sábado, 28 de novembro de 2009

Encontros Infantis com a Cultura Brasileira



Vi no blog dmadrid, de Anlene, que no próximo sábado, dia 12.12, de 11h às 14h, haverá toda uma programação infantil na Casa do Brasil de Madri. O encontro infantil se chama Brincar.es 3  Arte & Literatura, um Projeto que conta com o apoio da Fundación Cultural Hispano-Brasileña e da Embaixada do Brasil. O Projeto, sem fins lucrativos, foi criado em 2007 por um grupo de mulheres para divulgar a cultura brasileira através da literatura, música, folclore, teatro e jogos. Também tem como objetivo preservar a língua portuguesa entre as crianças da comunidade brasileira residente em Madri. As atividades do projeto são desenvolvidas pela AVA - Asociación Sociocultural de Mujeres Brasileñas. Toda a programação acontece em português. A Casa do Brasil está situada na Av. Arco de la Vitória , s/n Metro Moncloa, e a inscrição por e-mail: brincares@gmail.com. Parece que vai ser muito legal.

domingo, 22 de novembro de 2009

De Tapas por Madrid



Aqui na Espanha é muito legal Salir de Tapas ou Tapeo, que significa "tomar uma" pelos bares. Em Madrid, quando pedimos uma bebida alcóolica num bar, somos brindados com uma Tapa, cortesia da casa, que consiste em um pequeno petisco gratuito como aperitivo. Vi no blog es por Madrid que hoje começa a segunda edição do "De Tapas por Madrid Centro". Até o dia 29/11, uma cerveja Cruz Campo e uma tapa será vendida por apenas 2,40 euros em 78 estabelecimentos comerciais do Centro, todos eles identificados com a marca acima. Durante a semana, serão premiadas as melhores Tapas, segundo a seguinte classificação: La Tapa de La Viña, eleita por um jurado composto por especialistas, La Tapa Popular, eleita pelos consumidores, e La Tapa Cruz Campo, eleita pela Escuela de Hostelaria Gambrinus. Vale a pena conferir.

sábado, 14 de novembro de 2009

O Coliseu





Uma visita pelo Coliseu, com um bom guia, faz com que nos transportemos para aquela época, imaginando como deve ter sido aquele imenso circo cheio de gente, palco de lutas sangrentas entre gladiadores. Estes eram escravos ou prisioneiros políticos que se esforçavam ao máximo para dar um bom show, tanto para garantir a sua sobrevivência quanto para ganhar o carisma do povo, e, quem sabe, receber regalias no cativeiro, podendo em último caso ganhar a sua liberdade. Tudo ali impressiona. Construído no Império Romano durante o século I, é um grande anfiteatro que ocupa uma parte do antigo jardim da megalômana Casa Dourada, casa de Nero, cerca de 10 anos antes. O lago do antigo jardim, primeiramente aproveitado para espetáculos no Coliseu, logo foi aterrado para criar a arena onde disputavam os gladiadores.

Fruto de uma política populista, o Coliseu foi utilizado politicamente para aumentar a popularidade do imperador e desviar a atenção do povo dos verdadeiros problemas do Império. Ali, todos podiam entrar gratuitamente, de escravos a nobres, e eram alocados de acordo com sua classe social (“cadeiras cativas” e espaços privilegiados para os nobres). Foi utilizado como referência ao longo dos tempos para a construção dos nossos estádios atuais. Se ainda mantém a imponência até hoje, imagino que deve ter sido um monumento belíssimo à época, pois sua fachada era branca, feita com pedra travertina e mármore. Foi bastante saqueado, e muito do mármore, outros itens arquitetônicos e obras de arte foram retirados daí pelo arquiteto Bernini para a construção do Vaticano, e por outros para a construção de diversas igrejas e outros monumentos.

Estima-se que tinha capacidade para oitenta mil pessoas. Para se ter uma idéia, quando fazia mau tempo, um grande toldo se estendia pelo Coliseu cobrindo o público. De que maneira conseguiam tal proeza, com os escassos recursos da época, faz qualquer engenheiro ou arquiteto se impressionar até hoje. O modelo de elevadores, por onde subiam os animais até a arena, com o sistema de polias e cordas puxadas por inúmeros escravos também representa os primórdios dos nossos modelos atuais.

