing e não gosta do tema, deve estar voando. Mas estou às voltas com um monte de material, lendo e tentando escrever em espanhol, sem falar que o meu portunhol persiste em dar às caras em sala de aula. Además, me vejo bastante tentada em mandar tudo às favas e ir curtir Madri, que está muito, muito, muito fria (hoje, de 3 a 8 graus), pero, está linda, com suas luzes natalinas e programações próprias do período (click no título e em http://www.madridfera.com/).

Para mim, Natal sempre foi sinônimo de confraternização, família (um pouco de missa), verão e feriados. Aqui, é quase o oposto – o que não deixa de ser uma experiência diferenciada. Ao invés de Porto de Galinhas, Navaserrada e sua neve; ao invés de família, os coleguinhas de escola (e respectivos pais) do meu filho; em lugar de cerveja, violão e farra, estudar, estudar (e cuidar pra não gripar).

Mas, mudando de assunto (de novo), a mudança de estações é algo muito bonito de se ver. Mostrei fotos do final de semana retrasado: sol, estávamos com roupas nem tão quentes assim... já esta semana, pareço uma cebola cheia de capas, 3 roupas, uma por cima da outra, além de um abrigo por cima, o que me faz parecer absolutamente gorda em qualquer foto (por isso, não bloguei nenhuma), mas como dizem os espanhóis: “yo, caliente, que hable la gente”- não é exatamente isso, mas é quase. Ou seja, eu, quentinha, podem falar à vontade. Bueno, me voy. Tengo mais tareas para terminar. Foi meu presente de Papai Noel, afinal.
Que bom!

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Outono (quase inverno)

Por agora, desfrutamos o outono:



























Pero, mira lo que nos espera:




Bueno, falta pouco!(vídeo enviado por Lúcia à Claudinha, que me enviou. Ambas viram no http://www.orapois.com.br/humor/piadas/videos-engracados/tirando-a-neve-do-carro_id36264_p0_mc0.html)

domingo, 23 de novembro de 2008

Madrid que no pára


Primeiro vi este vídeo em madridmemata http://www.madridmemata.es/2008/11/madrid-en-tiempo-real/, e depois em http://timelapses.tv/. Compartilho aqui.


Passado, Presente, Futuro
"Eu fui. Mas o que fui já me não lembra: Mil camadas de pó disfarçam, véus, Estes quarenta rostos desiguais. Tão marcados de tempo e macaréus.

Eu sou. Mas o que sou tão pouco é: Rã fugida do charco, que saltou, E no salto que deu, quanto podia, O ar dum outro mundo a rebentou.

Falta ver, se é que falta, o que serei: Um rosto recomposto antes do fim, Um canto de batráquio, mesmo rouco, Uma vida que corra assim-assim."

José Saramago, in "Os Poemas Possíveis" (em http://www.citador.pt/)

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Doutorado de Marketing na Universidad Complutense de Madrid










UFA! Finalmente, comecei meu doutorado. Aconteceu de tudo. O processo foi absolutamente doloroso, burocrático, moroso, confuso, e poderia colocar uma série de adjetivos aqui e não sei se conseguiria fazer jus ao que representou realmente. Bueno, de qualquer forma, já não era sem tempo. Ah! Quando chegou a bendita carta dando o ok para a minha matrícula, estava justo chegando da balada com alguns amigos brasileiros, e foi emocionante poder compartilhar com eles (registro em fotos). Logo após o recebimento da carta, um brinde e o velho e bom skype para comunicar ao Brasil o acontecimento.
Sin embargo, nova rotina e correria. Minhas aulas acontecem em 4 prédios em bairros diferentes. Significa que estou às voltas, aprendendo roteiros, já com um calhamaço de material para ler, e o que mais me aflige agora: escrever textos técnicos, papers, em espanhol (o pobre do meu professor de espanhol vai sofrer). A maioria das leituras é em inglês, as escritas em espanhol assim como as apresentações em classe, claro. Previsível.
Como se diz no Nordeste: ajoelhou, tem que rezar! Nova adaptação.
Constatei feliz que há um brasileiro em minha classe. Gentilmente já me forneceu algum material de uma das classes que não assisti devido às confusões ditas no início. Quando um dos professores, em sala, nos pediu para que nos apresentássemos e assim descobrimos a nossa nacionalidade, a sensação de alívio foi recíproca... Brasileiro se entende em qualquer lugar do mundo. O sorrisinho cúmplice foi gracioso e mútuo.
Ele acabou de chegar, há pouco mais de uma semana, está provisoriamente na casa da namorada que é brasileira-espanhola, e constatei como é mais fácil quando acontece assim: chegando e já imediatamente entrando numa rotina "normal" de estudos ou trabalho. Ele já me parece super adaptado e não passou metade do estresse que eu passei. O mesmo ocorre com uma amiga que chegou há pouco em Barcelona e me escreve animadíssima. Bem, espero que tudo isso me contagie. É um novo começo, bem melhor do que o primeiro (espero). A ver.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Peito Vazio

Depois de ouvir a lindíssima música de Cartola, dê duplo click no título deste post y já entenderás...

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Meditações de um Notívago II



Finalmente, recebi outra carta-email do meu pai. A transcrevo de novo na íntegra, na tentativa (vã?!) de fazê-lo um pouco mais presente no Mundo de cá. A ver, a lo mejor, a leer...

"Ser estrangeira, dispor de tempo para usufruir a estrangeirice, sem saudade, deve ser muito triste. Porém, se se sente saudade: confrange-se o coração, vem um torpor, uma letargia, como num fim de tarde fria; nos resta opor-lhe a esperança para conter este coração em pedaços. Voltamos a nos tranqüilizar, pois a custo sempre vencemos este estado de espírito. A vida volta à rotina, a saudade se renova, pois ela sempre deverá existir, pois quando saciamos a ausência com a presença do bem desejado, passando de um desejo potencial ao ato, se não pudéssemos renová-lo, seria a morte em vida. Quê a saudade seja cultuada para a nossa essência de vida e não para "morrer de tristeza", como disse um poeta. Louvemos a saudade como devemos louvar o amor: pois se este nasce e morre todo dia, para o deleite da espécie, é uma necessidade natural.. A estrangeira é romântica e sabe tirar da distância os frutos que ela oferece: saudade imensa. Um abraço e beijo para todos.
Aqui lembro algo que já li: Um disse: “Recordar é viver” e o outro respondeu: "Recordar não é viver porque é sentir saudade. E sentir saudade é morrer de tristeza."

