quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Meditações de um Notívago II



Finalmente, recebi outra carta-email do meu pai. A transcrevo de novo na íntegra, na tentativa (vã?!) de fazê-lo um pouco mais presente no Mundo de cá. A ver, a lo mejor, a leer...

"Ser estrangeira, dispor de tempo para usufruir a estrangeirice, sem saudade, deve ser muito triste. Porém, se se sente saudade: confrange-se o coração, vem um torpor, uma letargia, como num fim de tarde fria; nos resta opor-lhe a esperança para conter este coração em pedaços. Voltamos a nos tranqüilizar, pois a custo sempre vencemos este estado de espírito. A vida volta à rotina, a saudade se renova, pois ela sempre deverá existir, pois quando saciamos a ausência com a presença do bem desejado, passando de um desejo potencial ao ato, se não pudéssemos renová-lo, seria a morte em vida. Quê a saudade seja cultuada para a nossa essência de vida e não para "morrer de tristeza", como disse um poeta. Louvemos a saudade como devemos louvar o amor: pois se este nasce e morre todo dia, para o deleite da espécie, é uma necessidade natural.. A estrangeira é romântica e sabe tirar da distância os frutos que ela oferece: saudade imensa. Um abraço e beijo para todos.
Aqui lembro algo que já li: Um disse: “Recordar é viver” e o outro respondeu: "Recordar não é viver porque é sentir saudade. E sentir saudade é morrer de tristeza."

Receba as meditações como idéias de um notívago. Porém, não vejo a hora de estarmos juntos e mandarmos a saudade pousar em outro lugar, pois juntos não estaremos precisando dela. Estará ela, saudade, como um chapéu pronto para quem dela precise, e longe de nós."

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Vanessa da Mata em Madrid




Vanessa da Mata em Madrid, hoje, Círculo de Bellas Artes, Talento Brasil, 21h30. Click no título e aqui http://www.talentobrasil.net/site/programacao e saiba mais.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Happy




Fomos assistir a Happy, um filme inglés muito legal, recomendado pelo meu professor de Espanhol. Recomendo a vocês também. É daqueles filmes simples, que entretem e nos deixam com a sensação de que a vida é bela e de que a felicidade até existe. Meio piegas a frase, reconheço. Mas o filme é de uma simplicidade, pureza e... o que mais dizer?! É um filme happy, ou melhor, é sobre alguém que enxerga as coisas de forma bastante diferenciada dos demais! A um certo momento pensei que o filme fosse uma apologia à negação, mas não é! Bem, vejam vocês e tirem suas próprias conclusões. Imperdíveis as cenas com o professor da auto-escola...

Pois bem. Este post no entanto não é sobre o filme, mas sobre o antes e o depois do filme. Fui assistí-lo com duas brasileiras que estão passando um tempinho aqui em Madri. Pois bem, chegamos 40 minutos antes do filme começar, e pedimos algo para comer num bar perto. Eu pedi um spagetti a bolonhesa para mim, e as outras duas, pediram coisa mais leve. Claro que o meu foi o que mais demorou. Uma delas foi comprar as entradas e nos esperar na porta do cinema para que não perdêssemos a seção. Após eu insistir com o garçon que estava demorando, que tinha um filme pra assistir, etc. e tal, o meu prato finalmente chegou, porém, apenas cinco minutos antes da seção começar (talvez eu tenha realmente sido muito otimista - ou gulosa - ao imaginar que me daria tempo de comer). Bueno, voltando. Agradeci e disse que não poderia comer o spagetti, pois a seção já ia começar. Honestamente, eu estava happy!, não estava aborrecida, nem com raiva, nem tão faminta assim. Lamentei ter que perder meus tão "suados" euros, mas fazer o quê?!, a lo mejor, haveria de perder um pouquinho de peso, poupando-me da gulodice. Bem, tudo tem seu lado positivo.

Mas o curioso não foi nada disso. O spagetti trazido era ao molho branco. Claro que não deixei de registrar o fato. Falei para o garçon que não comeria por falta de tempo, mas, a bem da verdade, o prato pedido não tinha sido aquele. Surpresa fiquei eu, no entanto, quando o distinto garçon olhou bem nos meus olhos e disse: - este espaguete É a bolonhesa! – Sorri. No lo podía crer. Realmente eu estava num momento happy. Esperava de tudo. Que ele dissesse que eu tivesse pedido com molho branco, que ele tinha entendido errado, que veria na cozinha o que havia ocorrido, mas nunca me ocorreu que ele fosse teimar comigo que AQUILO era bolonhesa!. Creio que você deve compreender o absurdo. Em qualquer lugar do mundo, bolonhesa É bolonhesa: tem um pouco de carne, é um pouco avermelhado, etc. Como poderia ser totalmente branco, sem carne, enfim, nada parecido!