Algumas curiosidades é que tudo que impressionava era bem vindo, assim, desde girafas, elefantes, animais desconhecidos até então, trazidos da África, também faziam parte de vários espetáculos, onde o principal era surpreender o público. Em minha opinião, é o marco zero de qualquer visita a Roma.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Roma



La Piedad, de Michelangelo, na Basílica de São Pedro

O Pantheon


Piazza de Spagna


Piazza de São Pedro

Quando disse a Gi do Dentro da Bota que eu iria a Roma, ela me indicou alguns lugares pra visitar, apesar do pouco tempo que eu ficaria. O tempo foi realmente curto, mas mesmo assim eu sabia que seria maravilhoso. O que não esperava era que, depois de tanta expectativa, Roma ainda conseguisse me surpreender. Adorei. Se não tivesse tido tempo de ver nada, só a cidade em si é um museu a céu aberto. Na Roma Antiga, uma casa qualquer pode ter em sua fachada uma obra de arte, ou uma coluna de mármore, ou uma escultura que desponta para abraçar a rua, e se você pesquisa um pouco pode vir a descobrir que ali foi palco de algum grande acontecimento histórico.


Coliseu

É uma cidade pequena se comparada com outras capitais européias, e é bastante idílica. O idioma é realmente muito bonito de se ouvir, sensual e melódico; as pessoas, bonitas e simpáticas. Às margens do Rio Tiber (apesar da poluição), produz-se cenários bem românticos. Roma é um convite ao desfrute das boas coisas da vida, sobretudo, ao romantismo.

Além de tudo isso, há os belíssimos monumentos históricos e as incalculáveis obras de arte que estão presentes desde a mais simples capela até o Vaticano. O Pantheón, o Coliseu, a Praça e Basílica de São Pedro, a Fontaine de Trévi, o Foro Romano, a Piazza Navona, a Colina Palatina, sem falar nos bares do Trastevere, nas incontáveis igrejas-museus e outros tantos pontos turísticos que não consegui ver. Vale a pena ouvir os guias que te contam sobre o Coliseu, Foro Romano, e ouvir um pouco sobre os imperadores romanos, Calígula, Nero, e outros tantos; onde viveram, como influenciaram e deixaram suas marcas até hoje, seja no cinema, no teatro, na ópera ou "simplesmente" na História da Humanidade.

Com um forte desejo de voltar algum dia àquela linda cidade, não me esqueci de seguir as recomendações da lenda que diz que quem joga uma moeda na Fonte de Trevi, voltará a Roma . Apesar da experiência no mínimo interessante ao ter ido a Roma pela low cost Ryanair, voltarei de qualquer jeito; a Fonte não mente. Que assim seja.


Fontana de Trévi

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Procurando Luciana

Luciana sofre de depressao pós parto e desapareceu em 1 de junho. Segundo Flávia, do Astronauta, a Lia, irma de Luciana, criou o blog para divulgar o seu desaparecimento. Bom, me uno ás duas e espero que sejam bem-sucedidas. Conheço uma amiga que teve o mesmo e é muito triste. Ninguem merece. Divulguem, publiquem, ajudem. Gracias.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

terça-feira, 13 de outubro de 2009

"La innata vocación de Brasil a la felicidad." Por Juan Arias

“Parece-me que o sorriso, e só ele, faz aquilo que chamamos a beleza de um rosto.” (Liev Tolstói)

Sugiro o El País de hoy. TRIBUNA: JUAN ARIAS. 13/10/2009. Segue na íntegra.
"En la victoria de Río seguro que ha influido la estrecha relación de todo un país con la sonrisa."

"El hecho de haber ganado Río de Janeiro la celebración de los Juegos Olímpicos del 2016, dejando atrás ciudades de gran prestigio como Madrid, Chicago o Tokio, ha sido analizado ya por activa y por pasiva. Se ha dicho de todo. Que Suramérica se merecía ya unos Juegos. Y es cierto. Que Brasil es hoy la potencia económica emergente de la región. Y también es cierto, como lo es que buena parte de la victoria se debió a la enorme popularidad mundial del carismático ex metalúrgico y hoy presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Y con él a la acción del dios del fútbol, Pelé, y el mago carioca Paulo Coelho, que supo ganarse la simpatía de las mujeres de los delegados del COI a quienes invitó a cenar en un restaurante de Copenhague, en un clima de felicidad brasileña. ¿O habrán sido sólo las imágenes de las bellezas únicas de la mágica ciudad carioca? También, pero no sólo.