Receba as meditações como idéias de um notívago. Porém, não vejo a hora de estarmos juntos e mandarmos a saudade pousar em outro lugar, pois juntos não estaremos precisando dela. Estará ela, saudade, como um chapéu pronto para quem dela precise, e longe de nós."

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Vanessa da Mata em Madrid




Vanessa da Mata em Madrid, hoje, Círculo de Bellas Artes, Talento Brasil, 21h30. Click no título e aqui http://www.talentobrasil.net/site/programacao e saiba mais.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Happy




Fomos assistir a Happy, um filme inglés muito legal, recomendado pelo meu professor de Espanhol. Recomendo a vocês também. É daqueles filmes simples, que entretem e nos deixam com a sensação de que a vida é bela e de que a felicidade até existe. Meio piegas a frase, reconheço. Mas o filme é de uma simplicidade, pureza e... o que mais dizer?! É um filme happy, ou melhor, é sobre alguém que enxerga as coisas de forma bastante diferenciada dos demais! A um certo momento pensei que o filme fosse uma apologia à negação, mas não é! Bem, vejam vocês e tirem suas próprias conclusões. Imperdíveis as cenas com o professor da auto-escola...

Pois bem. Este post no entanto não é sobre o filme, mas sobre o antes e o depois do filme. Fui assistí-lo com duas brasileiras que estão passando um tempinho aqui em Madri. Pois bem, chegamos 40 minutos antes do filme começar, e pedimos algo para comer num bar perto. Eu pedi um spagetti a bolonhesa para mim, e as outras duas, pediram coisa mais leve. Claro que o meu foi o que mais demorou. Uma delas foi comprar as entradas e nos esperar na porta do cinema para que não perdêssemos a seção. Após eu insistir com o garçon que estava demorando, que tinha um filme pra assistir, etc. e tal, o meu prato finalmente chegou, porém, apenas cinco minutos antes da seção começar (talvez eu tenha realmente sido muito otimista - ou gulosa - ao imaginar que me daria tempo de comer). Bueno, voltando. Agradeci e disse que não poderia comer o spagetti, pois a seção já ia começar. Honestamente, eu estava happy!, não estava aborrecida, nem com raiva, nem tão faminta assim. Lamentei ter que perder meus tão "suados" euros, mas fazer o quê?!, a lo mejor, haveria de perder um pouquinho de peso, poupando-me da gulodice. Bem, tudo tem seu lado positivo.

Mas o curioso não foi nada disso. O spagetti trazido era ao molho branco. Claro que não deixei de registrar o fato. Falei para o garçon que não comeria por falta de tempo, mas, a bem da verdade, o prato pedido não tinha sido aquele. Surpresa fiquei eu, no entanto, quando o distinto garçon olhou bem nos meus olhos e disse: - este espaguete É a bolonhesa! – Sorri. No lo podía crer. Realmente eu estava num momento happy. Esperava de tudo. Que ele dissesse que eu tivesse pedido com molho branco, que ele tinha entendido errado, que veria na cozinha o que havia ocorrido, mas nunca me ocorreu que ele fosse teimar comigo que AQUILO era bolonhesa!. Creio que você deve compreender o absurdo. Em qualquer lugar do mundo, bolonhesa É bolonhesa: tem um pouco de carne, é um pouco avermelhado, etc. Como poderia ser totalmente branco, sem carne, enfim, nada parecido!

A surpresa no entanto parece que foi dupla, minha com a cara de pau dele, e dele com a minha tranqüilidade, ou complacência ou resignação, como queira classificar. Paguei calmamente a conta, sorrindo, não sarcástica, não comi o bendito espaguete, pois não dava tempo mesmo, e quando estava de saída do bar, o garçon me disse (com pena): - quando acabar o filme, volte aqui que esquento pra senhora! Era o mínimo que ele poderia fazer, mas, em se tratando do mundo de cá, uma raridade, acreditem! Dito e feito, acabou o filme, voltamos as três. Pedi para ele esquentar o tal espaguete "a bolonhesa", sem discussões, e de repente me vem o SPAGUETE A BOLONHESA DE VERDADE, ou seja, ele não trouxe o espaguete ao molho branco. Me pediu desculpas e corrigiu o erro. Mais happy ainda fiquei eu. Fechei meu gestalt. Pena é que o spaguetti estava com um sabor no mínimo irreconhecível. Bem, nem tudo é perfeito. Mas como era uma tarde HAPPY, saboreei o final feliz, com todo gosto.

