segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Uma noite com Clarice e Oswaldo


Frases de Clarice:

"Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo - quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação."

"Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada."

"Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome."

"Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania, depende de quando e como você me vê passar."

"Olhe, tenho uma alma muito prolixa e uso poucas palavras. Sou irritável e firo facilmente. Também sou muito calmo e perdôo logo. Não esqueço nunca. Mas há poucas coisas de que eu me lembre."

C.L.

Regressar é preciso



“Regressar é preciso.” – Me deparei com essa frase de Saramago na Revista de bordo da Cia. Aérea Tap, no meu regresso a Recife para as férias de fim de ano e, principalmente, para o nascimento da minha sobrinha. Tomei nota urgentemente, mas nada se revelaria mais inútil posto que desde que cheguei há uma semana, vez ou outra, lembro-me dessas palavras sem precisar recorrer ao lembrete. “Como tudo as palavras têm os seus quês, os seus comos e os seus porquês. Algumas solenes, interpelam-nos com ar pomposo, dando-se importância, como se estivessem destinadas a grandes coisas, e vai-se ver, não eram mais que uma brisa leve que não conseguiria ver uma vela de moinho, outras, das comuns, das habituais, das de todos os dias, viriam a ter, afinal, conseqüências que ninguém se atreveria a prever, não tinham nascido para isso, e contudo abalaram o mundo” (Saramago, in Caim, 2009, pg. 52). Pois bem, parafraseando Fernando Pessoa quando disse “Navegar é preciso”, sem entrar no mérito polêmico se acaso a palavra “preciso” em questão queria dizer “necessidade” ou “precisão”, Saramago fala do regresso a Lisboa como se essa volta às raízes fosse fundamental para energizar-se e seguir adiante. Ele, que decidiu como ato de protesto exilar-se em Lanzarote/Espanha, depois de toda a polêmica portuguesa gerada pelo livro “Evangelho Segundo Jesus Cristo” – Portugal, mesmo sendo um país laico, vetou a apresentação do romance ao Prêmio Literário Europeu alegando que a obra “ofende aos católicos”. Pois bem, voltando ao meu simples regresso, bem menos poético e pomposo, repito com todas as letras em português, espanhol, portunhol... a paráfrase de Saramago: regressar é preciso, “regresar” é preciso, volver é preciso, voltar é preciso, retornar é preciso. Ainda que dessa vez não seja a “de vez”, é preciso.

sábado, 28 de novembro de 2009

Encontros Infantis com a Cultura Brasileira



Vi no blog dmadrid, de Anlene, que no próximo sábado, dia 12.12, de 11h às 14h, haverá toda uma programação infantil na Casa do Brasil de Madri. O encontro infantil se chama Brincar.es 3  Arte & Literatura, um Projeto que conta com o apoio da Fundación Cultural Hispano-Brasileña e da Embaixada do Brasil. O Projeto, sem fins lucrativos, foi criado em 2007 por um grupo de mulheres para divulgar a cultura brasileira através da literatura, música, folclore, teatro e jogos. Também tem como objetivo preservar a língua portuguesa entre as crianças da comunidade brasileira residente em Madri. As atividades do projeto são desenvolvidas pela AVA - Asociación Sociocultural de Mujeres Brasileñas. Toda a programação acontece em português. A Casa do Brasil está situada na Av. Arco de la Vitória , s/n Metro Moncloa, e a inscrição por e-mail: brincares@gmail.com. Parece que vai ser muito legal.

domingo, 22 de novembro de 2009

De Tapas por Madrid



Aqui na Espanha é muito legal Salir de Tapas ou Tapeo, que significa "tomar uma" pelos bares. Em Madrid, quando pedimos uma bebida alcóolica num bar, somos brindados com uma Tapa, cortesia da casa, que consiste em um pequeno petisco gratuito como aperitivo. Vi no blog es por Madrid que hoje começa a segunda edição do "De Tapas por Madrid Centro". Até o dia 29/11, uma cerveja Cruz Campo e uma tapa será vendida por apenas 2,40 euros em 78 estabelecimentos comerciais do Centro, todos eles identificados com a marca acima. Durante a semana, serão premiadas as melhores Tapas, segundo a seguinte classificação: La Tapa de La Viña, eleita por um jurado composto por especialistas, La Tapa Popular, eleita pelos consumidores, e La Tapa Cruz Campo, eleita pela Escuela de Hostelaria Gambrinus. Vale a pena conferir.

sábado, 14 de novembro de 2009

O Coliseu





Uma visita pelo Coliseu, com um bom guia, faz com que nos transportemos para aquela época, imaginando como deve ter sido aquele imenso circo cheio de gente, palco de lutas sangrentas entre gladiadores. Estes eram escravos ou prisioneiros políticos que se esforçavam ao máximo para dar um bom show, tanto para garantir a sua sobrevivência quanto para ganhar o carisma do povo, e, quem sabe, receber regalias no cativeiro, podendo em último caso ganhar a sua liberdade. Tudo ali impressiona. Construído no Império Romano durante o século I, é um grande anfiteatro que ocupa uma parte do antigo jardim da megalômana Casa Dourada, casa de Nero, cerca de 10 anos antes. O lago do antigo jardim, primeiramente aproveitado para espetáculos no Coliseu, logo foi aterrado para criar a arena onde disputavam os gladiadores.

Fruto de uma política populista, o Coliseu foi utilizado politicamente para aumentar a popularidade do imperador e desviar a atenção do povo dos verdadeiros problemas do Império. Ali, todos podiam entrar gratuitamente, de escravos a nobres, e eram alocados de acordo com sua classe social (“cadeiras cativas” e espaços privilegiados para os nobres). Foi utilizado como referência ao longo dos tempos para a construção dos nossos estádios atuais. Se ainda mantém a imponência até hoje, imagino que deve ter sido um monumento belíssimo à época, pois sua fachada era branca, feita com pedra travertina e mármore. Foi bastante saqueado, e muito do mármore, outros itens arquitetônicos e obras de arte foram retirados daí pelo arquiteto Bernini para a construção do Vaticano, e por outros para a construção de diversas igrejas e outros monumentos.

Estima-se que tinha capacidade para oitenta mil pessoas. Para se ter uma idéia, quando fazia mau tempo, um grande toldo se estendia pelo Coliseu cobrindo o público. De que maneira conseguiam tal proeza, com os escassos recursos da época, faz qualquer engenheiro ou arquiteto se impressionar até hoje. O modelo de elevadores, por onde subiam os animais até a arena, com o sistema de polias e cordas puxadas por inúmeros escravos também representa os primórdios dos nossos modelos atuais.

Algumas curiosidades é que tudo que impressionava era bem vindo, assim, desde girafas, elefantes, animais desconhecidos até então, trazidos da África, também faziam parte de vários espetáculos, onde o principal era surpreender o público. Em minha opinião, é o marco zero de qualquer visita a Roma.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Roma



La Piedad, de Michelangelo, na Basílica de São Pedro

O Pantheon


Piazza de Spagna


Piazza de São Pedro

Quando disse a Gi do Dentro da Bota que eu iria a Roma, ela me indicou alguns lugares pra visitar, apesar do pouco tempo que eu ficaria. O tempo foi realmente curto, mas mesmo assim eu sabia que seria maravilhoso. O que não esperava era que, depois de tanta expectativa, Roma ainda conseguisse me surpreender. Adorei. Se não tivesse tido tempo de ver nada, só a cidade em si é um museu a céu aberto. Na Roma Antiga, uma casa qualquer pode ter em sua fachada uma obra de arte, ou uma coluna de mármore, ou uma escultura que desponta para abraçar a rua, e se você pesquisa um pouco pode vir a descobrir que ali foi palco de algum grande acontecimento histórico.


Coliseu

É uma cidade pequena se comparada com outras capitais européias, e é bastante idílica. O idioma é realmente muito bonito de se ouvir, sensual e melódico; as pessoas, bonitas e simpáticas. Às margens do Rio Tiber (apesar da poluição), produz-se cenários bem românticos. Roma é um convite ao desfrute das boas coisas da vida, sobretudo, ao romantismo.

Além de tudo isso, há os belíssimos monumentos históricos e as incalculáveis obras de arte que estão presentes desde a mais simples capela até o Vaticano. O Pantheón, o Coliseu, a Praça e Basílica de São Pedro, a Fontaine de Trévi, o Foro Romano, a Piazza Navona, a Colina Palatina, sem falar nos bares do Trastevere, nas incontáveis igrejas-museus e outros tantos pontos turísticos que não consegui ver. Vale a pena ouvir os guias que te contam sobre o Coliseu, Foro Romano, e ouvir um pouco sobre os imperadores romanos, Calígula, Nero, e outros tantos; onde viveram, como influenciaram e deixaram suas marcas até hoje, seja no cinema, no teatro, na ópera ou "simplesmente" na História da Humanidade.