Existe otro elemento poco subrayado y es la innata vocación de Brasil y de los brasileños a la felicidad, que acaba irradiándose internacionalmente, contagiando al mundo.

Si se hubiese hecho un sondeo nacional habría aparecido que ese día el 100% de los brasileños se sintió feliz cuando el presidente del Comité Olímpico Internacional abrió el sobre y apareció Río de Janeiro como vencedor de la competición para celebrar los Juegos Olímpicos del 2016. Los brasileños, que gozan de una formidable cohesión nacional, están siempre abiertos a acoger cualquier motivo para ser felices. Y albergar los Juegos les ha producido orgullo y felicidad. Y no lo esconden, que es otra de las características del brasileño.

En mi primera entrevista a la actriz de cine y teatro Fernanda Montenegro cuando llegué a Brasil, hace ahora 10 años, me dijo algo que nunca he olvidado y que pude más tarde tocar con la mano: "La diferencia entre un europeo y un brasileño es que el brasileño no se avergüenza de decir que es feliz y el europeo, sí".

Cualquiera que pasa por Brasil, de turismo o de trabajo, se siente enseguida atrapado por la cordialidad, la exuberancia afectiva, la acogida alegre de sus gentes, del norte al sur del país. "Es que con los brasileños no se puede uno pelear porque te sonríen hasta cuando te enfadas", me decía un corresponsal argentino. Es verdad. La vocación del brasileño es más hacia la paz, la amistad, el entendimiento mutuo, el deseo de agradar que hacia la guerra o la pelea. Y, entonces, ¿qué ocurre con la violencia que mata en Brasil más que en otros países? No es una violencia brasileña, la produce el cáncer del tráfico de drogas.

La mejor arma del brasileño sigue siendo la sonrisa. Al catedrático de Estética de la Universidad de Río Isaías Latuf le preguntaron en plena calle en Buenos Aires si era brasileño. "¿Cómo lo ha notado?", preguntó. Y la respuesta fue: "Por su sonrisa".

Según un sondeo realizado en 2008 en 120 países por el Instituto Gallup World Poll, y presentado por la Fundación Getulio Vargas (FGV), la felicidad del brasileño es superior a su PIB. El joven brasileño aparece con una valoración de la felicidad superior a la media mundial. El estudio revela que los jóvenes brasileños de entre 15 y 29 años presentan mayor esperanza de ser felices los próximos cinco años que los jóvenes del resto del mundo. Y esa esperanza de felicidad alcanza un 9,29%.

Los psicólogos han intentado analizar estos datos. ¿Cómo es posible que los jóvenes de un país que aparece sólo en el puesto 52 en el índice mundial de la renta se sientan los más felices del planeta? El psicólogo Dionisio Benaszewski lo achaca a que, según la misma encuesta, los jóvenes brasileños valoran más la felicidad que el trabajo o el dinero. Si hay algo, en efecto, que he tocado con la mano en Brasil es que la mayoría de sus ciudadanos, hasta los más pobres, no viven para trabajar; trabajan para vivir y para vivir felices. Es casi imposible conseguir que alguien quiera trabajar, ni ganando el doble, en un domingo. Suelen decir: "Ah, no, domingo nâo da".

Según Benaszewski, existe otro elemento creador de felicidad en Brasil y es el que ofrecen las buenas relaciones existentes entre miembros de la familia y entre vecinos. Aquí la red de solidaridad, sobre todo entre los más pobres, es formidable. Un ejemplo de ello lo son las favelas pobres de Río, que entre ellas se llaman "comunidades". Y lo son. El elemento afecto en las relaciones y el afán por ayudarse mutuamente en las adversidades, o de disfrutar en los momentos felices, es proverbial.

Suele decirse que los brasileños saben sacar felicidad hasta de las piedras. La buscan en la alegría y en la tristeza. El día que Río ganó la celebración de los Juegos Olímpicos, una pareja joven de brasileños entrevistada en Madrid por un reportero del programa de Iñaki Gabilondo dijo algo más o menos así: "No estéis tristes. Venid a Río, que es una ciudad maravillosa, y os sentiréis felices". Pensé que, de haber sido al revés, si hubiese ganado Madrid y perdido Río, la joven también se habría consolado de alguna forma diciendo que estaba feliz en la maravillosa ciudad de Madrid.

