"A comunidade dos justos é estrangeira na terra, ela viaja e vive de fé no exílio e na mortalidade" (Sérgio Buarque de Holanda).
terça-feira, 24 de março de 2009
El Cairo. Aguarde
Pessoas, estive off line esses dias. É que estava no Cairo e ainda estou sem fôlego, sem tempo, porém, inspiradíssima por aquilo tudo. Perdi uma semana de aula y tengo que me poner al día, enlouquecidamente. Amanhã contarei um pouco da minha aventura. Não agüento mais esperar para escrever. Aguarde.
domingo, 8 de março de 2009
Pedraza
Uma das coisas boas de Madri é que, ao estar no centro da Espanha, tem ao seu redor várias cidades medievais lindíssimas. Toledo, Aranjuez, Chinchón, Segóvia, Ávila, La Granja, cada pequeño pueblo é um poço de história preservadíssima. Ainda não conheço todos, mas o fim de semana passado foi dedicado a conhecer Pedraza, uma vila pequena ao lado de Segóvia, a uma hora de Madrid, totalmente de pedra, como o nome sugere.
É antiguíssima, tudo indica que já havia ocupação celta no século IV a.C. Um local tão antigo e preservado transpira história. A ocupação romana na Idade Média é também relatada, bem como a muçulmana e posterior reconquista pelos reis católicos. Pelo que contam, era uma cidade de nobres. As igrejas de Santa María, de 1500, e a Románica de San Juan, com sua charmosíssima torre, estavam fechadas para visitação. A Vila recebeu há alguns anos os prêmios “C” de Turismo da Comunidade Autônoma de Castilla y León em 1993 e o Prêmio Europa Nostra em 1996.
Um dia é mais do que suficiente para conhecê-la. A maioria se hospeda em Segóvia, ou em Madri mesmo, e vai lá para passar o dia, embora haja vários alojamentos e pequenos hotéis tipo hospedarias na Vila – o de Santo Domingo, por exemplo, onde ficamos, é confortável, aconchegante e bem central. A gastronomia é saborosa, destacando-se o Cordeiro assado a lenha (simplesmente maravilhoso). Caminhar pela Vila (de tênis ou botas de salto baixo), entrar nas suas pequenas lojas, conhecer o El Castillo de Pedraza, La Plaza Mayor e mirar a paisagem é tudo de bom.
Nos dois primeiros sábados de julho, a vila celebra "la noche de las velas", uma noite em que se apagam as luzes do povoado e todos os habitantes e visitantes acendem velas. Dizem que é um espetáculo belo de se ver, e uma boa oportunidade de apreciar boa música, já que nas mesmas noites há um grande concerto.
segunda-feira, 2 de março de 2009
Foi carnaval na Espanha
O carnaval no mundo de cá não passou em brancas nuvens. No sábado de Zé Pereira, havia algumas pessoas fantasiadas pela rua; soube que em Chueca, bairro madrileño que leva o nome do escritor, há uma rua que fecham e fazem algo a la espanhola, organizada por um grupo gay, e que ficou meio famoso, sendo reduto atual de todas as tribos. Não fui averigüar, lamentavelmente. O bairro é muito astral e interessante, cheio de gente bonita, bons bares e restaurantes (meio carinho, mas tá valendo).
Acabei improvisando algo aqui em casa mesmo para alguns vizinhos de pueblo. Foi divertido a seu modo. Tomamos muitas caipirinhas, dançamos frevo e samba, e até salsa, teve um pouco de tudo. E a minha grande surpresa, pedi a todos que viessem fantasiados e o fizeram em grande estilo. Já me perguntaram porque não faço outro no mesmo estilo para comemorar a entrada da primavera agora em março :).
Durante 40anos de domínio franquista, o carnaval foi proibido por aqui e pouco a pouco os espanhóis estão redescobrindo essa festividade internacional. Há havido alguns pontos de resistência. Dizem que Cádiz, ao sul Andaluz, pertinho da África, está entre os três maiores carnavais do mundo. Apenas os carnavais do Rio de Janeiro e de Trinidad (ilha da América Central, que junto com a de Tobago formam o país) parecem ultrapassá-lo - é que não conhecem o de Recife e de Salvador. Teve o seu início no século XVII. Veneza e Génova organizam até hoje celebrações carnavalescas anuais, muito chiques por sinal, e Cádiz decidiu adotar e engrandecer esta festa. Além da influência italiana, segundo contam, as tripulações de barcos espanhóis que viajavam para a América voltavam com numerosas influências musicais que ainda permanecem vivas atualmente. De qualquer forma, o carnaval atual é uma mistura de flamenco andaluz, ritmos africanos, samba e outros sons sul-americanos. Há também um espaço reservado na Praça da Catedral para atuações de grupos musicais espanhóis, inclusive de rock. Os carnavais espanhóis de Tenerife e de La Gran Canária também são famosos.