Com um forte desejo de voltar algum dia àquela linda cidade, não me esqueci de seguir as recomendações da lenda que diz que quem joga uma moeda na Fonte de Trevi, voltará a Roma . Apesar da experiência no mínimo interessante ao ter ido a Roma pela low cost Ryanair, voltarei de qualquer jeito; a Fonte não mente. Que assim seja.


Fontana de Trévi

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Procurando Luciana

Luciana sofre de depressao pós parto e desapareceu em 1 de junho. Segundo Flávia, do Astronauta, a Lia, irma de Luciana, criou o blog para divulgar o seu desaparecimento. Bom, me uno ás duas e espero que sejam bem-sucedidas. Conheço uma amiga que teve o mesmo e é muito triste. Ninguem merece. Divulguem, publiquem, ajudem. Gracias.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

terça-feira, 13 de outubro de 2009

"La innata vocación de Brasil a la felicidad." Por Juan Arias

“Parece-me que o sorriso, e só ele, faz aquilo que chamamos a beleza de um rosto.” (Liev Tolstói)

Sugiro o El País de hoy. TRIBUNA: JUAN ARIAS. 13/10/2009. Segue na íntegra.
"En la victoria de Río seguro que ha influido la estrecha relación de todo un país con la sonrisa."

"El hecho de haber ganado Río de Janeiro la celebración de los Juegos Olímpicos del 2016, dejando atrás ciudades de gran prestigio como Madrid, Chicago o Tokio, ha sido analizado ya por activa y por pasiva. Se ha dicho de todo. Que Suramérica se merecía ya unos Juegos. Y es cierto. Que Brasil es hoy la potencia económica emergente de la región. Y también es cierto, como lo es que buena parte de la victoria se debió a la enorme popularidad mundial del carismático ex metalúrgico y hoy presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Y con él a la acción del dios del fútbol, Pelé, y el mago carioca Paulo Coelho, que supo ganarse la simpatía de las mujeres de los delegados del COI a quienes invitó a cenar en un restaurante de Copenhague, en un clima de felicidad brasileña. ¿O habrán sido sólo las imágenes de las bellezas únicas de la mágica ciudad carioca? También, pero no sólo.

Existe otro elemento poco subrayado y es la innata vocación de Brasil y de los brasileños a la felicidad, que acaba irradiándose internacionalmente, contagiando al mundo.

Si se hubiese hecho un sondeo nacional habría aparecido que ese día el 100% de los brasileños se sintió feliz cuando el presidente del Comité Olímpico Internacional abrió el sobre y apareció Río de Janeiro como vencedor de la competición para celebrar los Juegos Olímpicos del 2016. Los brasileños, que gozan de una formidable cohesión nacional, están siempre abiertos a acoger cualquier motivo para ser felices. Y albergar los Juegos les ha producido orgullo y felicidad. Y no lo esconden, que es otra de las características del brasileño.

En mi primera entrevista a la actriz de cine y teatro Fernanda Montenegro cuando llegué a Brasil, hace ahora 10 años, me dijo algo que nunca he olvidado y que pude más tarde tocar con la mano: "La diferencia entre un europeo y un brasileño es que el brasileño no se avergüenza de decir que es feliz y el europeo, sí".

Cualquiera que pasa por Brasil, de turismo o de trabajo, se siente enseguida atrapado por la cordialidad, la exuberancia afectiva, la acogida alegre de sus gentes, del norte al sur del país. "Es que con los brasileños no se puede uno pelear porque te sonríen hasta cuando te enfadas", me decía un corresponsal argentino. Es verdad. La vocación del brasileño es más hacia la paz, la amistad, el entendimiento mutuo, el deseo de agradar que hacia la guerra o la pelea. Y, entonces, ¿qué ocurre con la violencia que mata en Brasil más que en otros países? No es una violencia brasileña, la produce el cáncer del tráfico de drogas.

La mejor arma del brasileño sigue siendo la sonrisa. Al catedrático de Estética de la Universidad de Río Isaías Latuf le preguntaron en plena calle en Buenos Aires si era brasileño. "¿Cómo lo ha notado?", preguntó. Y la respuesta fue: "Por su sonrisa".

Según un sondeo realizado en 2008 en 120 países por el Instituto Gallup World Poll, y presentado por la Fundación Getulio Vargas (FGV), la felicidad del brasileño es superior a su PIB. El joven brasileño aparece con una valoración de la felicidad superior a la media mundial. El estudio revela que los jóvenes brasileños de entre 15 y 29 años presentan mayor esperanza de ser felices los próximos cinco años que los jóvenes del resto del mundo. Y esa esperanza de felicidad alcanza un 9,29%.

Los psicólogos han intentado analizar estos datos. ¿Cómo es posible que los jóvenes de un país que aparece sólo en el puesto 52 en el índice mundial de la renta se sientan los más felices del planeta? El psicólogo Dionisio Benaszewski lo achaca a que, según la misma encuesta, los jóvenes brasileños valoran más la felicidad que el trabajo o el dinero. Si hay algo, en efecto, que he tocado con la mano en Brasil es que la mayoría de sus ciudadanos, hasta los más pobres, no viven para trabajar; trabajan para vivir y para vivir felices. Es casi imposible conseguir que alguien quiera trabajar, ni ganando el doble, en un domingo. Suelen decir: "Ah, no, domingo nâo da".

Según Benaszewski, existe otro elemento creador de felicidad en Brasil y es el que ofrecen las buenas relaciones existentes entre miembros de la familia y entre vecinos. Aquí la red de solidaridad, sobre todo entre los más pobres, es formidable. Un ejemplo de ello lo son las favelas pobres de Río, que entre ellas se llaman "comunidades". Y lo son. El elemento afecto en las relaciones y el afán por ayudarse mutuamente en las adversidades, o de disfrutar en los momentos felices, es proverbial.

Suele decirse que los brasileños saben sacar felicidad hasta de las piedras. La buscan en la alegría y en la tristeza. El día que Río ganó la celebración de los Juegos Olímpicos, una pareja joven de brasileños entrevistada en Madrid por un reportero del programa de Iñaki Gabilondo dijo algo más o menos así: "No estéis tristes. Venid a Río, que es una ciudad maravillosa, y os sentiréis felices". Pensé que, de haber sido al revés, si hubiese ganado Madrid y perdido Río, la joven también se habría consolado de alguna forma diciendo que estaba feliz en la maravillosa ciudad de Madrid.

Así son los brasileños. Son buceadores en el mar de la felicidad y, como no lo ocultan, acaban contagiando a los otros. Sin duda ese contagio también tuvo que ver a la hora de votar en Copenhague."

Google Analytics. E o seu, como é?

Outro dia me perguntaram sobre o meu Google Analytics. Honestamente, até agosto passado não sabia muito bem o que era isso. Vale, vale, blogueiro que se preze deve sabê-lo, é meio básico. E blogueiro marketeiro, então?! Pior ainda, nem se fala! Mas caí nessa vida de pára-quedas, com uma imensa vontade de escrever e uma absurda preguiça de papel e lápis. Aí minha irmã me sugeriu o blog e me mostrou “o caminho das pedras”, como começá-lo. Tava satisfeita com um diariozinho, que não carecia de ser sigiloso. Estava muito bem, obrigada, no meu desabafo. Mas aí veio essa história de Google Analytics e deprimi! Um verdadeiro fracasso (imagino)- Ah! Pra quem não sabe, ele é uma maneira “internáutica” de avaliar as estatísticas do seu blog, número de visitas, “posts” mais lidos, etc. Pois bem, sabia que tinha maneiras de fazer essa contagem, mas pensei, afinal, o que é que custa me aprimorar no mundo virtual e me incluir na brincadeira? Aí, me inscrevi e a partir de agosto comecei a me estressar: - Além das cobranças diárias que temos que enfrentar, eu ainda TENHO(?!) que ter um “bom” Google Analytics?! Que se dane! Me “desbloguei” dele e voltei para o meu diário de bordo desencanado. “Posto” o que me dá “ganas” e pronto. Estava refletindo por onde vai essa coisa toda... mais tarde, além de nome, carteira de identidade, CPF, a gente vai ter que informar o nosso Google Analytics... e por falar nisso, só pra uma comparaçãozinha básica: - E o seu, qual é?