Así son los brasileños. Son buceadores en el mar de la felicidad y, como no lo ocultan, acaban contagiando a los otros. Sin duda ese contagio también tuvo que ver a la hora de votar en Copenhague."

Google Analytics. E o seu, como é?

Outro dia me perguntaram sobre o meu Google Analytics. Honestamente, até agosto passado não sabia muito bem o que era isso. Vale, vale, blogueiro que se preze deve sabê-lo, é meio básico. E blogueiro marketeiro, então?! Pior ainda, nem se fala! Mas caí nessa vida de pára-quedas, com uma imensa vontade de escrever e uma absurda preguiça de papel e lápis. Aí minha irmã me sugeriu o blog e me mostrou “o caminho das pedras”, como começá-lo. Tava satisfeita com um diariozinho, que não carecia de ser sigiloso. Estava muito bem, obrigada, no meu desabafo. Mas aí veio essa história de Google Analytics e deprimi! Um verdadeiro fracasso (imagino)- Ah! Pra quem não sabe, ele é uma maneira “internáutica” de avaliar as estatísticas do seu blog, número de visitas, “posts” mais lidos, etc. Pois bem, sabia que tinha maneiras de fazer essa contagem, mas pensei, afinal, o que é que custa me aprimorar no mundo virtual e me incluir na brincadeira? Aí, me inscrevi e a partir de agosto comecei a me estressar: - Além das cobranças diárias que temos que enfrentar, eu ainda TENHO(?!) que ter um “bom” Google Analytics?! Que se dane! Me “desbloguei” dele e voltei para o meu diário de bordo desencanado. “Posto” o que me dá “ganas” e pronto. Estava refletindo por onde vai essa coisa toda... mais tarde, além de nome, carteira de identidade, CPF, a gente vai ter que informar o nosso Google Analytics... e por falar nisso, só pra uma comparaçãozinha básica: - E o seu, qual é?

Seu Jorge. Bom demais



Muito massa! Segue outra dele, um maravilhoso samba rock.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Día de La Hispanidad e das Crianças

Próximo 12 de outubro também é feriado por aqui. É feriado nacional. Digo "também" porque, pra quem não sabe, no Brasil é dia das crianças e de Nsa. Sra. Aparecida (na verdade, não sei qual dos "dois" é o responsável pelo feriado brasileiro). Bom, pelas bandas de cá, é o Día de La Hispanidad, dia em que se homenagea os povos hispânicos, a descoberta da América e a grande comunidade hispânica espalhada pelo mundo.  Outros países da América, de língua e colonização espanhola comemoram também, porém, nem sempre na mesma data.

Madri me lembra bastante São Paulo nos feriados, meio vazia, quase todos viajam. Enquanto faz ainda um bom tempo em pleno outono espanhol, a aposta ainda é ir para o litoral na esperança de aproveitar um resquício do recente e saudoso verão.

Ano passado, meu marido, filho e alguns amigos brasileiros que estavam de visita por Madrid justo nesta mesma época deram de cara com um trio elétrico em pleno Passeio do Prado com nada mais nada menos do que Daniella Mercury - não sei muito bem o que tem a ver Daniella com o Día de la Hispanidad, pero bueno... E meu filho que está mais estrangeiro do que nunca - o que me preocupa - gritava tapando os ouvidos: "- Carnaval, nãããããooooooooooooo!"  Tadinho, ainda não sabe o que é bom (falo sobre o carnaval, claro). O bom mesmo para ele é que tem dois dias das crianças pra comemorar, e já cobrou o seu presente. Vou pedir a Nsa. Sra Aparecida pra ver se ela dá uma forcinha.

Bom, que tenham todos um bom feriado!, seja rezando a Nsa. Sra Aparecida, seja comemorando com as crianças o seu dia, ou ouvindo o Rei de Espanha fazer seu pronunciamento nacional (deve haver, afinal). Euzinha me mando pra praia, que é e sempre será para mim o paraíso aqui na terra, com ou sem feriado, no mundo de cá ou de lá.

É o Rio, por Tony Bellotto

Rio!!!

sexta-feira, 2 de outubro de 2009,  14:29

"Minha sogra sempre fala do silêncio no Maracanã na final da Copa de 1950, depois que perdemos o jogo para o Uruguai. Mesmo quem não estava lá, ou quem ainda nem tinha nascido, conhece aquele silêncio. Faz parte de nosso DNA. É um tijolo importante na construção da nossa identidade cultural. Se o Brasil estava na época preparado ou não para realizar uma Copa eu não sei. Mas a poesia e a tristeza daquele silêncio permanecem como a inauguração de alguma coisa difusa, porém fundamental para nós, brasileiros.