Apesar dessas novas referências, bateu aquela saudade. Assinamos Globo Sat e no melhor do Galo da Madrugada, a Globo Internacional interrompe a transmissão para passar Big Brother. Quase quebramos a tv de raiva. Segunda, terça e quarta de cinzas foram dias absolutamente normais, com aula e alguns compromissos meio chatinhos. É, fazer o qué?! Só nos contentando com os sites, que transmitem MAL, mas deixam aquele gostinho de quero VER mais. Maracatu, caboclinho, frevo, os espetáculos do Marco Zero, a brincadeira espontânea de Olinda, os tambores silenciosos, os frevos de bloco e suas marchas dos carnavais de antigamente, tudo isso que exalta Recife vai ter que esperar. Brincar mesmo, só no mundo de lá. Felizmente, tem todo ano. Este é o consolo.
Acabei improvisando algo aqui em casa mesmo para alguns vizinhos de pueblo. Foi divertido a seu modo. Tomamos muitas caipirinhas, dançamos frevo e samba, e até salsa, teve um pouco de tudo. E a minha grande surpresa, pedi a todos que viessem fantasiados e o fizeram em grande estilo. Já me perguntaram porque não faço outro no mesmo estilo para comemorar a entrada da primavera agora em março :).
Durante 40anos de domínio franquista, o carnaval foi proibido por aqui e pouco a pouco os espanhóis estão redescobrindo essa festividade internacional. Há havido alguns pontos de resistência. Dizem que Cádiz, ao sul Andaluz, pertinho da África, está entre os três maiores carnavais do mundo. Apenas os carnavais do Rio de Janeiro e de Trinidad (ilha da América Central, que junto com a de Tobago formam o país) parecem ultrapassá-lo - é que não conhecem o de Recife e de Salvador. Teve o seu início no século XVII. Veneza e Génova organizam até hoje celebrações carnavalescas anuais, muito chiques por sinal, e Cádiz decidiu adotar e engrandecer esta festa. Além da influência italiana, segundo contam, as tripulações de barcos espanhóis que viajavam para a América voltavam com numerosas influências musicais que ainda permanecem vivas atualmente. De qualquer forma, o carnaval atual é uma mistura de flamenco andaluz, ritmos africanos, samba e outros sons sul-americanos. Há também um espaço reservado na Praça da Catedral para atuações de grupos musicais espanhóis, inclusive de rock. Os carnavais espanhóis de Tenerife e de La Gran Canária também são famosos.
Apesar dessas novas referências, bateu aquela saudade. Assinamos Globo Sat e no melhor do Galo da Madrugada, a Globo Internacional interrompe a transmissão para passar Big Brother. Quase quebramos a tv de raiva. Segunda, terça e quarta de cinzas foram dias absolutamente normais, com aula e alguns compromissos meio chatinhos. É, fazer o qué?! Só nos contentando com os sites, que transmitem MAL, mas deixam aquele gostinho de quero VER mais. Maracatu, caboclinho, frevo, os espetáculos do Marco Zero, a brincadeira espontânea de Olinda, os tambores silenciosos, os frevos de bloco e suas marchas dos carnavais de antigamente, tudo isso que exalta Recife vai ter que esperar. Brincar mesmo, só no mundo de lá. Felizmente, tem todo ano. Este é o consolo.
sábado, 28 de fevereiro de 2009
Penélope, Alcobendas y o Oscar
O óscar de melhor atriz coadjuvante de Penélope Cruz pelo "Vicky Cristina Barcelona", direção de Woody Allen, continua notícia por aqui. Não vi a festa de premiação, o filme, ou seus concorrentes, mas vi uma parte de um noticiário que mostra a entrega do prêmio e o discurso da atriz, especialmente quando ela cita a cidade onde nasceu Alcobendas, a 13 km Norte de Madri. Depois da tal homenagem, não sei quem ficou mais famoso, Penélope, que já era uma celebridade, ou Alcobendas.
Não dou sorte. Ligo a TV - coisa raríssima, por sinal - e está a professora de Penélope relembrando, não sei como, das suas façanhas quando criança, ou o alcade (prefeito) de Alcobendas dando entrevista, ou os moradores orgulhosíssimos porque o "mundo" descobriu Alcobendas, afinal. Me lembrei muito do Domingão do Faustão e do seu breguíssimo arquivo confidencial.