domingo, 9 de novembro de 2008

Estou em casa

A mim sempre me pareceu estranho o desapego do Mundo de cá ao trabalho, não digo ao dinheiro em si, mas ao trabalho mesmo. Não resta a menor dúvida de que nós, do Mundo de lá, somos um pouco escravos dele, temos muito conscientes os valores americanos de que devemos prestar um serviço da melhor qualidade custe o que custar, de que “exemplo de dignidade” é sair muito cedo, se matar de trabalhar e voltar para casa com a sensação do dever cumprido, “o trabalho dignifica o homem”. Pois bem, salvando-se algumas exceções, a visão geral aqui é que somos pobres coitados ali. E somos mesmo. O espanhol não se expõe a certos trabalhos, sobretudo aos mecânicos e braçais, os evita claramente. Em números de horas pode até ser que equivala, do ponto de vista legal, mas produtividade, profissionalismo não são levados muito a sério. Toda generalização é meio burra, é verdade, e vou recair nela para expor meu ponto de vista, mas seguramente sinto que os princípios de modernidade comercial são encarados de forma muito relativa no Mundo de cá. Vejamos. Após as férias de verão, que são tiradas generalizadamente, até o padre na missa comentou sobre a depressão pós-férias que se deu conta quando desceu do avião ao voltar da praia. Aliás, depressão pós-férias é algo comentado em todos os jornais locais El País, El Mundo, ABC, Público. É impressionante. Impressionante mesmo foi quando meu marido precisava comprar um presente de casamento e, depois de muito sacrifício, conseguiu chegar 5 minutos antes da loja fechar. O distinto cavalheiro, dono da birosca, disse-lhe que não poderia lhe atender porque não lhe daria tempo, fazer tudo em 5 minutos (pasmem!). E era o dono. O mesmo aconteceu comigo ao tentar cortar o cabelo aqui perto e chegar 10 minutos antes da Peluqueria fechar....! “Lo siento, está muito perto de fechar e não poderemos lhe atender. Volte amanhã.” Increíble. Comecei uma reflexão: minhas coisas do Brasil tardaram 7 meses a chegar, meu interfone não funciona desde que cheguei pois vez ou outra vem alguém dizendo que não há problema com ele, o problema é que não colocamos ele corretamente no gancho. Passei um mês para conseguir colocar meu filho numa escola. Comprei um carro usado que necessita de uma chave de segurança para trocar o pneu (que na hora da compra, não percebemos que não estava nele), e até agora espero a danada da chave. E ainda falamos dos nossos baianos! Tinha uma moça que vinha passar ferro nas roupas aqui em casa, e certo dia pedi para que ela comprasse cebola no supermercado ao lado. Ela me respondeu: Lo siento, mas está chovendo! Eu fiquei pasma, mas ao invés de discutir, preferi que ela permanecesse passando a minha roupa assim mesmo... melhor ela do que eu, prefiro ficar sem cebola. As inúmeras vezes que fui à universidade em busca de informações e voltei de mãos abanando... enfim! Exemplos do tipo, temos centenas, é que a maldita aculturação vai permitindo que não nos surpreendamos mais com nada. Estava lendo Sérgio Buarque de Holanda e já percebi que citarei ele bastante por aqui. Ele disse:

"Um fato que não se pode deixar de tomar em consideração no exame da psicologia desses povos é a invencível repulsa que sempre lhes inspirou toda moral fundada no culto ao trabalho. (...) a ação sobre as coisas, sobre o universo material, implica submissão a um objeto exterior, aceitação de uma lei estranha ao indivíduo. Ela não é exigida por Deus, nada acrescenta à sua glória e não aumenta nossa própria dignidade.(...) É compreensível assim que jamais se tenha naturalizado entre gente hispânica a moderna religião do trabalho e o apreço à atividade utilitária. Uma digna ociosidade sempre pareceu mais excelente, e até mais nobililante, a um bom português, ou a um espanhol, do que a luta insana pelo pão de cada dia. O que ambos admiram como ideal é uma vida de grande senhor, exclusiva de qualquer esforço, de qualquer preocupação. (...) O que entre eles predomina é a concepção antiga de que o ócio importa mais que o negócio e de que a atividade produtora é, em si, menos valiosa que a contemplação e o amor.

Partindo desse ponto de vista, não sou mais estrangeira, estou em casa. UFA! Já não era sem tempo.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Três

Por uma noite mais feliz

















Estupendo! Sem palavras. Lindo o show de Calca rhotto :) A platéia, cheia, os gritinhos típicos dos nossos shows, muita gente eufórica, emocionada. Eu não sabia se pedia licença em portugués ou em espanhol, de tanto brasileiro presente. Nas últimas 5 músicas, uma galera dançando ao lado das cadeiras, totalmente incontrolável, feliz. Fiquei muito orgulhosa da nossa espontaneidade, e lodo depois, envergonhada por não ter tido coragem de me unir ao grupo (uma verdadeira estrangeira). Alguns espanhóis gritavam "muy rico" (podiam ser brasileiros hablando em español, não sei). No teatro, um pedacinho do Brasil, dadas as feições, o atraso de 20 minutos no início do espetáculo, o público falante, comunicando-se vez ou outra com a cantora, pedindo músicas, o que ela respondia muito educadamente. Dado momento, alguém gritou Inverno, referência à linda música, e Adriana responde que não estava planejado, mas deixa o suspense. Falava frases curtas em español, com o nosso típico sotaque, mas perfeitamente compreensíveis, e quando ia falar da primeira música composta com Arnaldo Antunes, diz que falará em portugués pois seria uma história meio longa e nos pouparia do seu portunhol. Acaba por resumir a história. Sua voz saía trêmula, meio nervosa, isto APENAS quando NÃO estava cantando, o que me fez presumir que deveria ser uma noite importante para ela (acho). Cantou muitos antigos sucessos, além das lindíssimas músicas do novo show Maré, maravilhosamente arregladas/arranjadas. O teatro: lindíssimo, grande, do século XIX, um Santa Isabel (perdoem minha ignorância arquitetônica, mas ñ posso explicar mais que isso). Assim que entramos havia um pequeno balcão vendendo champanhe, vinho, e outras bebidas alcóolicas, e todos podíamos levar para dentro do teatro desde que em copos de plástico. Bem, não sei como terminar este post. Acho que não quero terminá-lo. Bom mesmo seria poder prolongá-lo indefinidamente, e prolongá-lo prolongá-lo prolongá-l prolongá- prolongá prolong...


terça-feira, 4 de novembro de 2008

Cássia. Sempre Ela




Nando. Sempre Ele. Temos ainda a graça da sua companhia aqui na terra. Já Ela, deve estar cantando para os anjos, agora.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

A preferida do meu filho

Adriana Calca "rhotto" en Madrid



Não vejo a hora de ir ao show de Adriana Calcanhotto, amanhã, aqui em Madri. Quando fomos comprar o ingresso, não podemos deixar de gargalhar com a maneira como a chamam: "calca rhoto" (ou seja, ñ pronunciam o nh). A gargalhada póstuma à informação da compra-regalo, foi minha vingança depois de ser alvo dos tantos "¿como como?" que ouço diariamente quando não entendem quando eu falo meu portunhol. Nada como estar em casa.