A surpresa no entanto parece que foi dupla, minha com a cara de pau dele, e dele com a minha tranqüilidade, ou complacência ou resignação, como queira classificar. Paguei calmamente a conta, sorrindo, não sarcástica, não comi o bendito espaguete, pois não dava tempo mesmo, e quando estava de saída do bar, o garçon me disse (com pena): - quando acabar o filme, volte aqui que esquento pra senhora! Era o mínimo que ele poderia fazer, mas, em se tratando do mundo de cá, uma raridade, acreditem! Dito e feito, acabou o filme, voltamos as três. Pedi para ele esquentar o tal espaguete "a bolonhesa", sem discussões, e de repente me vem o SPAGUETE A BOLONHESA DE VERDADE, ou seja, ele não trouxe o espaguete ao molho branco. Me pediu desculpas e corrigiu o erro. Mais happy ainda fiquei eu. Fechei meu gestalt. Pena é que o spaguetti estava com um sabor no mínimo irreconhecível. Bem, nem tudo é perfeito. Mas como era uma tarde HAPPY, saboreei o final feliz, com todo gosto.

domingo, 9 de novembro de 2008

Estou em casa

A mim sempre me pareceu estranho o desapego do Mundo de cá ao trabalho, não digo ao dinheiro em si, mas ao trabalho mesmo. Não resta a menor dúvida de que nós, do Mundo de lá, somos um pouco escravos dele, temos muito conscientes os valores americanos de que devemos prestar um serviço da melhor qualidade custe o que custar, de que “exemplo de dignidade” é sair muito cedo, se matar de trabalhar e voltar para casa com a sensação do dever cumprido, “o trabalho dignifica o homem”. Pois bem, salvando-se algumas exceções, a visão geral aqui é que somos pobres coitados ali. E somos mesmo. O espanhol não se expõe a certos trabalhos, sobretudo aos mecânicos e braçais, os evita claramente. Em números de horas pode até ser que equivala, do ponto de vista legal, mas produtividade, profissionalismo não são levados muito a sério. Toda generalização é meio burra, é verdade, e vou recair nela para expor meu ponto de vista, mas seguramente sinto que os princípios de modernidade comercial são encarados de forma muito relativa no Mundo de cá. Vejamos. Após as férias de verão, que são tiradas generalizadamente, até o padre na missa comentou sobre a depressão pós-férias que se deu conta quando desceu do avião ao voltar da praia. Aliás, depressão pós-férias é algo comentado em todos os jornais locais El País, El Mundo, ABC, Público. É impressionante. Impressionante mesmo foi quando meu marido precisava comprar um presente de casamento e, depois de muito sacrifício, conseguiu chegar 5 minutos antes da loja fechar. O distinto cavalheiro, dono da birosca, disse-lhe que não poderia lhe atender porque não lhe daria tempo, fazer tudo em 5 minutos (pasmem!). E era o dono. O mesmo aconteceu comigo ao tentar cortar o cabelo aqui perto e chegar 10 minutos antes da Peluqueria fechar....! “Lo siento, está muito perto de fechar e não poderemos lhe atender. Volte amanhã.” Increíble. Comecei uma reflexão: minhas coisas do Brasil tardaram 7 meses a chegar, meu interfone não funciona desde que cheguei pois vez ou outra vem alguém dizendo que não há problema com ele, o problema é que não colocamos ele corretamente no gancho. Passei um mês para conseguir colocar meu filho numa escola. Comprei um carro usado que necessita de uma chave de segurança para trocar o pneu (que na hora da compra, não percebemos que não estava nele), e até agora espero a danada da chave. E ainda falamos dos nossos baianos! Tinha uma moça que vinha passar ferro nas roupas aqui em casa, e certo dia pedi para que ela comprasse cebola no supermercado ao lado. Ela me respondeu: Lo siento, mas está chovendo! Eu fiquei pasma, mas ao invés de discutir, preferi que ela permanecesse passando a minha roupa assim mesmo... melhor ela do que eu, prefiro ficar sem cebola. As inúmeras vezes que fui à universidade em busca de informações e voltei de mãos abanando... enfim! Exemplos do tipo, temos centenas, é que a maldita aculturação vai permitindo que não nos surpreendamos mais com nada. Estava lendo Sérgio Buarque de Holanda e já percebi que citarei ele bastante por aqui. Ele disse:

"Um fato que não se pode deixar de tomar em consideração no exame da psicologia desses povos é a invencível repulsa que sempre lhes inspirou toda moral fundada no culto ao trabalho. (...) a ação sobre as coisas, sobre o universo material, implica submissão a um objeto exterior, aceitação de uma lei estranha ao indivíduo. Ela não é exigida por Deus, nada acrescenta à sua glória e não aumenta nossa própria dignidade.(...) É compreensível assim que jamais se tenha naturalizado entre gente hispânica a moderna religião do trabalho e o apreço à atividade utilitária. Uma digna ociosidade sempre pareceu mais excelente, e até mais nobililante, a um bom português, ou a um espanhol, do que a luta insana pelo pão de cada dia. O que ambos admiram como ideal é uma vida de grande senhor, exclusiva de qualquer esforço, de qualquer preocupação. (...) O que entre eles predomina é a concepção antiga de que o ócio importa mais que o negócio e de que a atividade produtora é, em si, menos valiosa que a contemplação e o amor.

Partindo desse ponto de vista, não sou mais estrangeira, estou em casa. UFA! Já não era sem tempo.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Três

Por uma noite mais feliz

















Estupendo! Sem palavras. Lindo o show de Calca rhotto :) A platéia, cheia, os gritinhos típicos dos nossos shows, muita gente eufórica, emocionada. Eu não sabia se pedia licença em portugués ou em espanhol, de tanto brasileiro presente. Nas últimas 5 músicas, uma galera dançando ao lado das cadeiras, totalmente incontrolável, feliz. Fiquei muito orgulhosa da nossa espontaneidade, e lodo depois, envergonhada por não ter tido coragem de me unir ao grupo (uma verdadeira estrangeira). Alguns espanhóis gritavam "muy rico" (podiam ser brasileiros hablando em español, não sei). No teatro, um pedacinho do Brasil, dadas as feições, o atraso de 20 minutos no início do espetáculo, o público falante, comunicando-se vez ou outra com a cantora, pedindo músicas, o que ela respondia muito educadamente. Dado momento, alguém gritou Inverno, referência à linda música, e Adriana responde que não estava planejado, mas deixa o suspense. Falava frases curtas em español, com o nosso típico sotaque, mas perfeitamente compreensíveis, e quando ia falar da primeira música composta com Arnaldo Antunes, diz que falará em portugués pois seria uma história meio longa e nos pouparia do seu portunhol. Acaba por resumir a história. Sua voz saía trêmula, meio nervosa, isto APENAS quando NÃO estava cantando, o que me fez presumir que deveria ser uma noite importante para ela (acho). Cantou muitos antigos sucessos, além das lindíssimas músicas do novo show Maré, maravilhosamente arregladas/arranjadas. O teatro: lindíssimo, grande, do século XIX, um Santa Isabel (perdoem minha ignorância arquitetônica, mas ñ posso explicar mais que isso). Assim que entramos havia um pequeno balcão vendendo champanhe, vinho, e outras bebidas alcóolicas, e todos podíamos levar para dentro do teatro desde que em copos de plástico. Bem, não sei como terminar este post. Acho que não quero terminá-lo. Bom mesmo seria poder prolongá-lo indefinidamente, e prolongá-lo prolongá-lo prolongá-l prolongá- prolongá prolong...


terça-feira, 4 de novembro de 2008

Cássia. Sempre Ela




Nando. Sempre Ele. Temos ainda a graça da sua companhia aqui na terra. Já Ela, deve estar cantando para os anjos, agora.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

A preferida do meu filho

Adriana Calca "rhotto" en Madrid



Não vejo a hora de ir ao show de Adriana Calcanhotto, amanhã, aqui em Madri. Quando fomos comprar o ingresso, não podemos deixar de gargalhar com a maneira como a chamam: "calca rhoto" (ou seja, ñ pronunciam o nh). A gargalhada póstuma à informação da compra-regalo, foi minha vingança depois de ser alvo dos tantos "¿como como?" que ouço diariamente quando não entendem quando eu falo meu portunhol. Nada como estar em casa.