Compreendo a euforia da cidade, mas lamento a maneira como a mídia se alimenta de coisas tão banais. O seu trabalho de atriz, o papel de Almodóvar na sua carreira, os bons filmes e péssimos - inclusive um que fez com o brasileiríssimo Murilo Benício -, já encenados, enfim, uma análise mais crítica e, sem dúvida, mais interessante passa a segundo ou terceiro planos.
Quanto ao prêmio, estou longe de ser uma crítica de cinema (ainda mais sem ter assistido ao filme, veja que audácia!), mas pelo meu ignorante ponto de vista, creio que ela não está ainda no roll das grandes atrizes, apesar de ter me alegrado com o seu êxito - morando aqui, a gente acaba torcendo mesmo, além do mais, ela é cría do fabuloso Almodóvar.
Penélope tem seu mérito, tem potencial e vem amadurecendo como profissional. Ah, mas isto também não importa, vocês ouviram os comentários sobre o seu vestido...? Y blá blá blá.
Lenine em Madrid
Lenine estará por aqui em 25 marzo, na sala Heineken. Vibrei com a notícia. Veja mais detalhes no Movida Brasileña (link no título).
Bom, pelo menos quebrei o silêncio. Lo siento por la auséncia por aqui. Só mesmo Lenine pra me fazer hablar. Depois te conto.
Bom, pelo menos quebrei o silêncio. Lo siento por la auséncia por aqui. Só mesmo Lenine pra me fazer hablar. Depois te conto.
domingo, 15 de fevereiro de 2009
Prêmio Dardos

Pessoas, recebi de O Astronauta (blog sobre as experiências de João e sua super mãe Flávia, escrito de Barcelona), o Prêmio Dardos. Segundo a comandante da nave, "este prêmio visa a reconhecer os valores que cada blogueiro mostra a cada dia, seu empenho por transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais." Muchísimas gracias pela indicação. Além de tudo, é uma maneira de sabermos o que os próprios blogueiros estão lendo e assim podermos também fazer parte daquela comunidade virtual, e ainda indicar a outros. Bueno, como manda o regulamento, indico outros 5 blogs ao prémio, que a mi me gustan mucho:
Gosto da maneira como escreve, de suas críticas, sugestões. Muito legal. Um blog muito bom para respirar ares madrileños, mesmo a distáncia. Escrito de Madrid/España, obviamente.
Todo Madrid
São blogs que me encantan sinceramente, além de "o astronauta", que só não coloquei na lista acima para o caso de você ser brasileiro, não poder alegar "marmelada".
Mais sobre o prêmio e o que se pede aos agraciados:
- Exibir a imagem do selo em seu blog,
- Linkar o blog pelo qual você recebeu a indicação,
- Escolher outros 5 blogs a quem entregar o Selo Prêmio Dardos,
- Avisar aos escolhidos.
Bueno, es todo por hoy. A todos que lêem o "Mundo de cá", gracias.
domingo, 8 de fevereiro de 2009
Dieta Mediterránea
Muito bom se surpreender com um bom filme, não?! Depois de 6 anos indo ao cinema para ver Shrek, Madagascar, Bolt, etc., etc., etc., esperando que os bons filmes de adulto fossem lançados o mais rapidamente possível em vídeo, ou estivessem disponíveis na TV fechada, finalmente nos organizamos para podermos sair e assistir um filme em Madrid, longe do reizinho da casa. Não foi a primeira vez, mas são raras as oportunidades. Logo eu, que adoro cinema. Bueno, quando, mesmo tendo chegado 2 horas antes, vimos que o que nos restava era a primeira fila do filme selecionado (aqui, as cadeiras são marcadas e escolhidas na hora da compra), terminamos assistindo ao filme catalão "Dieta Mediterrânea" e nos deliciamos. Divertido, original, interessante, bons atores, enfim, recomendo. Não que esta não pudesse ter sido nossa primeira opção de cara, mas com tantos bons filmes Hollywoodianos dando sopa, muitos deles concorrendo ao Oscar, enfim, não resistimos aos apelos publicitários de Brad Pitt ou Tom Cruise. Afortunadamente, a sorte nos ajudou, e acabamos assistindo por casualidade ao filme espanhol. Nossa noite de inverno madrileño não poderia ter sido mais gostosa. !Que aprovechen!