Seu Jorge. Bom demais



Muito massa! Segue outra dele, um maravilhoso samba rock.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Día de La Hispanidad e das Crianças

Próximo 12 de outubro também é feriado por aqui. É feriado nacional. Digo "também" porque, pra quem não sabe, no Brasil é dia das crianças e de Nsa. Sra. Aparecida (na verdade, não sei qual dos "dois" é o responsável pelo feriado brasileiro). Bom, pelas bandas de cá, é o Día de La Hispanidad, dia em que se homenagea os povos hispânicos, a descoberta da América e a grande comunidade hispânica espalhada pelo mundo.  Outros países da América, de língua e colonização espanhola comemoram também, porém, nem sempre na mesma data.

Madri me lembra bastante São Paulo nos feriados, meio vazia, quase todos viajam. Enquanto faz ainda um bom tempo em pleno outono espanhol, a aposta ainda é ir para o litoral na esperança de aproveitar um resquício do recente e saudoso verão.

Ano passado, meu marido, filho e alguns amigos brasileiros que estavam de visita por Madrid justo nesta mesma época deram de cara com um trio elétrico em pleno Passeio do Prado com nada mais nada menos do que Daniella Mercury - não sei muito bem o que tem a ver Daniella com o Día de la Hispanidad, pero bueno... E meu filho que está mais estrangeiro do que nunca - o que me preocupa - gritava tapando os ouvidos: "- Carnaval, nãããããooooooooooooo!"  Tadinho, ainda não sabe o que é bom (falo sobre o carnaval, claro). O bom mesmo para ele é que tem dois dias das crianças pra comemorar, e já cobrou o seu presente. Vou pedir a Nsa. Sra Aparecida pra ver se ela dá uma forcinha.

Bom, que tenham todos um bom feriado!, seja rezando a Nsa. Sra Aparecida, seja comemorando com as crianças o seu dia, ou ouvindo o Rei de Espanha fazer seu pronunciamento nacional (deve haver, afinal). Euzinha me mando pra praia, que é e sempre será para mim o paraíso aqui na terra, com ou sem feriado, no mundo de cá ou de lá.

É o Rio, por Tony Bellotto

Rio!!!

sexta-feira, 2 de outubro de 2009,  14:29

"Minha sogra sempre fala do silêncio no Maracanã na final da Copa de 1950, depois que perdemos o jogo para o Uruguai. Mesmo quem não estava lá, ou quem ainda nem tinha nascido, conhece aquele silêncio. Faz parte de nosso DNA. É um tijolo importante na construção da nossa identidade cultural. Se o Brasil estava na época preparado ou não para realizar uma Copa eu não sei. Mas a poesia e a tristeza daquele silêncio permanecem como a inauguração de alguma coisa difusa, porém fundamental para nós, brasileiros.

Imagens do Rio povoam a mente de qualquer brasileiro. Seja num cartão postal, num calendário ou numa cena de novela. Algumas imagens eu não vou esquecer nunca: a noite em que os Titãs abriram o show dos Rolling Stones, eu em cima do palco, o coração saindo pela boca, vislumbrando aquele formigueiro sem fim, mais de um milhão de pessoas na praia de Copacabana. E o que mais me impressionou: o número de barcos ancorados na baía, uma verdadeira favela iluminada em que barracos se transformaram em barcos. E os Stones, intrigados: um milhão de pessoas e nenhum incidente grave, nenhuma rebelião, nenhum pisoteamento?

Para os cariocas nada demais, todos os revéillons na praia são assim, brother. Como é que um negócio desses pode dar certo? Numa das cidades mais violentas do mundo? Ninguém jamais saberá explicar. Ou entender. A insustentável leveza do ser carioca. A cidade em que o aeroporto leva o nome de um compositor de música popular. Aqui estão o bom-humor, a corrupção, a alegria, as balas perdidas e as licenças poéticas.

Das velhinhas de cabelo azul passeando por Copacabana aos gringos em safári pela favela, dos flanelinhas banguelas guardando carros na Barra às madames botocadas saindo do Gero, dos sambistas sorridentes da velha guarda aos clubbers doidões, virados de ecstasy, dos fotógrafos de celebridades aos bebês chorões, brincando na areia, dos pitboys lutadores de jiu-jitsu aos casais gays abraçados na Farme de Amoedo, ninguém se preocupará em entender. Ou explicar.

Continuam as imagens na minha cabeça: a ECO 92, Jello Biafra passeando despercebido pelos stands ecológicos. Não é o cara do Dead Kennedys? Rubem Fonseca caminhando pelo Leblon, finjo que não vejo pra não encher o saco do Mestre. Não é a Juliana Paes? Onde? Ali! Os arrastões na praia, o abraço na Lagoa.

Meu filho de catorze anos foi assaltado pela primeira vez na semana passada. Não liga, João, é assim mesmo. Ser assaltado, nessa cidade, é como participar de um rito de passagem. Como uma primeira comunhão, ou um bar mitzvah. Como sair numa escola de samba, ou comer biscoito de polvilho Globo na praia de Ipanema num domingo de sol. Ou assistir a um Fla Flu no Maracanã. Ver uma peça de Nelson Rodrigues, adentrar um prédio projetado por Oscar Niemeyer.

A cidade vai penetrando a gente, mineiros, paulistas, franceses, marcianos, e não desgruda mais. Rock in Rio em Lisboa. Na boa. O Brasil como ele é. Ronald Biggs, lembram dele? O mais carioca dos ingleses, a prova viva de que aqui até o crime compensa. Ex-terroristas, generais de pijama, maconheiros e padres surfistas, crianças cheirando cola, empresários contando grana, ninguém jamais poderá explicar. Ou entender.

Meca de todos os grandes golpistas no cinema e na vida real, ex-capital da colônia, ex-capital do Império Lusitano durante as guerras napoleônicas, ex-capital do Império do Brasil, ex-capital da República, perene cidade maravilhosa, terra da beleza e do caos, o paraíso depois que Adão e Eva foram expulsos, mas ainda sob as bênçãos sólidas de um barbudo concreto com braços permanentemente abertos. As contradições desabando sobre nossas cabeças como pedras numa avalanche. Eu explico: as cidades, como as mulheres, não precisam ser entendidas, precisam ser amadas. O barulho que escuto agora vindo da rua – buzinas, gritos, rojões – contrasta com o silêncio do Maracanã em 1950. Mas confirma que vivemos novamente a inauguração de alguma coisa difusa, porém fundamental para nós, brasileiros. A mim, resta conjugar na primeira pessoa do singular do presente do indicativo o verbo que expressa a alegria: Rio!!!"


Por Tony Bellotto

sábado, 3 de outubro de 2009

Rio 2016, Lula e a estrangeira


Foto: Elpais (link no título)

Votei em Lula 4 vezes para presidente. Me decepcionei com muitas coisas, me orgulho de muitas outras. Uma delas é a de mostrar internacionalmente a face mais Real do povo brasileiro, a face simples, alegre, inteligente, criativa, popular, e emotiva que o europeu não está habituado. Um brilho nos olhos e uma espontaneidade estranhada por muitos, que se perguntam: de onde vem essa cara de felicidade, demonstrada em tantas ocasiões independente da vitória olímpica?! Em poucos países se expressa tão facilmente as emoções como no Brasil, se fala tão abertamente, para o bem e para o mal, sobre quem somos, o que queremos e acreditamos. Hoje, essa face está estampada em todos os jornais do mundo. Chorei com Lula várias vezes durante e depois da tão sonhada vitória brasileira. Honestamente, fiquei muito feliz de ver os momentos finais da apuração dos votos com a minha melhor amiga espanhola. E dizíamos uma a outra como foi fenomenal que os dois países mais queridos por nós tenham ficado para a final (no caso dela, inclui o Brasil por tabela, pois o conhece pelos meus olhos). Antes de qualquer resultado, prometemos que, houvesse o que houvesse, estaríamos ali, em Madrid ou Rio, em 2016. Um pacto de amizade e de promessa de reencontro, pois imagino que em 2016 já não estarei mais em terras espanholas. Voltarei pro meu Brasil brasileiro, meu mulato estrangeiro, contente pelas amizades conquistadas, um pouco espanhola, é verdade, e com um sorriso no rosto de haver podido contemplar de perto que o nosso país finalmente está começando a ser mais respeitado e valorizado como merece.

Explode coração, na maior felicidade




Essa vitória é brasileira, mas é especialmente uma vitória carioca. O Rio, "cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos" merece essa vitória. Ela sempre foi o cartão postal do Brasil, e um dos nossos grandes orgulhos nacionais, apesar dos pesares. Hoje, não tenho palavras pra expressar minha emoção e felicidade. É lindo ver nosso povo gritar de alegria e esperança. Me uno aos de lá, aos de cá, aos de acolá, nessa alegria. Hoje, além de recifense, sou muito, mas muito, muito mesmo: carioca!!!!!