Já falei neste blog o quanto nossa musicalidade e cultura são conhecidos e prestigiados por aqui. Bueno, ouvir uma boa música brasileira, ao vivo e a cores, ouvir nosso português, poder presenciar o show (e me orgulhar) de uma das maiores cantoras/compositoras dessa "nova" geração, ouvir um bom violão tocado maestralmente... é tudo!!!! Não vejo a hora. Depois do meu grande ídolo Cássia Eller, sempre fui fã de Adriana (dela e de outras tantas cantoras como Maria Betânia, Marisa Monte, Elis). Además, Madri está repleta de atrações brasileiras (ver links abaixo). Em outubro, por ocasião do Dia da Hispanidade, e do prêmio Dom Quijote de La Mancha concedido a Lula, deram o ar de sua graça Zezé de Camargo e Luciano, Daniela Mercury e Chico Buarque. Agora em novembro, Adriana, Vanessa da Mata, Edu Lobo são alguns dos que estarão no Mundo de cá. Não poderei ter o prazer de ver a todos, mas o de amanhã já está garantido. Depois conto como foi... A ver.

http://movidabrasilena.blogspot.com/2008/10/homenaje-chico-buarque-en-madrid.html

http://lacomunidad.elpais.com/movida-brasilena/2008/10/21/vanessa-da-mata-actuara-madrid-noviembre

http://lacomunidad.elpais.com/movida-brasilena/2008/10/18/roberto-carlos-hara-concierto-el-bernabeu-madrid

http://movidabrasilena.blogspot.com/2008/10/festival-de-jazz-y-cine-brasileo-en.html

http://movidabrasilena.blogspot.com/2008/10/ruy-castro-visita-el-circulo-de-bellas.html

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Inquietude



Talvez dê pra perceber que estou um pouco inquieta. Quem acessa com freqüência, deve ter percebido que nas últimas semanas o blog tem adquirido cores, imagens e tons diferentes. Tudo ao contrário do que estudei sobre marcas. Essa é a grande vantagem de se ter um blog pessoal, você imprime a cor que quiser, de acordo com o seu bom (ou mau) humor, sem ter que dar satisfações. Bem... claro que me preocupo em dar satisfações, senão não estaria postando esta. É que não tem graça ter um blog que ninguém se interesse em ler, e sei que não tenho ajudado muito ao meu leitor, que deve se surpreender positiva (e negativamente) a cada novo acesso, nesses últimos tempos. Perdona. A ver se esse lay-out me agrada amanhã. Senão, já saberás...

sábado, 25 de outubro de 2008

Em boa companhia

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Vinicius sempre viveu em muito boa companhia. E realmente, amigos são bienvenidos SEMPRE. Após tantos meses de solidão (ou semi), finalmente alguns amigos brasileiros estão vindo nos visitar. Interessante é que parece que resolveram vir em escala, vão uns, chegam outros. Ótima oportunidade para compartilhar experiências, revisitar Madri, conhecer alguns lugares até então ignorados, e passar um bom tempo papeando, bebericando, e nos divertindo. Realmente, com boas companhias, temos tido agradáveis momentos. Como dizem os espanhóis, estamos pasando muy bien. Meu filho, de 6 anos, tem reclamado um pouco já que a atenção a ele diminuiu consideravelmente, o que é natural. Tanto que ontem saiu com essa: "- Mamãe, eu não vou agüentar essa situação por muito tempo!", me deixando sem fala, como muitas outras vezes.

Bueno, dentre algumas coisas comuns a todos nós brasileiros, que vimos à Europa, chama sempre atenção: a conservação das vias públicas, a acessibilidade de quase TUDO - que inclui as pessoas com necessidades especiais, os monumentos sempre tão bem cuidados, o paisagismo ídem (segundo um amigo, "parece que todo dia tem um jardineiro retocando"), o transporte público de excelente qualidade, a segurança, a desigualdade social muito menor a olhos vistos, além de uma clara impressão de que os impostos são realmente revertidos, em grande medida, para criar o tão famoso bem-comum, promover uma melhor qualidade de vida para a população e tudo o mais que nos faz falta.

Algumas outras questões também valem registro: somos unânimes ao notar o alto índice de fumantes na cidade. Os bares sempre estão impregnados de fumaça, o que é lamentável, para eles, e principalmente para os não fumantes e ALÉRGICOS, como eu. Além disso, poucos restaurantes têm área reservada para fumantes, e quase nenhum proíbe o fumo.