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Carnaval e neve
sábado, 31 de janeiro de 2009
Mais uma da estrangeira
Quando justo estava comemorando a minha capacidade (tardia) de adaptação, uma infeliz de uma camarera - garçonete - acaba com toda minha auto-estima de estrangeira semi-adaptada, justo agora em que eu estava me sentindo uma "quase española". Ao lhe pedir uma sugestão de prato, ela me disse que só gostava de um deles de toda a Carta, portanto, não era a mais indicada a me sugerir nada (bem, despreparadinha, segundo registrou oportunamente o meu marido, mas, pelo menos, honesta). Isto não foi nada, o interessante foi que a gentil atendente disse que ia resolver o meu problema, e me chega com o mesmo cardápio escrito em INGLÊS. Opções: 1. ela achava que eu não tinha conseguido ler o cardápio em espanhol e por isto pedi a sugestão, 2. percebeu o meu sotaque obviamente não espanhol, 3. as duas primeiras opções são verdadeiras, 4. a figurinha era meio sem-noção. Bueno, como a maioria dos garçons daquí também não são nativos, a pobre moça no fim só quis me ajudar. Quase que pedia o prato em inglês mesmo, mas deixei pra lá. Despreparadinha, a coitada, mas gentil.... Fazer o quê? Justo depois de ONTEM, dia em que minha aula de espanhol foi absolutamente dedicada à interpretação de textos técnicos em marketing, o que me fizeram me sentir a expert no idioma...! É. Pra terminar, a gentil, mas despreparadinha moça, não deve ter entendido o pedido de um simples café... Até hoje...Um dia, quem sabe ele chega. Talvez na próxima ida ao excelente lugar, de garçons gentis (o que é raríssimo), mas despreparadinhos.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
El sosiego de espíritu
Existem alguns acontecimentos que representam o grande e tão falado ponto de inflexão, aquele momento ímpar, que sem ter nem pra qué, APARECE, surge e se impõe. O momento da descoberta, enfim. A percepção deste ponto de inflexão que seguramente você não sabe ainda do que se trata, foi motivada por um simples hecho – feito, resolvi mudar a imagem da área de trabalho do meu computador, aquela imagem que assim que a gente liga o micro, está lá. É verdade que alguns não têm imagem, só um colorido e tal, mas... você entendeu. Bem, voltando. Já há algum tempo eu estava meio cansada da linda paisagem de Maragogi ornamentando a primeira tela do micro. Antes de Maragogi, já foram parar ali fotos de Noronha, Boa Viagem, tartaruga, golfinho, filho na praia, etc. Só que, de volta ao meu Mundo de cá, resolvi mudar essa imagem e escolhi justo as “torres gêmeas” de Madri. Bem, decisão tomada displicentemente, sem drama. E aí está o grande ponto de inflexão que explicarei mais à frente. Paciência, please., afinal, você chegou a ler até aqui, não vai morrer na praia, né?
Bueno, primeiro, sobre a foto: esta foto foi tirada há alguns meses, saindo da rodoviária de Chamartín, quando presenciei com uns amigos um belíssimo pôr do sol “enfeitando” os imponentes prédios. Não titubeei, foto na certa. Lindíssimas, as “torres” de arquitetura pós-moderna, exuberantes, são agora a minha porta de entrada para o mundo navegável da Internet sempre que resolvo estar online. Ao vivo e a cores, os prédios destoam um pouco da paisagem madrileña, é verdade, onde as construções são baixas e de estilo antigo, em sua maioria. Sobretudo a parte mais turística de Madri, que lembra o Velho Mundo, com seus edifícios de estilos clássicos, góticos, neoclássicos, renacentistas, e assim vai. Bom, contextualizado o tema, agora vem o susto e o ponto de inflexão percebido, finalmente.
Ontem, ao ligar o computador, me assustei com a troca. Cadê o mar, o sol, o MEU mundo? Sim, Espanha também tem mar, e muito, porém, NÃO onde vivo, NÃO O MMMMEEEUUUU marzão, etc. Bem, me dei conta imediatamente de que estava com o computador certo, que aquela foto tinha sido escolhida por mim há menos de dois dias e que, sim!, a escolha foi consciente e, por que não dizer, feliz!
Durante meses: falando, pensando e utilizando ícones sempre brasileiros predominantemente pernambucanos, aquela mudança tinha que significar alguma coisa. Comecei a observar a minha linguagem quando respondo sobre a Espanha aos curiosos brasileiros, quando falo sobre a minha vida no Mundo de cá, o tom usado, o jeito, as roupas, enfim, percebi que estou mais light, mais tranqüila mesmo com o meu novo estilo de vida, quase um pouquinho espanhola, o que não nega EM NADA a minha brasilidade.