Já falei neste blog o quanto nossa musicalidade e cultura são conhecidos e prestigiados por aqui. Bueno, ouvir uma boa música brasileira, ao vivo e a cores, ouvir nosso português, poder presenciar o show (e me orgulhar) de uma das maiores cantoras/compositoras dessa "nova" geração, ouvir um bom violão tocado maestralmente... é tudo!!!! Não vejo a hora. Depois do meu grande ídolo Cássia Eller, sempre fui fã de Adriana (dela e de outras tantas cantoras como Maria Betânia, Marisa Monte, Elis). Además, Madri está repleta de atrações brasileiras (ver links abaixo). Em outubro, por ocasião do Dia da Hispanidade, e do prêmio Dom Quijote de La Mancha concedido a Lula, deram o ar de sua graça Zezé de Camargo e Luciano, Daniela Mercury e Chico Buarque. Agora em novembro, Adriana, Vanessa da Mata, Edu Lobo são alguns dos que estarão no Mundo de cá. Não poderei ter o prazer de ver a todos, mas o de amanhã já está garantido. Depois conto como foi... A ver.

http://movidabrasilena.blogspot.com/2008/10/homenaje-chico-buarque-en-madrid.html

http://lacomunidad.elpais.com/movida-brasilena/2008/10/21/vanessa-da-mata-actuara-madrid-noviembre

http://lacomunidad.elpais.com/movida-brasilena/2008/10/18/roberto-carlos-hara-concierto-el-bernabeu-madrid

http://movidabrasilena.blogspot.com/2008/10/festival-de-jazz-y-cine-brasileo-en.html

http://movidabrasilena.blogspot.com/2008/10/ruy-castro-visita-el-circulo-de-bellas.html

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Inquietude



Talvez dê pra perceber que estou um pouco inquieta. Quem acessa com freqüência, deve ter percebido que nas últimas semanas o blog tem adquirido cores, imagens e tons diferentes. Tudo ao contrário do que estudei sobre marcas. Essa é a grande vantagem de se ter um blog pessoal, você imprime a cor que quiser, de acordo com o seu bom (ou mau) humor, sem ter que dar satisfações. Bem... claro que me preocupo em dar satisfações, senão não estaria postando esta. É que não tem graça ter um blog que ninguém se interesse em ler, e sei que não tenho ajudado muito ao meu leitor, que deve se surpreender positiva (e negativamente) a cada novo acesso, nesses últimos tempos. Perdona. A ver se esse lay-out me agrada amanhã. Senão, já saberás...

sábado, 25 de outubro de 2008

Em boa companhia

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Vinicius sempre viveu em muito boa companhia. E realmente, amigos são bienvenidos SEMPRE. Após tantos meses de solidão (ou semi), finalmente alguns amigos brasileiros estão vindo nos visitar. Interessante é que parece que resolveram vir em escala, vão uns, chegam outros. Ótima oportunidade para compartilhar experiências, revisitar Madri, conhecer alguns lugares até então ignorados, e passar um bom tempo papeando, bebericando, e nos divertindo. Realmente, com boas companhias, temos tido agradáveis momentos. Como dizem os espanhóis, estamos pasando muy bien. Meu filho, de 6 anos, tem reclamado um pouco já que a atenção a ele diminuiu consideravelmente, o que é natural. Tanto que ontem saiu com essa: "- Mamãe, eu não vou agüentar essa situação por muito tempo!", me deixando sem fala, como muitas outras vezes.

Bueno, dentre algumas coisas comuns a todos nós brasileiros, que vimos à Europa, chama sempre atenção: a conservação das vias públicas, a acessibilidade de quase TUDO - que inclui as pessoas com necessidades especiais, os monumentos sempre tão bem cuidados, o paisagismo ídem (segundo um amigo, "parece que todo dia tem um jardineiro retocando"), o transporte público de excelente qualidade, a segurança, a desigualdade social muito menor a olhos vistos, além de uma clara impressão de que os impostos são realmente revertidos, em grande medida, para criar o tão famoso bem-comum, promover uma melhor qualidade de vida para a população e tudo o mais que nos faz falta.

Algumas outras questões também valem registro: somos unânimes ao notar o alto índice de fumantes na cidade. Os bares sempre estão impregnados de fumaça, o que é lamentável, para eles, e principalmente para os não fumantes e ALÉRGICOS, como eu. Além disso, poucos restaurantes têm área reservada para fumantes, e quase nenhum proíbe o fumo.

Outra coisa, no mínimo, curiosa, é que além das pessoas dificilmente passarem muito tempo num determinado lugar, sempre estarem salindo de copas, de bar em bar, como "gatos madrileños", elas não curtem muito sentar-se. Nós, do Mundo de lá, leia-se Recife, quando entramos em qualquer bar, vamos logo procurando um lugarzinho para nos sentar, a não ser que estejamos numa boate ou em alguns outros locais específicos. Aqui, ficar em pé ao lado da barra ou balcão É O QUE HÁ. Foi justo quando estávamos conversando sobre isso, que resolvi registrar o fato aqui pra você, que lê meu blog. Chegamos a um bar, cheio de gente, a galera toda em pé, e as mesas vazias ao redor. Para ilustrar no blog, precisava tirar fotos. Diante de olhares desconfiados das pessoas desconhecidas do recinto, que naturalmente não se sentiram muito confortáveis ao ver uma estranha tirando fotos suas, uma amiga se predispôs a fingir que estava posando para mim, e assim me deu o pretexto para os tais clicks. Entre caras e bocas, segue o registro fotográfico da noite espanhola.

















sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Vai lá

Se estiver no Mundo de lá, corra pra inscrever sua peça de publicidade. HOJE É O ÚLTIMO DIA. Click no título para mais informações.

AHHH! Também não deixe de prestigiar a palestra das 14h do dia 06/11: Monitoração e análise da mídia gerada pelo consumidor. Ela me chamou especial atenção, pois falará sobre como a revolução silenciosa dos blogs e dos conteúdos gerados por brasileiros de todas as idades e profissões está mudando o rumo da mídia, da publicidade e da comunicação. Influenciadores 2.0, quem são, como encontrá-los e como se comunicar com eles?