Outra coisa, no mínimo, curiosa, é que além das pessoas dificilmente passarem muito tempo num determinado lugar, sempre estarem salindo de copas, de bar em bar, como "gatos madrileños", elas não curtem muito sentar-se. Nós, do Mundo de lá, leia-se Recife, quando entramos em qualquer bar, vamos logo procurando um lugarzinho para nos sentar, a não ser que estejamos numa boate ou em alguns outros locais específicos. Aqui, ficar em pé ao lado da barra ou balcão É O QUE HÁ. Foi justo quando estávamos conversando sobre isso, que resolvi registrar o fato aqui pra você, que lê meu blog. Chegamos a um bar, cheio de gente, a galera toda em pé, e as mesas vazias ao redor. Para ilustrar no blog, precisava tirar fotos. Diante de olhares desconfiados das pessoas desconhecidas do recinto, que naturalmente não se sentiram muito confortáveis ao ver uma estranha tirando fotos suas, uma amiga se predispôs a fingir que estava posando para mim, e assim me deu o pretexto para os tais clicks. Entre caras e bocas, segue o registro fotográfico da noite espanhola.

















sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Vai lá

Se estiver no Mundo de lá, corra pra inscrever sua peça de publicidade. HOJE É O ÚLTIMO DIA. Click no título para mais informações.

AHHH! Também não deixe de prestigiar a palestra das 14h do dia 06/11: Monitoração e análise da mídia gerada pelo consumidor. Ela me chamou especial atenção, pois falará sobre como a revolução silenciosa dos blogs e dos conteúdos gerados por brasileiros de todas as idades e profissões está mudando o rumo da mídia, da publicidade e da comunicação. Influenciadores 2.0, quem são, como encontrá-los e como se comunicar com eles?

VAI LÁ! É na UFPE. Parece valer muito a pena.

domingo, 19 de outubro de 2008

Metamorfose

Você, que acompanha o blog, deve ter percebido algumas pequenas mudanças. Se você não estiver acostumado a este novo formato, não se preocupe, eu muito menos. Mas "mudar" às vezes é bom. Ou não. A ver...

Sim, eu também modifiquei a música-vídeo. Até o fim do dia: quem sabe outra?!

Aí vai outra!!!!!!!!!!!!!


Marketing direto puro

Enquanto estou aguardando a minha bendita faculdade de marketing começar, não imaginava que encontraria justo num banheiro de beira de estrada um anúncio para comentar. Sabe aquele anúncio de porta de banheiro, mídia – pensava eu – “tipicamente brasileira”?! Pois bem, pelo jeito, no mundo de cá, ela também é bastante utilizada. Explico.

Estava a caminho de Granada, quando me deparei com um Repsol. Por estas bandas, Repsol é sinônimo de posto de gasolina, ou será que era outro (isto é que é recall)?! Enfim. Não imaginava que justo ali encontraria uma mensagem bastante direta, marketing direto puro, e bem feito:


Pensamos, eu e uma amiga (como vocês sabem, mulher sempre vai “em dupla” ou “em bando” pro banheiro), se a figura que escreveu o tal anúncio seria afinal publicitário?! Será?! Bueno, quando ainda fui pegar a câmera fotográfica para registrar o “conteúdo” para o blog, as figurinhas do lado de fora, leia-se: maridos!, olharam meio de banda... Esse povo não entende mesmo de blog, muito menos de marketing.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Granada, Lorca e eu (y mi padre - dedico a ele)

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Alguns amigos vieram nos visitar em Madri, entre eles, uma grande amiga, Raquel, que a exponho, sem sua permissão, em meu blog. Viemos com eles pra Granada, aonde estou neste momento. Hoje (ou melhor, ontem), visitamos a Casa de Verão de Garcia Lorca. Entre tantas coisas lindas, e do pouco que li de sua obra, uma me chamou HOJE especial atenção, e a transcrevo aqui.

A mi padre

"A Dios doy gracias por ser mi padre.
Por tus reproches y consejos.
Por el bien que me enseñaste
y de mi ser siempre cuidaste.

Por ser padre bondadoso,
lleno de paz y sabiduría.
Porque amas la verdad.
Justicia y rectitud en demasía.

Por ser mi padre amado
y enseñarme la caridad.
Sentimientos nobles te cubren.
No conoces la maldad.
Caballero noble y parco,
me enseñaste a luchar.
Aspirando siempre a lo más alto
y a mis sueños no renunciar.