Me dei conta de que ENFIM estou adaptada, seja lá o que isto significa exatamente. Me sinto menos estrangeira do que antes, e mais disposta hoje a vivenciar experiências não mais como uma alienígena que aterrissou em Madri. Enfim, um pouco de PAZ. Ou, como o relato de Saramago, es cierto que busco obstinadamente el sosiego de espíritu y, por ahora, tal vez lo tenga encontrado. Bom saber.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Tá valendo a viagem
Avaliando o ano meio mal acabado, leia-se: o ano que mal acabou, ou o ano que acabou mal – a Faixa de Gaza e o Boi Não Sei das Quantas, da novela das oito brasileira, que o digam – não pude deixar de registrar a satisfação em ter criado este blog. Foi um dos acontecimentos marcantes pra mim. Voltar a escrever, familiarizar-me mais com a Internet (sempre fui meio off line), registrar alguns acontecimentos, fotos, músicas… tornar tudo isso público, enfim, me faz lembrar da minha adolescência quando mantinha um diário onde relatava o que se passava. Adorava ilustrá-lo, colá-lo, era o máximo, a minha terapia. Pois é, voltei no tempo, só que mais tecnológica. Me encanta compartilhar as minhas percepções da Espanha, que possui um passado interessantísimo, cidades belíssimas e uma cultura tão peculiar. Imagino que à medida em que eu vá me adaptando, me aprofunde mais em outros temas ainda ñ abordados aqui. As pretensões com o blog sempre foram “desabafar”, segundo Vinicius ou Ferreira Goulart, ñ sei bem, quando vc escreve, joga o sentimento pro outro, pronto!, se livra dele e ya está. Também passo a criar cumplicidade com outros que se identificam com o que relato, ou simplesmente querem saber como estou. Não o enquadraria portanto num blog turístico nem de longe - para conhecer Madri, sem dúvida, outros sao mais competentes e ricos, como Todo Madrid, ou Es Madrid no Madriz, etc. Por isto, que defino "Mundo de cá" como um diário de bordo, mais adequado. Agora, à minha mala, agreguei as experiências de uma estudante de doutorado da UCM, o que promete vir a ser bem interessante, espero! Bem, bem-vindo a bordo, 2009 promete e tá valendo a viagem.
domingo, 25 de janeiro de 2009
2008, o ano que terminou, e uma viagem
Se não fosse pela minha tão esperada ida ao Mundo de lá, leia-se Recife, o rito de passagem da virada do ano, que sempre me encantou, teria passado em brancas nuvens. Apesar das confraternizações na minha rápida passagem pelo Brasil, ficou a impressão de que tudo caminha como sempre, no seu ritmo próprio, e que nao temos mais razoes para acreditar que AGORA SIM tudo vai ser diferente. Meio óbvio.
Também fiz minha fezinha por lá: rompí de branco, pasé un vistazo no meu mapa astral e coisas assim. Ou seja, mesmo as emoçoes ainda estando meio congeladas pelo frio de Madri, nao escapei de preservar alguns rituais que esquentam o coração e encheram de promessas esta criatura que vos escreve.
Agora, de volta a Madri, só me resta nostalgicamente dar finalmente o meu adeus a 2008 e tentar recomeçar uma nova etapa. Para o ano que terminou, só posso desejar que não morra de melancolia e tristeza por nao fazer mais parte do nosso tempo. É, 2008, tudo passa!... não só você, acredite. Tudo passa.
Também fiz minha fezinha por lá: rompí de branco, pasé un vistazo no meu mapa astral e coisas assim. Ou seja, mesmo as emoçoes ainda estando meio congeladas pelo frio de Madri, nao escapei de preservar alguns rituais que esquentam o coração e encheram de promessas esta criatura que vos escreve.
Agora, de volta a Madri, só me resta nostalgicamente dar finalmente o meu adeus a 2008 e tentar recomeçar uma nova etapa. Para o ano que terminou, só posso desejar que não morra de melancolia e tristeza por nao fazer mais parte do nosso tempo. É, 2008, tudo passa!... não só você, acredite. Tudo passa.
Clichês bregas me emocionam
Clichês me emocionam, fazer o quê? Quem, em sendo brasileiro, nunca rompeu o ano ao som de “este ano, quero paz no meu coração…” Nao cheguei a ouvi-la neste fim de ano, mas inevitavelmente, a música bem que veio à mente. Devo confessar que ficou um vazio,então. Talvez por isto. Será?
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Perdão pelo silêncio. Acontece
Estive off line durante um tempo. Estou no Mundo de lá e um pouco melancólica. Bueno, amanhã volto a Madri e espero voltar com ganas para voltar a escrever. Perdona. Acontece.