Como será Rio 2016

Uma espiadinha no futuro: Rio 2016...

sábado, 26 de setembro de 2009

Estrangeirice. Ser estrangeiro é...

A estrangeirice de um amigo:
"O sentimento de não pertencimento independe dos objetos, da casa, do celular. Vem de outro lugar, daquele velho sentido da dialética de que um homem nunca mergulha duas vezes no mesmo rio. O triste é que no fim o sentimento é o de ser de lugar nenhum. Bate uma solidão...
Mas o bom é saber que é sempre possível voltar para o lugar de onde a gente veio de alma aberta. Quando isso acontecer, a sensação de estrangeirice logo passará, pois a identidade original é sempre mais forte do que as outras identidades que a gente pensa que vai agregando ao longo da vida. Apesar de todo o debate em torno da multiplicidade de personas que adquirimos ao longo da vida, justamente em função desse desencaixe, sempre acho que há algo de muito primário que nos fixa emocionalmente a um lugar. E é sempre pra ele que a gente deseja voltar nos momentos bons e ruins."

A estrangeirice de uma amiga:
"Ainda lembro da 1ª vez que fui de férias ao Brasil, depois de 1 ano e meio fora. Quando cheguei, me sentia perdida, como se tudo aquilo não fizesse mais parte de mim; lembro de como foi angustiante os 3 primeiros dias (...)entre idas e vindas já deu "mais ou menos" pra aceitar a idéia de que neste momento "este" é o meu mundo."

A estrangeirice de Mario Vargas Llosa, ou melhor, de "Ricardito", no livro "Travessuras da menina má", p. 125, 126:
"(...) Talvez porque sua solidão era parecida com a minha, embora fôssemos diferentes em muitas outras coisas. Ambos tínhamos decidido nunca voltaríamos a viver nos nossos países, pois tanto eu, no Peru, como ele, na Turquia, certamente nos sentiríamos mais estrangeiros que na França, onde, no entanto, também nos sentíamos forasteiros. E estávamos cientes de que jamais iríamos nos integrar no país que escolhemos para morar e que até nos concedeu um passaporte. ´- Não é culpa da França se nós dois continuamos sendo estrangeiros, querido. A culpa é nossa. Uma vocação, um destino (...)de estar sem estar, de ser mas não ser´".

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

A Ausência que não é Falta

“Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.!“

Carlos Drummond de Andrade

domingo, 20 de setembro de 2009

La Noche en Blanco 2009 e A Banda

Fomos a la noche en blanco madrilenha, ontem-hoje. Como sempre, me encanta! Muita gente na rua, de todas as tribos e crenças e idades. Ruas fechadas para os carros, metrôs funcionando até às 3 da manhã, programações de todo tipo. Tudo aberto, museus, salas especiais, Palácio Real, Bellas Artes, etc., e principalmente salas que em geral são fechadas ao público, tudo gratuito. Pena que, por ser apenas por uma noite, as filas são enormes. O mais inusitado da noite (foi muito engraçado ver), bandinhas de rua - essas bandas marciais que passeavam pelas cidades do interior brasileiro (quem viveu, se lembrará seguramente) e que ainda tocam em 7 de Setembro -, tocaram toda a noite pelas ruas de Madrid, seguidas por muitos, inclusive por nós por um curto percurso. Bateu a culpa por não ter levado meu filhote, que teria adorado!

Próximo aos museus, por sua vez, no Paseo del Prado, bailarinos ensinavam passos de dança através de um grande telão, desde street-dancing a ballet. A galera imitando na rua... foi uma onda. Em outros pontos, cine espanhol foram exibidos pelas ruas. Nos teatros, leituras de poemas e outras cositas más. No Barrio de las Letras, aonde costumavam ir Garcia Lorca, Lope de Vega, Cervantes, Calderón de la Barca e tantos outros nomes, desenhistas ouviam as histórias dos "callejeros" (pessoas que andam pelas ruas, ou seja, qualquer um de nós), como psicólogos de rua, e em troca faziam um desenho personalizado que pudesse representar um pouco da conversa. Os bares, movimentados, uma festa.  A temperatura amena, porém, sem muito frio... Enfim... mesmo que a cidade não estivesse tão bonita como no ano passado, e o astral, idem, valeu a pena.

Só pela nostalgia que bateu devido às bandas que animaram Madrid en La Noche en Blanco, segue "A Banda", de Chico, Festival de 1966. Imperdível.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Patrick Swayze morre de câncer

Nunca fui uma grande fã de Patrick Swayze, apesar de que gostava muito de vê-lo dançar. Entre os seus principais sucessos como "Dirty Dancing" y "Ghost", prefiro "Priscila, uma Rainha do Deserto". No entanto, poucas coisas são mais difíceis de se aceitar do que uma morte prematura. Na verdade, prematura ou não, a morte é bastante difícil de se aceitar seja em que idade for, pelo menos para  a maioria dos ocidentais, público em que me incluo. Quando ela é precedida de uma doença terminal parece ainda mais assustadora.

No entanto, o médico-psiquiatra David Servan-Schreiber (que descubriu um tumor no cérebro aos 32 anos, e superou todas as estatísticas de sobrevivência apresentadas em seu caso),  escreveu em seu excelente livro "Anticâncer: Prevenir e vencer usando nossas defesas naturais", p. 217, uma passagem que gosto particularmente, dentre outras tantas:

"Ouve-se freqüentemente dizer de uma pessoa fulminada por um infarto inesperado que ele teve uma "bela morte". Contudo, é um fim que nos priva de toda possibilidade de preparação, de troca, de transmissão, bem como de uma ocasião para dar um fecho às relações incompletas. Não é a que desejo para mim. Hoje, a palavra "câncer" não é mais sinônimo de morte. Mas ela evoca sua sombra. Para muitos pacientes, como foi para mim, essa sombra é a oportunidade de refletir sobre a própria vida, sobre o que se quer fazer dela. é a oportunidade para começar a viver de maneira a poder olhar pra trás, no dia de nossa morte, com dignidade, com integridade. Que nesse dia se possa dizer adeus com um sentimento de paz."
Em outra passagem, ele fala de um paciente, também médico e acometido por um linfoma, p. 210-212:
"Denis era inteiramente ateu(...) mas descobriu aquilo que chamaria mais tarde de alma. A forma como cada uma de suas escolhas, cada uma de suas ações ao longo da vida, tinham sido impressas para sempre no destino do mundo através de suas repercussões infinitas. Como a borboleta proverbial da teoria do caos, cujo batimento de asas influenciam os furacões da América, Denis tomava consciência da importância de cada pensamento, de cada uma de suas palavras. E ainda dos gestos de amor dirigidos aos outros ou à terra. Ele o via agora todos como a semente de uma colheita eterna. Tinha o sentimento, pela primeira vez, de viver cada instante. De abençoar o céu que lhe acariciava a pele, assim como a água que refrescava sua garganta. O mesmo sol que já tinha dado vida aos dinossauros. A mesma água que eles tinham bebido também. Que havia feito parte de suas células antes de se tornar outra vez nuvens, depois oceanos. "De onde vem essa gratidão, a mim que vou morrer?" E depois também o vento, o vento no seu rosto. "Dentro em breve eu serei o vento, a água e o sol. E principalmente a centelha nos olhos de um homem de quem eu cuidei da mãe ou curei o filho. Então, é isso a minha alma. O que eu fiz de mim, que já vive em toda parte e viverá sempre."
Nos últimos dias, quase nao falava mais. Morreu em um final de tarde. Um de seus amigos lhe massageava os pés. De manhã, sobre a minha mesa, eu achei uma nota do meu assistente: "Denis M.: CDR." Um eufemismo usual no hospital para "cessou de respirar". E eu me perguntei se ele não teria justamente começado."

sábado, 12 de setembro de 2009

Rubem Alves e a Gaiola de Prender Idéias



"Inspiraçao é quando a gente nao sabe de onde a idéia vem."

"O pensamento experimental não deseja persuadir, mas inspirar."

"Gaiola de prender idéias: um caderninho." ... ou um blog!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

La Noche en Blanco 2009

Falta uma semana para a La Noche en Blanco, lembra? Quem não sabe ou não se lembra, pode também ver aqui como foi a "minha" no ano passado. Adorei! Tenho que começar a me programar, procurar uma "canguru" para ficar com meu filho, essas coisas que no Mundo de cá sempre custam, em todos os sentidos. Quem está em Madri e nunca foi, vale a pena conferir, será no dia 19 de setembro. Recomendo!

sábado, 5 de setembro de 2009

Brasil x Argentina

 (Foto do ig.com.br)

É muito bom se classificar para a Copa do Mundo. É muito bom ganhar. Mas melhor, melhor, melhor mesmo é ganhar da Argentina. Brasil 3 x Argentina 1, no jogo de classificação para a Copa. Ah, e o melhor é quando estamos vendo o jogo com dois amigos argentinos em casa, gente finíssima, educadíssimos quando a Argentina fez o gol, apesar dos meus protestos de que ficassem à vontade. Já eu, gritando como louca nas oportunidades brasileiras. Só para esclarecer, aqui são 4h30 e vou dormir com o sabor da vitória. Perguntei a eles se precisavam de algo já que também vão dormir aqui em casa, e um deles me respondeu: - ¿tienes un poquito de alegría? - tentei me conter, mas me ocorreu dizer: - tenho de sobra. Fazer o qué?!