Por aborrecer todo lo malo.
Por tus celestiales valores.
Por guiarme de la mano
en senderos llenos de flores.

Por tus palabras de aliento
en mis momentos más tristes.
Por tus silencios elocuentes
que me calman dulcemente.

Por tu mirada sabia y profunda.
Por tu expresión tan serena.
Por tu paciencia y tesón.
Torbellino de cosas buenas.

Por ser hombre testarudo
aferrado a tu convicción.
Por mantener en alto tus ideales
sin perder la calma o razón.

Por instruirme en la vida
y enseñarme a no mentir.
Por preocuparte por mis problemas
y recompensa no pedir.

Por enseñarme nobles valores:
el amor, rectitud y compasión,
justicia, desinterés, trabajo,
caridad, verdad y el perdón.

Por todos tus desvelos.
Por tu amor paternal.
Hombres como tú hay pocos.
Eres un padre ideal.

Por cumplir con tus deberes.
porque nunca me fallaste.
Porque contigo contar siempre puedo.
Hoy y siempre mi amor te entrego.

Porque siempre estás ahí,
tendiéndome tu cálido abrazo.
Por ser modelo en mi vida.
Por siempre creer en mí.

Por todo esto padre,
te aprecio,
y a Dios de nuevo agradezco
por en mi vida tenerte a tí."

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Terra Estrangeira

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Também Adoro Cinema Brasileiro. http://www.adorocinemabrasileiro.com.br/filmes/terra-estrangeira/terra-estrangeira.asp


segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Coisas da vida

Antes que receba mais sugestões para dormir bem (o que agradeço bastante), esclareço as razões:

- Veja, na íntegra, em http://www.coisademae.blog.br/, blog da minha irmã, Christianne Alcântara (nome pouco original, uma vez que me chamo Cristina, e levo o mesmo sobrenome, mas é que nossos pais não são marketeiros! melhor pra eles!):

"Acabou a campanha do meu pai a vereador do Recife e estou de volta. Não revelei antes o projeto em que estava envolvida para não parecer que estava querendo, por meio do meu blog, fazer campanha. Entretanto, agora, passado o período eleitoral, já posso revelar. Meu pai perdeu a eleição, mas nós (eu e ele) ganhamos em companheirismo. Gostaria muito que meu filho, um dia, viesse a sentir por mim metade do amor que sinto por meu pai. Para isso, eu precisaria ser para João Marcelo pelo menos metade do que meu pai é para mim. Não sei se isso é possível. Meu pai é grande, generoso demais, bom demais. Um grande homem. Fica a ressaca da derrota, mas fica a certeza de que, quando todo o resto nos falta, o amor mútuo entre pai e filha se torna ainda mais forte. Fica também a convicção de que esse elo não se quebrará jamais. Ontem, quando perdemos a eleição, tive a oportunidade de dizer tudo isso a meu pai. Provavelmente não o teria dito se tivéssemos ganho. Meu pai, na sua grandeza d´alma - como diria o poeta Fernando Pessoa, “tudo vale a pena quando a alma não é pequena” -, depois de me ouvir, respondeu: “É tão bom perder…”
Por Christianne Alcântara