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
Auto de Natal
Ainda não conheci Auto de Natal mais belo que "Morte e vida Severina", de João Cabral de Melo Neto. Segue a última estrofe:
—— Severino, retirante,
deixe agora que lhe diga:
eu não sei bem a resposta
da pergunta que fazia,
se não vale mais saltar
fora da ponte e da vida
nem conheço essa resposta,
se quer mesmo que lhe diga
é difícil defender,
só com palavras, a vida,
ainda mais quando ela é
esta que vê, severina
mas se responder não pude
à pergunta que fazia,
ela, a vida, a respondeu
com sua presença viva.
E não há melhor resposta
que o espetáculo da vida:
vê-la desfiar seu fio,
que também se chama vida,
ver a fábrica que ela mesma,
teimosamente, se fabrica,
vê-la brotar como há pouco
em nova vida explodida
mesmo quando é assim pequena
a explosão, como a ocorrida
como a de há pouco, franzina
mesmo quando é a explosão
de uma vida severina.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
Viena também é terra de Sissi
Lembra de Sissi “A Imperatriz”? Aquela do filme protagonizado pela atriz Romy Schneider? Pois bem, Sissi era Elisabete da Baviera, que se transoformou em imperatriz da Áustria em meados do século XIX ao se casar com o imperador Francisco José I. Era considerada a mulher mais bonita da Europa em seu tempo. O imperador trocou sua irmã Helena para se casar com ela. Infelizmente, a vida de Sissi não foi nenhum conto de fadas. A sogra, arquiduquesa Sofia, era realmente uma megera, e o imperador, embora apaixonado, era workaholic, ausente, muito conservador e absolutamente subserviente às regras sociais tão defendidas pela mãe. Ambos a obrigavam a viver em uma gaiola de ouro na sua adolescência. Dizem que o nome da primeira filha, homônimo da sogra, foi escolhido a contragosto de Sissi. Desafortunadamente, a criança morreu aos primeiros 2 anos de vida. Depois dela, ainda outros 3 filhos fizeram parte da família: Gisela, Rudolfo e Maria Valéria. Rudolfo, herdeiro do trono, foi encontrado morto - tudo indica que foi assassinado - ao lado da amante, o que aumentou ainda mais o desgosto de Sissi.
Sissi sofria de depressão por causa de seu casamento infeliz, devido às trágicas mortes, e por ser obrigada a manter certa distância dos filhos. Tinha uma rígida vida na corte de Habsburgo. Era culta, escrevia poesia, era rebelde, irreverente, e pouco a pouco se tornou obcecada pela sua beleza e boa forma. Com 1,73 de altura e 45 kg, quase anoréxica, além de comer pouco e fazer muitos exercícios físicos, adorava cavalgar. Tardava 3 horas penteando seus longuíssimos cabelos de mais de 1 metro e meio. Tinha uma empregada que era sua sósia e a substituía em alguns papéis (acenando para o povo diariamente da janela do palácio em algumas ocasiões, por exemplo). Apesar de ter uma forte personalidade, inevitavelmente, teve que se submeter às muitas exigências da monarquia. Deprimiu e teve a infelicidade de morrer muito cedo, aos 61 anos, vítima de um assassino italiano, anarquista, que tinha outro alvo, mas ao descobrir que Sissi estava em Genebra, creía que era uma personalidade com mais notoriedade.
Era uma figura muito carismática, mas como se negava muitas vezes a acompanhar o marido, e na maturidade viajava muito sozinha - dizem que tinha amantes - a Áustria se ressentia de seu comportamento, sobretudo a aristocracia.
Após sua morte, o que acontecia no Palácio se tornou público e o povo passou a adorá-la. O filme teve um papel importante ao torná-la mito. Hoje, sua imagem é explorada em quase tudo, há um museu que leva seu nome e abriga suas coisas, e o Palácio onde ela viveu é aberto ao público.
Sissi, a personagem do filme, é um ídolo para minha mãe. Me empenhei em conhecer a verdadeira história para contá-la, mas pensando melhor, as fantasias são normalmente mais interessantes do que a vida real. Talvez ela prefira ficar com a versão cinematográfica.
..............
De Viena para o Mundo de lá
Estive em Viena, uma cidade lindíssima. De avião, são 2h30 de Madri. Meu marido foi a trabalho e segui a tiracolo sem pestanejar. Cidade da música clássica, terra de Mozart (nasceu em outra cidade austríaca, mas viveu quase toda sua vida em Viena) e Strauss. Foi também onde Beethoven, Freud e tantos outros fizeram fama.