Mapa de los Sonidos de Tokio



No Cine Renoir, um dos poucos de Madri onde se pode ver filmes de excelente qualidade em idioma original, legendado (os filmes aqui são todos dublados para o espanhol, resquício do franquismo), assistimos a um filme lindíssimo, Mapa de los Sonidos de Tokio. Um drama sentimental da diretora catalã Isabel Coixet. Filmado em Tokio e em Barcelona, com personagens protagonizados pelo espanhol Sergi López e a japonesa Rinko Kikuchi, que dá um show de interpretação, o filme é arte pura, muito poético. A solidão das personagens, o choque entre as culturas oriental e ocidental, "os sons" da natureza, das pessoas comendo, tudo tem um apuro estético lindíssimo. A relação entre o "casal" protagonista é no mínimo... silenciosa e... fora dos padrões. Vale a pena conferir.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

O Curió de Juanito – Parte III - A preocupação

Imagem do Mediterrâneo, em Altea

Sei que o curió de Juanito vai "abafar" (ver os dois posts abaixo), mas honestamente, me preocupo em receber BEM meus amigos espanhóis em PE. Amo aquele Estado e tenho todo um “sentido de pertencimento” já falado por mim aqui no post1 e posts 2 e 3 , que quero compartilhar. Eu, com minha veia de marketing, tendo a "vender" tudo que amo, e a imagem que fiz do Recife por aqui é que é assim meio que... pertinho do paraíso. Agora, tenho que impressionar.

Resolvi encarar essa empreitada como se fosse um job, ou seja, um trabalho encomendado à uma agência, onde a primeira coisa a fazer é estudar o perfil do meu cliente e suas necessidades. Vamos lá: a galera daqui, ao menos, a que eu conheço: é super natureba; desportista; bebe "álcoolicas" rotineiramente, porém, pouco; odeia praia cheia, e é meio crítica que se coma em praia por questões ecológicas – só me lembro dos nossos ambulantes aos montes na praia de Boa Viagem –; não curte muito ruído (muito menos de todo tipo de música que toca nos carrinhos ambulantes que vendem CDs e DVDs piratex); está acostumada a andar a pé, sem preocupação; não suporta ar condicionado, Shopping ou qualquer um desses ícones modernosos ou consumistas; suam com qualquer calorzinho; não topam "comida pesada" no verão, época em que viajarão pra Pernambuco; enfim, quando penso em tudo isso, repenso totalmente o roteiro. Devemos ir para: Fernando de Noronha, praia dos Carneiros, Coroa do Avião, Recife Antigo, Maracaípe (no máximo, pois, honestamente, não creio que eles curtam o caos de Porto de Galinhas), o Alto da Sé em Olinda. A minha única despreocupação é que eles são pessoas encantadoras, e sei que valorizarão cada atenção ou carinho demonstrado, coisa abundante na nossa terrinha (calor humano é o que não falta).

Bueno, com todas essas preocupações para que saiam com "A" melhor impressão do Mundo de lá, ouço minha queridíssima amiga espanhola me dizer que, dentre outras coisas, quer conhecer uma...

favela. Pronto, e agora?! “Me lasquei”. Essa galera tem que ir e voltar sã e salva; e não menos importante: “BEM impressionada”.

"- Juanito, vai treinando o curió."

sábado, 22 de agosto de 2009

O Curió de Juanito – Parte II – A motivação

O Curió do flick.com
Tudo isto me pareceu curioso (ver Parte I, abaixo), mas a curiosidade principal que motivou estes posts se deveu a um casal recifense, muito amigo nosso, que veio, com sua doce filha, nos visitar recentemente em Madri. E daí vem a história de Juanito...

Apresentamos o casal de recifenses, Cyntia e Joãozito (chamado aqui carinhosamente de Juanito pelas crianças locais, pois nao sabiam pronunciar seu apodo, apelido brasileiro), a um outro casal de espanhóis muitíssimo amigo nosso. Uma ótima notícia é que estes espanhóis deverão ir conosco para o Brasil, em dezembro.

Bueno, nos divertimos muito juntos por aqui, além dos meus amigos terem sido maravilhosamente recebidos. Estamos todos muito pendientes e ansiosos por recebê-los bem em Recife, e mostrar um pouco da beleza do nosso Estado. Sem falar que Juanito é um personagem a parte, engraçadíssimo e bromista, piadista.

E o Curió com isso?! Vale, vale, estou me prolongando. Vamos lá... estou chegando...

Fomos todos para a casa dos nossos amigos espanhóis que fica em Altea, cidade litorânea, à beira do Mediterrâneo, lindíssima (ver post de abril deste ano), e, enquanto visitávamos o casco antiguo de Altea que é a parte histórica, Juanito expressou o que todos pensamos, mas não havíamos assumido até então: como impressioná-los em Recife, com tudo por aqui tão lindo e bem cuidado?! O mar Mediterrâneo, aquelas casas na montanha, aquela paisagem, enfim... Ele então saiu com esta pérola: “- Eu acho que eu vou apresentar a eles o curió de painho".

Quando me lembro da espontaneidade e da maneira como a frase foi dita, revelando uma total frustração em como encantá-los no Mundo de lá, mesclada com a imagem do curió versus daquela paisagem, me faz ter crise de risos até hoje.

É claro que apesar de ter muita coisa linda em Recife, o caos urbano, o modernismo ou pós-modernismo caótico que marca o crescimento das grandes cidades brasileiras, “poluem” a nossa linda paisagem, sem falar que, se compararmos do ponto de vista de infra-estrutura e cuidado com a coisa púbica, realmente contrasta muito das cidades espanholas. Enfim, o curió talvez seja realmente a nossa salvação.

E finalmente, da motivação à preocupação...

A volta da estrangeira e "O Curió de Juanito – Parte I – A definição"

Voltei ao Blog, e cheia de curiosidades. De repente, me vejo especialmente interessada pelos pássaros. Mais especialmente interessada ainda por um tipo curioso: o pássaro curió. Descobri que tem até uma sociedade amiga dos curiós no Brasil, SAC, que cuida da preservação desses pássaros, promove torneios de canto, e, segundo eles, já existem mais de 128 cantos catalogados, etc., etc. Existem curiós mestres de cantos e tudo o mais. Segundo o site, em Florianópolis, é um pássaro muito popular e já faz parte do folclore do lugar, é um animal de companhia de muitos de ali, inclusive já havendo um registro de patente de um tipo de canto do curió chamado de Canto Estilo Florianópolis, formado por notas graves e agudas.

No site, diz que ele é originário da America do Sul e Central, e parece haver sido abundante na fauna brasileira. Gostava sobretudo de “viver perto da aldeia dos índios” e o site diz que o nome ´“curió” em tupi guarani significa “amigo do homem”´. Também o classifica como um “pássaro elegante”, combativo, que gosta de disputar pelo “território”, e é conhecido pela “enorme qualidade do seu canto”. Tem desaparecido gradativamente e hoje é um animal que precisa ser preservado.

Bueno, mas você deve estar se perguntando por quê "danado" eu resolvi agora falar sobre o curió... Quem é Juanito?! O Que ele tem a ver com a história?!

Aguarde. Mañana te lo diré... "Inté."

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Escrever e as férias

Demorei a gostar de ler. E demorei mais ainda voltar a escrever. Quando criança, era metida à escritora. Dissertação escolar?! Era comigo mesma. As aulas de literatura?! Minhas preferidas. No vestibular, se é que isto quer dizer alguma coisa, “abafei” no tema.

Agora, tem sido a minha terapia. Passei, no entanto, um bom tempo "sem meter a mão na massa". Hoje, percebo tristemente que perdi um pouco o jeito. Gostava mais do que escrevia antes, seja pela minha menor capacidade crítica, seja por que... não sei... pode ser real. Embora, já há muito, percebo que isto não me levará longe, hoje, o principal tem sido “me livrar” do pensamento, escrevo e pronto!, me sinto bem – não sei por quanto tempo, todavía. Na verdade, muitas vezes, não sei o que dizer. Os recursos do youtube, que dão voz a artistas, escritores, músicos, são maravilhosos porque muitas vezes ouço uma música e penso: era o que eu queria dizer...! Por que não pensei nisso antes?! E aí... venho ao blog e publico.