domingo, 5 de outubro de 2008

Esperanças e utopias

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"Sobre as virtudes da esperança tem-se escrito muito e parolado muito mais. Tal como sucedeu e continuará a suceder com as utopias, a esperança foi sempre, ao longo dos tempos, uma espécie de paraíso sonhado dos cépticos. E não só dos cépticos. Crentes fervorosos, dos de missa e comunhão, desses que estão convencidos de que levam por cima das suas cabeças a mão compassiva de Deus a defendê-los da chuva e do calor, não se esquecem de lhe rogar que cumpra nesta vida ao menos uma pequena parte das bem-aventuranças que prometeu para a outra. Por isso, quem não está satisfeito com o que lhe coube na desigual distribuição dos bens do planeta, sobretudo os materiais, agarra-se à esperança de que o diabo nem sempre estará atrás da porta e de que a riqueza lhe entrará um dia, antes cedo que tarde, pela janela dentro. Quem tudo perdeu, mas teve a sorte de conservar ao menos a triste vida, considera que lhe assiste o humaníssimo direito de esperar que o dia de amanhã não seja tão desgraçado como o está sendo o dia de hoje. Supondo, claro, que haja justiça neste mundo. Ora, se neste nestes lugares e nestes tempos existisse algo que merecesse semelhante nome, não a miragem do costume com que se iludem os olhos e a mente, mas uma realidade que se pudesse tocar com as mãos, é evidente que não precisaríamos de andar todos os dias com a esperança ao colo, a embalá-la, ou embalados nós ao colo dela. A simples justiça (não a dos tribunais, mas a daquele fundamental respeito que deveria presidir às relações entre os humanos) se encarregaria de pôr todas as coisas nos seus justos lugares. Dantes, ao pobre de pedir a quem se tinha acabado de negar a esmola, acrescentava-se hipocritamente que “tivesse paciência”. Penso que, na prática, aconselhar alguém a que tenha esperança não é muito diferente de aconselhá-la a ter paciência. É muito comum ouvir-se dizer da boca de políticos recém-instalados que a impaciência é contra-revolucionária. Talvez seja, talvez, mas eu inclino-me a pensar que, pelo contrário, muitas revoluções se perderam por demasiada paciência. Obviamente, nada tenho de pessoal contra a esperança, mas prefiro a impaciência. Já é tempo de que ela se note no mundo para que alguma coisa aprendam aqueles que preferem que nos alimentemos de esperanças. Ou de utopias."
Por José Saramago

Aos poucos, este blog passa a ser feito por mais do que uma insone - euzinha, claro! - mas vai se desenhando com a contribuição de alguns amigos e parentes, que apesar de não comentarem muito, deixam interessantes contribuições na minha caixa de entrada.

Sinceros agradecimentos, desta vez, a Antônio, que diferentemente dos demais, também enriquece este blog com seus comentários, e que me passou o link de Saramago com o texto acima. Para ele, aquele abraço!, e boa noite!, ou, seria buenos dias?!

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Que dá miedo do miedo que dá

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Agradecimentos sinceros a Renata do Amaral, que teve muita paciência comigo ao me explicar como colocar o link do youtube assim, como vocês estão vendo agora. Ganhei meu dia, minha tarde, minha noite. Sem medo de ser feliz, agora posso encher esse blog de MÚSICA!!!! Coitados de vocês... que não me agüentarão mais :)

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Saudade


(por Miguel Falabella)

"Agarrarse el dedo con una puerta duele.
Golpearse la cara contra el piso, duele.
Torcerse el tobillo, duele.
Una bofetada, un puntapié, duelen.
Duele golpearse la cabeza con el borde de la mesa,
duele morderse la lengua,
una carie y piedras en los riñones también duelen.

Pero lo que más duele es la saudade.
Saudade de un hermano que vive lejos.
Saudade de una cascada de la infancia.
Saudade del gusto de una fruta que no se encuentra más(...)
Saudade de una ciudad.

Saudade de nosotros mismos, cuando vemos que el tiempo no nos perdona.
Duelen todas estas saudades.
Pero la saudade que más duele es la saudade de quien se ama(...)

Saudade de la presencia, y hasta de la ausencia consentida.
No saber que hacer con los días que son más largos,
no saber como encontrar tareas que detengan el pensamiento,
no saber como frenar las lágrimas al escuchar esa música,
no saber como vencer el dolor de un silencio...(…)

Saudade es esto que sentí mientras estaba escribiendo y lo que tú, probablemente, estés sintiendo ahora después de leer...

´En alguna otra vida, debemos haber hecho algo muy grave para sentir tanta saudade...´ "


Em http://www.pensandoenlasmusaranas.com/2007/02/19/do-carnaval-e-outras-musaranas/: "Disculpen los hispanoparlantes, pero hay cosas que sólo suenan bien en un determinado idioma. Escuchar un “te amo” es bonito; pero “amore, ti voglio bene” es imbatible. También se puede decir de muchas maneras en muchos idiomas, pero no hay sentencia más verdadera en su irrefutable brevedad que “shit happens”. “Saudade“, es una palabra en portugués que no tiene traducción exacta en ninguna otra lengua, quizás porque expresa una emoción muy particular, que no es necesariamente triste ni alegre y que está profundamente enraizada en el alma de un pueblo. Cuando un brasileño está “morrendo de saudade”, se toma una cachaçinha. Cuando un argentino está “con un poco de nostalgia”, se toma un Prozac."


Hoje é o cumpleaños de mi hermana. Parabéns, minha linda! Que Saudade! Uma cachacinha, por favor!