VAI LÁ! É na UFPE. Parece valer muito a pena.

domingo, 19 de outubro de 2008

Metamorfose

Você, que acompanha o blog, deve ter percebido algumas pequenas mudanças. Se você não estiver acostumado a este novo formato, não se preocupe, eu muito menos. Mas "mudar" às vezes é bom. Ou não. A ver...

Sim, eu também modifiquei a música-vídeo. Até o fim do dia: quem sabe outra?!

Aí vai outra!!!!!!!!!!!!!


Marketing direto puro

Enquanto estou aguardando a minha bendita faculdade de marketing começar, não imaginava que encontraria justo num banheiro de beira de estrada um anúncio para comentar. Sabe aquele anúncio de porta de banheiro, mídia – pensava eu – “tipicamente brasileira”?! Pois bem, pelo jeito, no mundo de cá, ela também é bastante utilizada. Explico.

Estava a caminho de Granada, quando me deparei com um Repsol. Por estas bandas, Repsol é sinônimo de posto de gasolina, ou será que era outro (isto é que é recall)?! Enfim. Não imaginava que justo ali encontraria uma mensagem bastante direta, marketing direto puro, e bem feito:


Pensamos, eu e uma amiga (como vocês sabem, mulher sempre vai “em dupla” ou “em bando” pro banheiro), se a figura que escreveu o tal anúncio seria afinal publicitário?! Será?! Bueno, quando ainda fui pegar a câmera fotográfica para registrar o “conteúdo” para o blog, as figurinhas do lado de fora, leia-se: maridos!, olharam meio de banda... Esse povo não entende mesmo de blog, muito menos de marketing.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Granada, Lorca e eu (y mi padre - dedico a ele)

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Alguns amigos vieram nos visitar em Madri, entre eles, uma grande amiga, Raquel, que a exponho, sem sua permissão, em meu blog. Viemos com eles pra Granada, aonde estou neste momento. Hoje (ou melhor, ontem), visitamos a Casa de Verão de Garcia Lorca. Entre tantas coisas lindas, e do pouco que li de sua obra, uma me chamou HOJE especial atenção, e a transcrevo aqui.

A mi padre

"A Dios doy gracias por ser mi padre.
Por tus reproches y consejos.
Por el bien que me enseñaste
y de mi ser siempre cuidaste.

Por ser padre bondadoso,
lleno de paz y sabiduría.
Porque amas la verdad.
Justicia y rectitud en demasía.

Por ser mi padre amado
y enseñarme la caridad.
Sentimientos nobles te cubren.
No conoces la maldad.
Caballero noble y parco,
me enseñaste a luchar.
Aspirando siempre a lo más alto
y a mis sueños no renunciar.

Por aborrecer todo lo malo.
Por tus celestiales valores.
Por guiarme de la mano
en senderos llenos de flores.

Por tus palabras de aliento
en mis momentos más tristes.
Por tus silencios elocuentes
que me calman dulcemente.

Por tu mirada sabia y profunda.
Por tu expresión tan serena.
Por tu paciencia y tesón.
Torbellino de cosas buenas.

Por ser hombre testarudo
aferrado a tu convicción.
Por mantener en alto tus ideales
sin perder la calma o razón.

Por instruirme en la vida
y enseñarme a no mentir.
Por preocuparte por mis problemas
y recompensa no pedir.

Por enseñarme nobles valores:
el amor, rectitud y compasión,
justicia, desinterés, trabajo,
caridad, verdad y el perdón.

Por todos tus desvelos.
Por tu amor paternal.
Hombres como tú hay pocos.
Eres un padre ideal.

Por cumplir con tus deberes.
porque nunca me fallaste.
Porque contigo contar siempre puedo.
Hoy y siempre mi amor te entrego.

Porque siempre estás ahí,
tendiéndome tu cálido abrazo.
Por ser modelo en mi vida.
Por siempre creer en mí.

Por todo esto padre,
te aprecio,
y a Dios de nuevo agradezco
por en mi vida tenerte a tí."

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Coisas da vida

Antes que receba mais sugestões para dormir bem (o que agradeço bastante), esclareço as razões:

- Veja, na íntegra, em http://www.coisademae.blog.br/, blog da minha irmã, Christianne Alcântara (nome pouco original, uma vez que me chamo Cristina, e levo o mesmo sobrenome, mas é que nossos pais não são marketeiros! melhor pra eles!):

"Acabou a campanha do meu pai a vereador do Recife e estou de volta. Não revelei antes o projeto em que estava envolvida para não parecer que estava querendo, por meio do meu blog, fazer campanha. Entretanto, agora, passado o período eleitoral, já posso revelar. Meu pai perdeu a eleição, mas nós (eu e ele) ganhamos em companheirismo. Gostaria muito que meu filho, um dia, viesse a sentir por mim metade do amor que sinto por meu pai. Para isso, eu precisaria ser para João Marcelo pelo menos metade do que meu pai é para mim. Não sei se isso é possível. Meu pai é grande, generoso demais, bom demais. Um grande homem. Fica a ressaca da derrota, mas fica a certeza de que, quando todo o resto nos falta, o amor mútuo entre pai e filha se torna ainda mais forte. Fica também a convicção de que esse elo não se quebrará jamais. Ontem, quando perdemos a eleição, tive a oportunidade de dizer tudo isso a meu pai. Provavelmente não o teria dito se tivéssemos ganho. Meu pai, na sua grandeza d´alma - como diria o poeta Fernando Pessoa, “tudo vale a pena quando a alma não é pequena” -, depois de me ouvir, respondeu: “É tão bom perder…”
Por Christianne Alcântara