A população é extremamente acolhedora, pouco reativa, simpática e cosmopolita. Apesar de falar um dialeto alemão, o inglês é uma segunda língua muito BEM falada e ouvida pelas ruas. Todas as universidades são públicas e consideradas de excelente qualidade, atraindo inclusive muitos alemães (que privatizaram demais nos últimos tempos).
As guerras, no entanto, deixaram profundas marcas em seu povo e sua arquitetura. Como foi palco da primeira guerra mundial e ficou ao lado da Alemanha na segunda, possui relíquias seculares destroçadas que ainda levarão anos para serem restauradas por completo, sem falar nas conseqüências diretas econômicas, psicológicas e sociais. A Ópera, por exemplo, foi bombardeada pelos americanos que pensavam ser uma estação de trem. Nada comentam sobre a primeira guerra, já sobre a segunda, dizem que não sabiam dos verdadeiros planos de Hitler (a gente finge que acredita pra sair bem na foto). Um dos discursos históricos nazistas ocorreu no alto de um dos belíssimos edifícios do centro. Hoje, há uma praça dedicada aos judeus que foram vítimas da segunda grande guerra, com uma bandeira negra e um sepulcro de concreto no meio.
Viena tem um casco histórico lindíssimo, glamoroso e conservado, a parte mais antiga da cidade. Carruagens vendem percursos (40 euros o mais barato), há muitos quiosques pelas ruas vendendo vinho quente ou poncho, uma bebida a base de canela e vinho que lembra um pouco o conhaque – tomei vários, pois realmente tem o poder de esquentar. O rio Danúbio é uma atração à parte. Corta toda a cidade e é muito bonito de se ver. Ali, o Natal é comemorado em grande estilo. Músicas natalinas no melhor estilo clássico, feirinhas, linda iluminação, muita gente pelas ruas. Apesar disso, Viena é uma cidade muito pouco ruidosa, o que me faz estranhar muito. As pessoas falam baixo, o tráfico também é mais para o silencioso, e imagino que em época não festiva, seja um pouco monótona.
No Natal, as pessoas se soltam (numa comparação grosseira, é quase como o nosso carnaval vivido no interior das pequenas cidades). O veado é a mascote principal e as pessoas andam com chapéus com dois cornos, de forma muito natural e engraçada. Chapéus de papai Noel também são comuns ornamentando cabeças de turistas, principalmente europeus, e nativos. A cidade está repleta de feirinhas de Natal que são simplesmente maravilhosas. Comi todo tipo de lingüiça, cada uma mais deliciosa do que a outra, e muita mostarda. O frio (fazia perto de zero grau) ainda está ameno para padrões austríacos, no entanto, já incomoda bastante, principalmente quando o que há de mais interessante a ver está nas ruas do centro antigo, muito diverso e cheio de atrações.
Pela sua geografia, sofre atualmente mais influência econômica e social da migração do leste europeu do que Madri. Búlgaros, iugoslavos, etc. migram para ali em busca de melhores condições de sobrevivência. Quando saímos do centro histórico, lembramos claramente que ali há também muita pobreza. Os prédios “novos” da periferia não seguem o glamour clássico da cidade e necessitam de conservação.
No Belvedere, fui apreciar a exposição de Gustav Klimt e me encantei. É lamentável que hoje se faça tanta gravura replicando seus principais quadros, pois as cores, os traços, tudo é muito diferente do que vemos nos pratos, pôsteres, camisetas que ilustram suas obras mais famosas.
Bem, 5 a 7 dias bem vividos é o suficiente para conhecer os pontos turísticos principais da cidade e, apesar do frio dessa época do ano, vale muito a pena.
A população é extremamente acolhedora, pouco reativa, simpática e cosmopolita. Apesar de falar um dialeto alemão, o inglês é uma segunda língua muito BEM falada e ouvida pelas ruas. Todas as universidades são públicas e consideradas de excelente qualidade, atraindo inclusive muitos alemães (que privatizaram demais nos últimos tempos).
As guerras, no entanto, deixaram profundas marcas em seu povo e sua arquitetura. Como foi palco da primeira guerra mundial e ficou ao lado da Alemanha na segunda, possui relíquias seculares destroçadas que ainda levarão anos para serem restauradas por completo, sem falar nas conseqüências diretas econômicas, psicológicas e sociais. A Ópera, por exemplo, foi bombardeada pelos americanos que pensavam ser uma estação de trem. Nada comentam sobre a primeira guerra, já sobre a segunda, dizem que não sabiam dos verdadeiros planos de Hitler (a gente finge que acredita pra sair bem na foto). Um dos discursos históricos nazistas ocorreu no alto de um dos belíssimos edifícios do centro. Hoje, há uma praça dedicada aos judeus que foram vítimas da segunda grande guerra, com uma bandeira negra e um sepulcro de concreto no meio.