Mas, voltando à história do início ... Refletindo bem, é curioso. Às vezes, a gente leva uma vida para aprender ou descobrir certas coisas. Visitando um museu de Madri com uns amigos, um deles me lembrou de uma frase de Picasso: “- Levei a vida inteira para aprender a pintar como criança.” Além de outra pérola dele: -"Eu não procuro, encontro."

Bueno, esse papo já tá qualquer coisa... mas, bem ou mal, às vezes penso: ´eu já fui uma versão melhor de mim mesma´. Crises existenciais... Afinal, nem só de sol de 40 grados se vive as férias madrileñas.

Sem título

terça-feira, 4 de agosto de 2009

A mulher de 30... e poucos

Aos 30, li "A Mulher de 30" de Balzac e adorei. Apesar de ser mais trágico do que eu imaginava, o livro tem uma capacidade ímpar de descrever "essa" mulher, seus desejos, necessidades e frustrações.

Recentemente, lendo Mario Prata, autor brasileiro que adoro, dei de cara com uma crônica dele de 5 anos atrás. Ele volta ao tema. Talvez pelos meus 36 recém-completados, tenho pensado muito na idade, e apesar de ser uma mulher bem diferente do estereótipo descrito por Mario Prata, para o bem e para o mal (?!), também adoro como ele descreve "essa" mulher. Vamos ao texto de Mario:

"O que mais as espanta é que,
de repente, elas
percebem que já são balzaquianas. Mas poucas balzacas leram
A Mulher de Trinta,
do Honoré de Balzac, escrito há mais de 150 anos. Olhe o
que ele diz:

“Uma mulher de trinta anos tem atrativos
irresistíveis. A
mulher jovem tem muitas ilusões, muita inexperiência. Uma
nos instrui, a outra
quer tudo aprender e acredita ter dito tudo despindo o
vestido. (...) Entre elas
duas há a distância incomensurável que vai do
previsto ao imprevisto, da força à
fraqueza. A mulher de trinta anos
satisfaz tudo, e a jovem, sob pena de não
sê-lo, nada pode satisfazer”.

Madame Bovary,
outra francesa trintona,
era tão maravilhosa que seu criador chegou a dizer
diante dos tribunais:
“Madame Bovary c’ést moi”. E a Marylin Monroe que fez tudo
aquilo entre 30 e 40?

Mas voltemos à nossa mulher de trinta, a
brasileira-tropicana,
aquela que podemos encontrar na frente das escolas pegando
os filhos ou num
balcão de bar bebendo um chope sozinha. Sim, a mulher de trinta
bebe. A mulher de trinta é morena. Quando resolve fazer a besteira de tingir os
cabelos de amarelo-hebe passam, automaticamente a terem 40. E o que mais
encanta nas de trinta é que parecem que nunca vão perder aquele jeitinho que
trouxeram dos 20. Mas, para isso, como elas se preocupam com a barriguinha.

A mulher de trinta está para se separar. Ou já se separou. São raras
as mulheres que passam por esta faixa sem terminar um casamento. Em
compensação, ainda antes dos quarenta elas arrumam o segundo e definitivo.

A grande maioria têm dois filhos. Geralmente um casal. As que ainda
não tiveram filhos se tornam um perigo, quando estão ali pelos 35. Periga
pegarem o primeiro quarentão que encontrarem pela frente. Elas querem casar.

Elas talvez não saibam, mas são as mais bonitas das mulheres. Acho
até que a idade mínima para concurso de miss deveria ser 30 anos. Desfilam
como gazelas, embora eu nunca tenha visto uma (gazela). Sorriem e nos olham
com uns olhos claros. Já notou que elas têm olhos claros? E as que usam uns
cabelos longos e ondulados e ficam a todo momento jogando as melenas para
trás? É de matar.

O problema com esta faixa de idade é achar uma que
não esteja terminando alguma tese ou TCC. E eu pergunto:
existe algo mais excitante do que uma médica de 32 anos, toda de branco, com o
estetoscópio balançando no decote do seu jaleco diante daqueles hirtos seios? E
mulher de trinta guiando jipe? Covardia.

A mulher de trinta ainda não fez plástica. Não precisa. Está com tudo em cima. Ela, ao contrário das de vinte, nunca ficaram. Quando resolvem vão pra valer. Fazem sexo como se fosse a última vez. A mulher de trinta morde, grita, sua como ninguém. Não finge. Mata o homem, tenha ele vinte ou 50. E o hálito, então? É fresco. E os pelinhos nas costas, lá pra baixo, que mais parecem pele de pêssego, como diria o Machado se referindo a Helena que, infelizmente, nunca chegou aos
30?

Mas o que mais me encanta nas mulheres de trinta é a independência. Moram sozinhas e suas casas tem ainda um frescor das de 20 e a maturidade das de 40. Adoram flores e um cachorrinho pequeno. Curtem janelas abertas. Elas sabem escolher um travesseiro. E amam quem querem, a hora que querem e onde querem. E o mais importante: do jeito que desejam.

São fortes as mulheres de trinta. E não têm pressa pra nada. Sabem
onde vão chegar. E sempre chegam.
Chegam lá atrás, no Balzac: “a mulher de trin
ta anos satisfaz tudo”."

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Também sou filha de Deus

Vou para o litoral, que também sou filha de Deus. Aproveitando essas férias de verão no mundo de cá, deixo o blog alguns dias ao som de Shakira e me mando pra Comunidade Valenciana, dar uma espiada (e mergulhada), no Mediterrâneo. Hasta luego, entonces.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Meu niver, cumple, birthday...



Hoje é meu aniversário. Aos 36 anos, regredi total! Para comemorá-lo, fui ao Parque de Atrações de Madri, nosso parque de diversões. Divertidíssimo!!!!! Há quanto tempo não tinha subido numa roda gigante ou numa montanha russa! Sem falar dos brinquedos mais do que radicais que existem hoje em dia! Na verdade, gosto mais dos simplesinhos, aqueles me fazem lembrar da minha infância.
A propósito, as crianças convidadas, meu filho, filhos de amigos, etc., me disseram que foi o aniversário de adulto mais animado que já estiveram. :) Não poderia ser diferente. Nada como comemorar a idade de uma niña (criança) com outros niños. Você deve estar se perguntando: e o flamenco com isso? É que eu também adoro e... bueno, no aniversário da gente acho que se pode misturar alhos com bugalhos...
Enquanto não descarrego as fotos do dia, finalizo o meu cumple agora com um pouquinho de Sara Baras AAHHHHHH!!!

Viva, vivíssima

By José Saramago


"Intento ser, à minha maneira, um estóico prático, mas a indiferença como condição de felicidade nunca teve lugar na minha vida, e se é certo que procuro obstinadamente o sossego do espírito, certo é também que não me libertei nem pretendo libertar-me das paixões. Trato de habituar-me sem excessivo dramatismo à ideia de que o corpo não só é finível, como de certo modo é já, em cada momento, finito. Que importância tem isso, porém, se cada gesto, cada palavra, cada emoção são capazes de negar, também em cada momento, essa finitude? Em verdade, sinto-me vivo, vivíssimo, quando, por uma razão ou por outra, tenho de falar da morte…"

En español
"Intento ser, a mi manera, un estoico práctico, pero la indiferencia como condición de la felicidad nunca ha tenido lugar en mi vida, y si es cierto que busco obstinadamente el sosiego de espíritu, cierto es también que no me he liberado ni pretendo liberarme de las pasiones. Trato de habituarme sin excesivo dramatismo a la idea de que el cuerpo no solo es finible, sino que de cierto modo es ya, en cada momento, finito. ¿Qué importancia puede tener eso, si cada gesto, cada palabra, cada emoción son capaces de negar, también en cada momento, esa finitud? Verdaderamente me siento vivo, vivísimo, cuando, por una razón u otra, tengo que hablar de la muerte…"

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Estrangeirice

Amanhã volto a Madri. Está tudo muito bom, está tudo muito bem (bueno, nem tão bom, nem tão bem assim), mas realmente preciso retomar minha vida.
Cheguei à conclusão, nem triste nem feliz, de que aqui também sou (ou estou?!) uma estrangeira. Nunca imaginei que essa definição fosse caber tão bem nos dois mundos.

Em terras brasileiras, só pra começar: não tenho mais casa, carro, celular, trabalho... tudo é dos outros ou compartilhado com outros. Além disso, a desinformação sobre uma série de novas coisas e tendências, próprias da terrinha, é latente. As relações adquirem novas nuances, enfim... Sem falar que, desta vez, não tive uma agenda própria, mas tive que resolver uma série de pendências familiares.