domingo, 5 de outubro de 2008

Esperanças e utopias

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"Sobre as virtudes da esperança tem-se escrito muito e parolado muito mais. Tal como sucedeu e continuará a suceder com as utopias, a esperança foi sempre, ao longo dos tempos, uma espécie de paraíso sonhado dos cépticos. E não só dos cépticos. Crentes fervorosos, dos de missa e comunhão, desses que estão convencidos de que levam por cima das suas cabeças a mão compassiva de Deus a defendê-los da chuva e do calor, não se esquecem de lhe rogar que cumpra nesta vida ao menos uma pequena parte das bem-aventuranças que prometeu para a outra. Por isso, quem não está satisfeito com o que lhe coube na desigual distribuição dos bens do planeta, sobretudo os materiais, agarra-se à esperança de que o diabo nem sempre estará atrás da porta e de que a riqueza lhe entrará um dia, antes cedo que tarde, pela janela dentro. Quem tudo perdeu, mas teve a sorte de conservar ao menos a triste vida, considera que lhe assiste o humaníssimo direito de esperar que o dia de amanhã não seja tão desgraçado como o está sendo o dia de hoje. Supondo, claro, que haja justiça neste mundo. Ora, se neste nestes lugares e nestes tempos existisse algo que merecesse semelhante nome, não a miragem do costume com que se iludem os olhos e a mente, mas uma realidade que se pudesse tocar com as mãos, é evidente que não precisaríamos de andar todos os dias com a esperança ao colo, a embalá-la, ou embalados nós ao colo dela. A simples justiça (não a dos tribunais, mas a daquele fundamental respeito que deveria presidir às relações entre os humanos) se encarregaria de pôr todas as coisas nos seus justos lugares. Dantes, ao pobre de pedir a quem se tinha acabado de negar a esmola, acrescentava-se hipocritamente que “tivesse paciência”. Penso que, na prática, aconselhar alguém a que tenha esperança não é muito diferente de aconselhá-la a ter paciência. É muito comum ouvir-se dizer da boca de políticos recém-instalados que a impaciência é contra-revolucionária. Talvez seja, talvez, mas eu inclino-me a pensar que, pelo contrário, muitas revoluções se perderam por demasiada paciência. Obviamente, nada tenho de pessoal contra a esperança, mas prefiro a impaciência. Já é tempo de que ela se note no mundo para que alguma coisa aprendam aqueles que preferem que nos alimentemos de esperanças. Ou de utopias."
Por José Saramago

Aos poucos, este blog passa a ser feito por mais do que uma insone - euzinha, claro! - mas vai se desenhando com a contribuição de alguns amigos e parentes, que apesar de não comentarem muito, deixam interessantes contribuições na minha caixa de entrada.

Sinceros agradecimentos, desta vez, a Antônio, que diferentemente dos demais, também enriquece este blog com seus comentários, e que me passou o link de Saramago com o texto acima. Para ele, aquele abraço!, e boa noite!, ou, seria buenos dias?!

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Que dá miedo do miedo que dá

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Agradecimentos sinceros a Renata do Amaral, que teve muita paciência comigo ao me explicar como colocar o link do youtube assim, como vocês estão vendo agora. Ganhei meu dia, minha tarde, minha noite. Sem medo de ser feliz, agora posso encher esse blog de MÚSICA!!!! Coitados de vocês... que não me agüentarão mais :)

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Saudade


(por Miguel Falabella)

"Agarrarse el dedo con una puerta duele.
Golpearse la cara contra el piso, duele.
Torcerse el tobillo, duele.
Una bofetada, un puntapié, duelen.
Duele golpearse la cabeza con el borde de la mesa,
duele morderse la lengua,
una carie y piedras en los riñones también duelen.

Pero lo que más duele es la saudade.
Saudade de un hermano que vive lejos.
Saudade de una cascada de la infancia.
Saudade del gusto de una fruta que no se encuentra más(...)
Saudade de una ciudad.

Saudade de nosotros mismos, cuando vemos que el tiempo no nos perdona.
Duelen todas estas saudades.
Pero la saudade que más duele es la saudade de quien se ama(...)

Saudade de la presencia, y hasta de la ausencia consentida.
No saber que hacer con los días que son más largos,
no saber como encontrar tareas que detengan el pensamiento,
no saber como frenar las lágrimas al escuchar esa música,
no saber como vencer el dolor de un silencio...(…)

Saudade es esto que sentí mientras estaba escribiendo y lo que tú, probablemente, estés sintiendo ahora después de leer...

´En alguna otra vida, debemos haber hecho algo muy grave para sentir tanta saudade...´ "


Em http://www.pensandoenlasmusaranas.com/2007/02/19/do-carnaval-e-outras-musaranas/: "Disculpen los hispanoparlantes, pero hay cosas que sólo suenan bien en un determinado idioma. Escuchar un “te amo” es bonito; pero “amore, ti voglio bene” es imbatible. También se puede decir de muchas maneras en muchos idiomas, pero no hay sentencia más verdadera en su irrefutable brevedad que “shit happens”. “Saudade“, es una palabra en portugués que no tiene traducción exacta en ninguna otra lengua, quizás porque expresa una emoción muy particular, que no es necesariamente triste ni alegre y que está profundamente enraizada en el alma de un pueblo. Cuando un brasileño está “morrendo de saudade”, se toma una cachaçinha. Cuando un argentino está “con un poco de nostalgia”, se toma un Prozac."


Hoje é o cumpleaños de mi hermana. Parabéns, minha linda! Que Saudade! Uma cachacinha, por favor!

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Um pedacinho do Egito em Madri

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Próximo ao Parque do Oeste, no final do Paseo del Pintor Rosales, podemos encontrar o Templo de Debot, um pedacinho do Egito em Madri. O Templo foi uma doação do Egito à Espanha, em 1968, pela colaboração desta na conservação de outro templo egípcio Abu Simbel, em Núbia, das águas do rio Nilo. Abu Simbel estava ameaçado devido à construção da represa de Asuán.