Viena tem um casco histórico lindíssimo, glamoroso e conservado, a parte mais antiga da cidade. Carruagens vendem percursos (40 euros o mais barato), há muitos quiosques pelas ruas vendendo vinho quente ou poncho, uma bebida a base de canela e vinho que lembra um pouco o conhaque – tomei vários, pois realmente tem o poder de esquentar. O rio Danúbio é uma atração à parte. Corta toda a cidade e é muito bonito de se ver. Ali, o Natal é comemorado em grande estilo. Músicas natalinas no melhor estilo clássico, feirinhas, linda iluminação, muita gente pelas ruas. Apesar disso, Viena é uma cidade muito pouco ruidosa, o que me faz estranhar muito. As pessoas falam baixo, o tráfico também é mais para o silencioso, e imagino que em época não festiva, seja um pouco monótona.
No Natal, as pessoas se soltam (numa comparação grosseira, é quase como o nosso carnaval vivido no interior das pequenas cidades). O veado é a mascote principal e as pessoas andam com chapéus com dois cornos, de forma muito natural e engraçada. Chapéus de papai Noel também são comuns ornamentando cabeças de turistas, principalmente europeus, e nativos. A cidade está repleta de feirinhas de Natal que são simplesmente maravilhosas. Comi todo tipo de lingüiça, cada uma mais deliciosa do que a outra, e muita mostarda. O frio (fazia perto de zero grau) ainda está ameno para padrões austríacos, no entanto, já incomoda bastante, principalmente quando o que há de mais interessante a ver está nas ruas do centro antigo, muito diverso e cheio de atrações.
Pela sua geografia, sofre atualmente mais influência econômica e social da migração do leste europeu do que Madri. Búlgaros, iugoslavos, etc. migram para ali em busca de melhores condições de sobrevivência. Quando saímos do centro histórico, lembramos claramente que ali há também muita pobreza. Os prédios “novos” da periferia não seguem o glamour clássico da cidade e necessitam de conservação.
No Belvedere, fui apreciar a exposição de Gustav Klimt e me encantei. É lamentável que hoje se faça tanta gravura replicando seus principais quadros, pois as cores, os traços, tudo é muito diferente do que vemos nos pratos, pôsteres, camisetas que ilustram suas obras mais famosas.
Bem, 5 a 7 dias bem vividos é o suficiente para conhecer os pontos turísticos principais da cidade e, apesar do frio dessa época do ano, vale muito a pena.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Esse papo já tá qualquer coisa, mas já é Natal em Madrid
O que é ciência?; os sistemas de informação de marketing ajudam em que medida (e como) às empresas?, a tecnologia NÃO é responsável por uma melhor performance na implantação de uma estratégia de CRM; quais modelos de predição de comportamento do consumidor?! Enfim, se você não é da área de marketing e não gosta do tema, deve estar voando. Mas estou às voltas com um monte de material, lendo e tentando escrever em espanhol, sem falar que o meu portunhol persiste em dar às caras em sala de aula. Además, me vejo bastante tentada em mandar tudo às favas e ir curtir Madri, que está muito, muito, muito fria (hoje, de 3 a 8 graus), pero, está linda, com suas luzes natalinas e programações próprias do período (click no título e em http://www.madridfera.com/).
Para mim, Natal sempre foi sinônimo de confraternização, família (um pouco de missa), verão e feriados. Aqui, é quase o oposto – o que não deixa de ser uma experiência diferenciada. Ao invés de Porto de Galinhas, Navaserrada e sua neve; ao invés de família, os coleguinhas de escola (e respectivos pais) do meu filho; em lugar de cerveja, violão e farra, estudar, estudar (e cuidar pra não gripar).
Mas, mudando de assunto (de novo), a mudança de estações é algo muito bonito de se ver. Mostrei fotos do final de semana retrasado: sol, estávamos com roupas nem tão quentes assim... já esta semana, pareço uma cebola cheia de capas, 3 roupas, uma por cima da outra, além de um abrigo por cima, o que me faz parecer absolutamente gorda em qualquer foto (por isso, não bloguei nenhuma), mas como dizem os espanhóis: “yo, caliente, que hable la gente”- não é exatamente isso, mas é quase. Ou seja, eu, quentinha, podem falar à vontade. Bueno, me voy. Tengo mais tareas para terminar. Foi meu presente de Papai Noel, afinal.
Que bom!
Assinar:
Postagens (Atom)