Ainda assim, me sinto feliz de ter podido estar por perto, a presença física diminui a culpa pela ausência e principalmente a saudade.

Já falei aqui que não me sinto uma cidadã do mundo, e do quanto sinto falta de tudo e de todos... essas idas e vindas me revigoram. Assim, vivo minha estrangeirice de forma mais tranqüila e esperançosa nos dois mundos.

Que "venha" então Madri, e que a saudade agüente por mais um semestre. Aos daqui, até à volta..., ou seria... até a ida?, até a chegada?!, até a partida?! difícil dizer...

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Ao meu "toureiro"

10 ANOS DE CASADA COM "MEU TOUREIRO" (plageando Anlene pelo "toureiro"). Ele no Mundo de cá, eu no de lá. Por pouco tempo, se Deus quiser.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Sem saber


Não sei. Sei ainda menos da sabedoria sabida. Assim que, sabendo-me sabiamente não sabida, nada sei do que sabidamente se sabe. Sabe-se que, em não se sabendo de nada, sabe-se menos ainda da sabedoria e de tudo o mais. Entendeu?!

sexta-feira, 19 de junho de 2009

El Verano



Vem chegando o verão (ou já chegou), como anunciou Glenda. Anlene e Flávia gustcharan e eu também, Javi protesta do calor em comentário, Chris nem se deu conta porque no Mundo de lá é inverno (além de oouuutras coisas), e Gi anda filosofando sobre outros "babados". Mesmo que a blogosfera tenha lá suas distintas visões sobre este e outros temas, me manifesto a favor do... CALOR!!!!! O verão é um regresso. É um “estado” que não me molesta. Quando é inverno, percebo a mínima brisa gelada que parece que vai atravessar os meus ossos e que me hará algun daño, estou sempre me lamentando por que não coloquei aquela bota, aquelas duas meias a mais, o outro abrigo, a bufanda mais grossa, enfim, não tem jeito, o frio ocupa muito os meus pensamentos e mina minhas energias. Ainda assim, reconheço que o verão em Madri é escaldante, diferente do de Recife (só um exemplo). O verão também traz um calor de outro tipo, aquele “calor no coração” tão cantado por Marina Lima. Poder sair livremente sem meias, botas, abrigos, quando não, luva e outros apetrechos, pôr um belo sorriso e exibir o bronzeado, conviver com mais ruído e mais alegria, tudo isso não tem preço. Apesar das reclamações constantes do calor, em geral, as pessoas são mais sorridentes, mais convidativas ao encontro social e mais sedutoras. Todo e qualquer incômodo pode ser saciado ou olvidado, por uma cerveja estupidamente gelada ou um bom tinto de verão. "Ele" combina com tudo: com ousadia, com música, com festa, com colorido, com leveza. O astral, as piscinas abertas e a alegria das crianças que rompem o silêncio das urbanizações... ih! acho que estou me repetindo, por que será? Adoro o verão. Melhor ainda quando se tem praia; e se tem samba?!, "vishe!" nem se fala! Bueno, pensando bem, melhor mesmo é ir pro Brasil, mesmo que ali seja...

inverno.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Brasil x Egito

Foto: El País

O Brasil ganha do Egito por 4 x 3 no seu jogo de estréia pela Copa das Confederações, mas não convence. O fato de não convencer não dá margens que se diga que o Egito foi muito superior como sugere o site do El País. Não é verdade. No segundo tempo, o Egito dominou, no primeiro, o fez o Brasil. Claro que se espera muito mais de um time que é pentacampeão do mundo, de uma equipe com nomes como Kaká y Robinho. É natural que se torça por uma equipe com menos fama e expressividade. É mais natural ainda que em sendo Espanha proclamada a grande favorita ao título de 2009, e de fato vem apresentando um futebol estupendo, haja uma tendência a desmoralizar aqueles que têm mais tradição e títulos. Mas muita bola ainda vai rolar e, embora eu torça para que a Espanha se destaque nesse Campeonato, não se deve cantar vitória antes do tempo. Ontem, vi um telejornal onde um jornalista perguntava ao técnico da França se a Espanha era o melhor time do mundo da atualidade. E ele foi muito sábio ao dizer que não, que é o melhor time da Europa, mas até que haja uma nova Copa do Mundo, o campeão mundial ainda é Itália. Estou totalmente de acordo.

domingo, 14 de junho de 2009

"Mientras" ou: Enquanto isso, na sala de justiça



"Mientras" estava eu aqui, meio muda e dispersa, perdida em meu labor diário de estudante “liada” : um avião cai na costa brasileira; um homem imigrante sem papéis perde um braço enquanto trabalhava clandestino para conseguir o pão de cada dia em Espanha; o pão vira corpo e o vinho, sangue, como ocorre habitualmente nas missas católicas, mas só em Corpus Christi o rito é reverenciado como merece; lamentavelmente, os “de esquerda” não vão às urnas e a ala mais conservadora toma conta do parlamento europeu, eleita por uma minoria direitista, mas atuante e mais comprometida com o ato de votar; ativistas saem às ruas, desnudos, montados em bicicletas para protestar contra a poluição e pedir mais vias alternativas para bicis, e estimular o uso de transporte público como meio de locomoção prioritário; o Barça dá outro show de bola em Roma e ganha o campeonato de maneira brilhante; o Real Madrid contrata Kaká (“o beato”, segundo a imprensa espanhola) e Cristiano Ronaldo (português, "a ovelha desgarrada"), por valores astronômicos, apesar da crise e de toda polêmica sobre o absurdo de tais cifras; Espanha ganha o primeiro jogo da Copa das Confederações em África do Sul, por 5x0 contra a Nova Zelândia; Nadal perde em Roland Garros; o verão chega “pra torar” em Madri, num calor de 38 graus; se aproximam as férias de verão e as crianças amargarão 3 meses sem aula, tempo absurdo para elas e para os pobres pais que não sabem o que fazer com tanta energia dentro de casa, sobretudo para os que trabalham fora; a lei de legalização do aborto é recorrente nos noticiários, só sendo páreo em polêmica para o tema do desemprego em Espanha, esta, atolada em crise como os pobres touros desnorteados na Plaza de Touros de Las Ventas e em outras tantas de Espanha ("se ficar, o homem pega, se correr, o homem come"). Isso é um pouco de Espanha nas últimas semanas. E eu aqui, espectadora dos noticiários, correndo desesperada atrás de boas notas... Volto ao meu mundinho de cá, tentando matar um leão por dia para não ser "suspendida". Cada um com sua cruz. E assim caminha a humanidade, individualista, centrada nos seus próprios problemas e desconectada com o que de fato é importante. Aproveito para plagear meu sobrinho, já filósofo aos 3 aninhos, que ilustra nossa comédia da vida privada: "beber, cair, levantar, madrinha".

quarta-feira, 20 de maio de 2009

A históra das coisas

Se você conseguir dedicar alguns minutos do seu tempo para ver esse vídeo, é porque ainda há esperança.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Buenos días o Bom Dia o Good Morning



"Quando acordar, bom dia (...) Deixe que o dia siga "teus" planos."

sábado, 16 de maio de 2009

Gata madrileña y San Isidro











Ontem foi feriado por aqui, dia de San Isidro, padroeiro de Madri. Apesar de todas as ótimas indicações que vimos no “On Madrid” do El País, no “Todo Madrid” y no “Es Madrid no Madriz”, resolvemos sair sem planos para La Latina e ver o que rolava. É um bairro que adoro, uma galera descolada, point de todas as tribos, com bares maravilhosos e muita gente na rua. Em um deles tinha uma bandeira do Brasil, em outro, marca da BrahmaChopp, em outro, música de Gilberto Gil tocando, e assim as referências brasileiras me acompanham no Mundo de cá. Passamos um bom tempo nos bares da Calle Cava Baja. Fomos de ônibus e metrô para podermos ficar também mais à vontade para beber (alcohol). Adoro andar de transporte público por aqui, é uma tranqüilidade. O que me incomoda muito ainda é o fumo nos bares, há uma tolerância social enorme quanto ao tema, e o praxe é fumar e permitir que se fume. Além do mais, tenho rinite alérgica e para mim é fatal, pero ñ tem jeito, hay que se acostumbrar. Como há muitas terrazas, mesas nas calçadas e muita movimentação a céu aberto, deu pra respirar entre um bar e outro. Aliás, faz um tempo fenomenal, nem muito quente nem muito frio, agradabilíssimo. Os bares e as ruas da La Latina estavam especialmente cheios. No fim da noite, demos um rolé na Plaza Mayor, onde estava havendo uma apresentação ao ar livre. Mas o melhor da noite foi no Bar El Madroño, alguns senhores y senhoras vestidos a caráter, cantando, sem acompanhamento, músicas espanholas típicas do festivo. Lembrei-me das farras nos mercados do Recife, dos ensaios dos blocos que cantam frevo-canção, aqueles senhores(as) do Bloco da Saudade, cantando e dançando fantasiados. Aliás, tinha muita gente fantasiada, com roupas típicas madrileñas, especialmente os mais velhos e muitas crianças. A cultura de um povo é algo bonito de se ver e importante de se preservar. Ontem, me sentí quase uma "local". Deixei um pouco minha estrangeirice de lado, e saí de copas, a la “gata madrileña”, de bar em bar. Foi divertidíssimo. No próximo San Isidro, se ainda estiver por essas bandas, irei fantasiada... É. Pode ser. Quem sabe?!