Bueno, para o Egito, um templo a mais ou a menos não faz tanta diferença assim; já para Madri, é um refúgio interessante, principalmente aproveitar o parque onde ele foi instalado. Fica a dica para uma tarde ensolarada de domingo, de preferência.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

A volta da estrangeira e a Noche en Blanco

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Puxa, que tempo que não escrevo aqui! É que esses dias foram fogo!, volta às aulas de filho, idas e vindas à minha universidade para resolver burocracias, aulas de espanhol, e ainda inventei de ser colaboradora de um outro blog http://www.mappa.etc.br/post/la-noche-en-blanco-e-a-agenda-de-uma-estrangeira , muito legal, sobre tendências de mercado, comunicação, inovação, algo mais ligado à minha área profissional. Bem, tem sido prazeroso. Me força a pesquisar e a me atualizar, enquanto a universidade não faz esse papel. O link acima foi justo sobre o que escrevi no blog sobre La Noche en Blanco, uma noche maravilhosa que houve aqui em Madri sábado passado. Bem, confiram as fotos e o link. Agora, vou tentar não passar mais uma noche en blanco, e ver se durmo, que amanhã sim!, é dia de branco.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

O salvador de formigas

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Ontem, estava voltando para casa com meu filho, quando me surpreendi com um pulo que ele deu para não pisar em certa coisa. Perguntei o que era:
- Era uma fila de formigas, mamãe! Você não viu?
- Não. Mas o caçador de formigas agora está salvando-as?! - perguntei intrigada. Ele me respondeu:
- É que sou caçador lá em casa, para salvar nossas coisas, nossa comida. Aqui fora, temos que salvar o planeta!
Ah, bom! Agora entendi.
É, bem já dizia Clarice, os filhos são mesmo uma surpresa para a gente.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

O ataque das formigas



O caçador de formigas
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Nunca imaginei que eu viria para a Espanha para me especializar justo em hormigas. Sim, é o que você está pensando mesmo, aquele bichinho asqueroso, minúsculo, que em bando provoca um incômodo danado! Desde que voltamos do Brasil, a minha casa está surpreendentemente empestada de formigas. Já procuramos em tudo e não encontramos nada que justificasse o fato. Quando me levanto, já vou procurá-las. Meu filho estava insistentemente me pedindo um irmão, depois de tantas lacônicas do tipo: é, talvez, pode ser, vamos ver, quem sabe, ele percebeu a dúvida e resolveu pedir algo mais fácil, um cachorro ou bicho de estimação. De repente tive uma idéia que a mim me pareceu criativa inicialmente: fazer das formigas da casa sua(s) mascote(s). Depois de pensar um pouco mais, desisti da idéia. O problema é que isso poderia dar um nó na cabeça do menino, pois nossa melhor diversão em casa tem sido caçar formigas! Preocupada em acabar criando um filho psicótico, cuja diversão é matar seu bicho de estimação, logo vi que não estou “batendo muito bem” mesmo. Sempre achei que criatividade e loucura estivessem intimamente associadas.
Bem, voltando. Meu marido e filho tiveram então uma idéia genial: caçar formigas com o aspirador de pó! A gente tira a base dele, e usa o “cano” para aspirá-las. Partimos para o ataque então! Depois de semanas, aspirando-as e não extinguindo-as, tomamos duas outras providências: ligamos para o dono do apartamento para receber alguma sugestão, e a outra foi segui-las para finalmente encontrar sua colônia - sugestão de um amigo. Como tudo pra mim tem que ter um manual de instrução, fui também atrás da Wikipédia para conhecer melhor meu inimigo (para os que não se interessam por formigas: pulem o parágrafo seguinte):

“Los formícidos u hormigas (Formicidae) son una familia de insectos himenópteros. Son uno de los grupos zoológicos más exitosos, destacando su socialización y su capacidad para formar colonias. Se conocen más de 12.000 especies. Las hormigas ocupan todas las regiones biogeográficas del mundo y son capaces de adaptarse a los más lugares inhóspitos, soportando desde los –40ºC de de la tundra ártica a los 70ºC de los más ardientes desiertos. (…) La comunicación entre las hormigas se produce principalmente a través de feromonas. Debido a que la mayoría de los tipos de hormigas están todo el tiempo en contacto con el suelo, estos mensajes químicos están más desarrollados en ellas. De este modo, por ejemplo, cuando una hormiga recolectora encuentra una fuente de alimento, deja un rastro químico en el suelo en su camino de vuelta a casa. Cuando se encuentra con otras hormigas, les comunica el hallazgo regurgitando parte del alimento y las invita a seguir el rastro mediante señales táctiles. Cuando éstas vuelven también al hormiguero, refuerzan el rastro, atrayendo así a más hormigas, hasta que la comida se termina, de forma que a partir de ese momento el rastro no es reforzado y se disipa lentamente.”

Bueno, o que mais me chamou a atenção foi que elas podem suportar até 70 graus C, o que me causou uma preocupação adicional: estariam todas as formigas VIVAS dentro do saco do aspirador de pó?! Eis uma preocupação relevante! Tive um ímpeto momentâneo de ir à despensa e abri-lo para conferir. Depois, preocupada com uma revolução que talvez pudessem ter maquinado lá dentro contra seus inimigos, nós, imaginando encontrá-las todas a postos, esperando a grande oportunidade para saírem em liberdade, desisti da idéia e decidi que é melhor guardar minha curiosidade científica para o doutorado em marketing. Enquanto isso, vamos convivendo o resto do verão com elas, quando acumulam alimento para passarem o inverno fartas e bem aquecidas nas suas casinhas, fazendo aquela festança.

Se você não pode com o inimigo, junte-se a ele. Mudei então de estratégia. Passei a imaginar qual sua comida predileta para comprá-la e deixá-la à disposição. Afinal, teríamos finalmente nosso bicho de estimação, ao menos durante o escaldante verão madrileño que já começa a nos dar adíos. É! Esta talvez seja outra idéia bem criativa...

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

A Estrangeira e as Maquininhas 2

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Quem acompanha o blog já deve saber das minhas poucas habilidades tecnológicas (post "A estrangeira e as maquininhas") e culinárias (post "Ana Maria Braga"). Pois bem, já pensaram o que acontece quando eu preciso usar um aparatozinho desses da modernidade para cozinhar? Isso mesmo: um estresse! Aliás, sempre me considerei uma pessoa relativamente paciente, porém, tenho chegado à conclusão de que a percepção que cultivamos de nós mesmos depende muito das experiências que passamos, e do quanto nos deparamos e reagimos ao novo. Surpreendemo-nos positiva ou negativamente com nós mesmos a cada nova situação vivenciada. Bueno, ultimamente talvez tenha me estressado por pouca coisa, mas já imaginaram quando o dito aparato modernoso é justo o fogão! E o pior é que ele é um meio termo entre o moderno e o antigo. Não tem nada pior do que "o que é e não é", ou que "parece ser e não é", ou "é e não parece ser". Explico-me: é de vitrilho, porém a gás! Explicando melhor ainda, bem didática, para aqueles que como eu não estão muito acostumados com essas coisas: ele é daquele tipo que é acoplado ao balcão, duas bocas, bonito e aparentemente moderno, porém, para você ligar exige uma dose extra de paciência, pois não é elétrico e tampouco reage à nossa antiga caixa de fósforos ou isqueiro, sacou?! Então, há um “jeitinho”, que já percebi que não é o tão propagado “jeitinho brasileiro”, que o faz funcionar. É outro tipo de jeitinho, mais complexo, chamado de manha, paciência, determinação ou mandinga espanhola para o tanto de liga-desliga que se faz necessário para que ele finalmente funcione. Até mesmo quando ele começa a funcionar é difícil de perceber, pois o início se dá com uma pequena e delicada chama, facilmente imperceptível devido ao brilho do vitrilho, sacou de novo?! Quando penso que vou cozinhar no fogão de vitrilho não elétrico?! Não dá outra: Burguer King de novo! Ai que saudade do meu antigão, que quase sempre pedia o velho e bom fósforo, uma das melhores invenções da humanidade! Que saudade!

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Aconteceu em Mallorca











Sempre ouvi comentários sobre o traje de banho dos brasileiros. Que a mulher brasileira se expõe muito na praia (e fora dela), que os homens vestem sunga e não bermudão, que o fio dental tem uso generalizado, e perê rê rá rá rá.

Bueno, falando um pouco da moda praia de Mallorca, posso dizer que havia de tudo: muito "asa delta", alguns "fios dentais", havia ainda aqueles biquinis com crise existencial -que você não sabe se era um projeto de maiô que faltou pano, ou que a figura emagreceu muito e aí o tecido ficou meio..., digamos, "fofinho"- enfim, havia de tudo. E, ao contrário do que eu imaginava, alguns biquinis até bem bonitos! - perdão pela sinceridade, mas os europeus e americanos nunca foram muito fashion no quesito traje de banho, daí minha surpresa.

O mais comum, no entanto, era a famosa calcinha grande e... "top less". Nunca vi tanto peito! O legal no entanto é que pareciam de verdade, não tinham cara de silicone, haja visto que o que tinha de peito caído e pequeno?! não é brincadeira! Fiquei feliz com o fato. Me pareceu mais natural do que a onda brasileira de mulheres siliconadas. Inclusive, posso dizer que a galera está em geral mais para sarada, magra, sem celulite - inclusive as mais velhas - do que para o tipo gordinha-sedentária-não-tô-nem-aí (categoria que me encaixaria perfeitamente, se não fosse o "gordinha", ou será que estou?!). E as tatuagens? Ah, sim! Estas, tanto quanto no Brasil, ornam os mais distintos corpos, das mais diferentes idades, nos mais inimagináveis locais. Imagino!

Estava eu, displicentemente pensando sobre o assunto, quando, de repente, a uns 20 metros de mim, na Cala Mondragó, uma mulher de 40, chega vagarosamente com sua bolsa de praia. Logo após, um homem se aproxima - imagino eu, seu companheiro. Ela estende sua toalha na areia, e...assim, sem mais nem menos... tira completamente a roupa. Sim, ela fica completamente nua por alguns segundos. Pasmem! Bem, eu fiquei pasma! Pouco depois, muito tranqüilamente, veste a ENORME, enorme mesmo, calcinha de biquini na nossa frente! Tudo da forma mais natural possível. O distinto cavalheiro, aparentemente acostumado com a cena, nem aí para ajudá-la a ser mais discreta, segurar uma toalha para desfarçar, lo que sea... Fiquei chocada! Não quero dar uma de puritana, mas não me pareceu muito comum. Começamos a debater sobre se aquilo era um bom sinal, uma percepção absolutamente natural sobre a nudez, ou uma inadequação total, falta de sensibilidade cultural ou sei lá o quê, afinal, havia banheiros muito próximos, não era uma praia de nudismo, muitas crianças ao redor, idosos e tudo mais. Enfim, várias alternativas existiam para que a mulher evitasse a cena. O strip tease era absolutamente desnecessário. Bem, a discussão momentânea contudo não me ajudou muito a tirar alguma conclusão definitiva. Ah, e vocês pensam que era alguma Pamela Anderson orgulhosa por mostrar seus dotes femininos? De jeito nenhum, uma figurinha bastante normal, para não dizer, feiosa.

Bem, já percebo que não consigo aprofundar o debate, me dedicarei a outro assunto relacionado. A ver... Ah! Como as pessoas desfrutam a praia alí.

Há pessoas desfilando, outras jogando algum esporte, crianças brincando na areia, outros nadando, tudo seguindo o script de qualquer praia do mundo, suponho! No entanto, o que me chamou atenção é que as pessoas em geral estão juntas, porém, separadas. Me explico: dormindo, lendo, tomando sol, bocejando, observando... na maioria das vezes, meio mudas. Achei bastante diferente de nosotros no Mundo de lá, que aproveita a ocasião para "tomar uma", conversar, comer, enfim, para nós, brasileiros, a praia é um ambiente social. Claro que existem as praias não urbanas, mais desertas e tranqüilas. Ainda assim é um ambiente mais alegre e menos para relax do que me pareceu em Palma. Enfim, me chamou atenção. Durante toda a tarde, após tomar uma única cerveja conseguida num bar próximo, também relaxei enfim, desisti da bebedeira, e tentei desfrutar a la europea. Um amigo nosso nos trouxe um pão com jamon, que, diga-se de passagem, não provei, e pronto! Estava eu e toda a Cala como lagartixas torrando ao sol, tentando um bonito bronzeado. O problema é que, no meu caso, após me ensopar de filtro solar de número 30! Fazer o quê?! Bem que eu podia ter tentado um top less assim meio rápido para ver qual é a sensação, mas brasileiro que é brasileiro é meio tímido. Bem, quem sabe na próxima....