quinta-feira, 7 de maio de 2009

O Barça foi fenomenal

Que vitória massa! Para que não restem dúvidas, sou Real Madrid, mas uma vez que ele não está na jogada, nem o Brasil, obviamente, sou Espanha. E foi emocionante a partida. GGGGGGGGGGGGGGGOOOOOOOOOOOOOOOLLLLLLLLLLLLLAAAAAAAAAAAAAAÇÇÇÇÇÇÇÇÇÇÇÇOOOOO.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

De Forró a Bossa Nova

Vi no blog de anlene o video de Marcos Vale e BossaCucaNova e adorei. Compartilho também aqui com vocês. Aliás, já está confirmada minha BossaTapNova para fim de junho para Recife, e embora Marcos Vale e CucaNova nunca pintem por lá, a bossa será forró, chegarei justo na tarde de São João. Creio que a galera tá meio feliz e triste com a data, afinal, no dia 23, "alguém", pai, mãe, irmã ou lo que sea tem que estar no aeroporto ao invés de estar (com seus abrigos) no "frio" de inverno de 20 graus de Caruaru, Gravatá ou Campina Grande, pulando fogueira, tomando pinga, ou comendo pamonha (ou bolo de milho, milho assado, pé-de-moleque e outras guloseimas juninas). A festa de São João é maravilhosa no Nordeste do Brasil, muitos a preferem ao carnaval. Cresci ouvindo sanfona e cordel, minha avó paterna tinha mania de responder à gente em verso. Minha avó materna (pra não provocar ciúme lá no céu), tinha Lampião como ídolo, e, honestamente, acho que tinha uma frustração danada de não ter virado a "Maria Bonita" da história.

Eu adorava vestir minha roupa de matuta, ver soltarem balão e pularem fogueira, com medo de à noite fazer xixi na cama, uma das crendices populares. Também fiz algumas simpatias pra Santo Antônio pra saber com quem ia me casar e, por casualidade ou não, deu "D" umas 3 vezes, primeira letra do meu Distinto marido, me revoltei porque na época era gamada por um carinha da escola que se chamava Ricardo, por isso insisti em repetir a simpatia.

Essas lembranças enchem meu coração de saudade. Tive uma infância feliz e muito rica culturalmente falando. A poesia popular, Luiz Gonzaga, as rezas e plantas medicinais das avós que curavam de catapora a gripe porcina, a aproximação com os primos, que não são poucos, deixaram boas lembranças, talvez por isto insisto em continuar me relacionando com eles, pelo menos com aqueles que não foram atraídos "pelo lado negro da força", plageando Star Wars. Embora sempre insisto que nasci e vivi na "capitá", em Recife, as idas ao interior de Pernambuco foram mais importantes na minha formação infantil. Hoje, infelizmente, só tenho ido lá pra enterro, o que é uma pena! Havia comentado, janeiro passado, com alguns primos que gostaria de voltar a Afogados da Ingazeira (esse é nome do interior dos meus pais), com eles em julho. Me olharam meio de banda, meio incrédulos, como quem diz: - só pode ser coisa de estrangeira.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Grandes artistas


Barcelona foi palco de movimentos arquitetônicos, culturais, literários e artísticos importantes. Alguns artistas que fizeram história e marcaram a cidade foram:

- Gaudí, arquiteto enigmático, considerado um gênio. Lutou por uma concepção biológica do universo. Aficcionado pela natureza, avançou desde a arquitetura tradicional a novas estruturas arquitetônicas que lembravam a biologia, os seres naturais. A forma da Sagrada Família lembra uma medusa, como várias de suas obras tiveram inspiração em seres marinhos ou da fauna e flora mediterrânea. Sua obra está impregnada de associações com o mundo natural. Combinava tradicionalismo e modernismo e era um amante do Mediterrâneo. É um ícone de Barcelona e sua obra está por toda a cidade. Faleceu fruto de um acidente automobilístico e não terminou a obra que abraçou de forma mais apaixonada que foi a construção da Sagrada Família.

- Joan Miró, pintor, escultor, e ceramista español considerado um dos máximos representantes do surrealismo español. Na década de 30, Miró manifestou seu desejo de abandonar os métodos convencionais de pintura. Um dos seus grandes projetos foi a Fundación Joan Miró, situada em Barcelona, um centro cultural e artístico para difundir as novas tendências da arte contemporánea.

- Salvador Dalí também um pintor surrealista español, nascido em Figueras, Cataluña. Também foi um excelente desenhista. Uma da suas obras mais conhecidas é "La persistencia de la memoria", de 1931. Los recursos plásticos utilizados por ele incluíram o cinema, a escultura e a fotografía. Era considerado megalomaníaco e narcísico, adorava o dourado e tem forte influência da dominação árabe da península ibérica nas suas obras .

- Picasso, nascido em Málaga em 1881, pintor e escultor español, criador do movimento cubista e um dos maiores artistas do século XX. Pintou mais de duas mil obras. Estudante brilhante, ingressou na Escola de Bellas Artes de Barcelona aos 14 anos.

Uma ótima descoberta, nem tão recente pra mim, é que João Cabral de Melo Neto, nascido em 1920 em Recife, já citado algumas vezes por mim neste blog, foi poeta e diplomata brasileiro em Barcelona. Sua obra poética foi reconhecida por prêmios como o Premio Camões (o mais importante da literatura portuguesa) em 1990, Neustadt International Prize for Literature em 1992, e o Premio Reina Sofía de Poesía Iberoamericana en 1994. Dos inúmeros países em que esteve como diplomata, tinha um especial afeto pela España. Tinha estreita relação com Joan Miró e com o poeta Joan Brossa.

Tudo isso é um pouco de Barcelona e da Espanha. Temos ótimos trabalhos de Picasso, Joan Miró, Salvador Dali também em Madri, especialmente no Reina Sofia. Vale a pena conferir.

Barcelona



Depois de um ano em Madri, finalmente fui visitar Barcelona. Foi uma visita curta, mas maravilhosa, com sabor de quero mais. Fui com minha irmã, cunhado, papagaio, cachorro, etc., e aterrissamos na casa de uma amiga minha e uma prima do meu marido, nos dividimos entre as duas casas, que nos acolheram maravilhosamente.

Lista de interesses por lá:
Park Güell * Sagrada Família * Casa Milá “La Pedrera” * Casa Batló * Palau Güell
Casa Vicens * Cripta Colónia Güell * Palau de la Música Catalana * Hospital de Sant Pau
La Rambla * Mirador de Colom * Mercado de la Boqueria * Bairro Gótico
La Barceloneta * Par de la Ciudadella * Parc de Montjuic, Fundació Miró, el Museu d'Arqueologia, l'Etnològic Museu nacional de arte de Cataluñia MNAC * Museu del futbol club Barcelona
Museu Picasso * Jardim Botânico * Caixa Fórum


Quanto disto foi cumprido? 10%, em apenas 4 dias. Ou seja, preciso voltar.

Barcelona tem uma aura distinta de Madri. Me pareceu mais cosmopolita, mais moderna, uma cidade com cheiro de século XXI. Madri também exala uma mistura de civilizações, povos e momentos históricos, mas o antigo e o moderno convivem mais a céu aberto, já Barcelona é uma "mirada ao futuro". Hoje me sinto mais identificada com Madri, talvez porque também já criei laços com a cidade e com o modo de vida daqui, apesar de ter tanta saudade do mar. Como adoro história, folclore, as raízes culturais espanholas me pareceram mais vivas em Madri. Na verdade, são dois mundos distintos em um mesmo país. Mas Barcelona me pareceu lindíssima, encantadora. Tem o glamour da modernidade e uma aura de "mundana" combinada com um astral contagiante. A Espanha é de fato um lugar muito peculiar, com muitos encantos e muito por descobrir.