Imagens do Rio povoam a mente de qualquer brasileiro. Seja num cartão postal, num calendário ou numa cena de novela. Algumas imagens eu não vou esquecer nunca: a noite em que os Titãs abriram o show dos Rolling Stones, eu em cima do palco, o coração saindo pela boca, vislumbrando aquele formigueiro sem fim, mais de um milhão de pessoas na praia de Copacabana. E o que mais me impressionou: o número de barcos ancorados na baía, uma verdadeira favela iluminada em que barracos se transformaram em barcos. E os Stones, intrigados: um milhão de pessoas e nenhum incidente grave, nenhuma rebelião, nenhum pisoteamento?

Para os cariocas nada demais, todos os revéillons na praia são assim, brother. Como é que um negócio desses pode dar certo? Numa das cidades mais violentas do mundo? Ninguém jamais saberá explicar. Ou entender. A insustentável leveza do ser carioca. A cidade em que o aeroporto leva o nome de um compositor de música popular. Aqui estão o bom-humor, a corrupção, a alegria, as balas perdidas e as licenças poéticas.

Das velhinhas de cabelo azul passeando por Copacabana aos gringos em safári pela favela, dos flanelinhas banguelas guardando carros na Barra às madames botocadas saindo do Gero, dos sambistas sorridentes da velha guarda aos clubbers doidões, virados de ecstasy, dos fotógrafos de celebridades aos bebês chorões, brincando na areia, dos pitboys lutadores de jiu-jitsu aos casais gays abraçados na Farme de Amoedo, ninguém se preocupará em entender. Ou explicar.

Continuam as imagens na minha cabeça: a ECO 92, Jello Biafra passeando despercebido pelos stands ecológicos. Não é o cara do Dead Kennedys? Rubem Fonseca caminhando pelo Leblon, finjo que não vejo pra não encher o saco do Mestre. Não é a Juliana Paes? Onde? Ali! Os arrastões na praia, o abraço na Lagoa.

Meu filho de catorze anos foi assaltado pela primeira vez na semana passada. Não liga, João, é assim mesmo. Ser assaltado, nessa cidade, é como participar de um rito de passagem. Como uma primeira comunhão, ou um bar mitzvah. Como sair numa escola de samba, ou comer biscoito de polvilho Globo na praia de Ipanema num domingo de sol. Ou assistir a um Fla Flu no Maracanã. Ver uma peça de Nelson Rodrigues, adentrar um prédio projetado por Oscar Niemeyer.

A cidade vai penetrando a gente, mineiros, paulistas, franceses, marcianos, e não desgruda mais. Rock in Rio em Lisboa. Na boa. O Brasil como ele é. Ronald Biggs, lembram dele? O mais carioca dos ingleses, a prova viva de que aqui até o crime compensa. Ex-terroristas, generais de pijama, maconheiros e padres surfistas, crianças cheirando cola, empresários contando grana, ninguém jamais poderá explicar. Ou entender.

Meca de todos os grandes golpistas no cinema e na vida real, ex-capital da colônia, ex-capital do Império Lusitano durante as guerras napoleônicas, ex-capital do Império do Brasil, ex-capital da República, perene cidade maravilhosa, terra da beleza e do caos, o paraíso depois que Adão e Eva foram expulsos, mas ainda sob as bênçãos sólidas de um barbudo concreto com braços permanentemente abertos. As contradições desabando sobre nossas cabeças como pedras numa avalanche. Eu explico: as cidades, como as mulheres, não precisam ser entendidas, precisam ser amadas. O barulho que escuto agora vindo da rua – buzinas, gritos, rojões – contrasta com o silêncio do Maracanã em 1950. Mas confirma que vivemos novamente a inauguração de alguma coisa difusa, porém fundamental para nós, brasileiros. A mim, resta conjugar na primeira pessoa do singular do presente do indicativo o verbo que expressa a alegria: Rio!!!"


Por Tony Bellotto

sábado, 3 de outubro de 2009

Rio 2016, Lula e a estrangeira


Foto: Elpais (link no título)

Votei em Lula 4 vezes para presidente. Me decepcionei com muitas coisas, me orgulho de muitas outras. Uma delas é a de mostrar internacionalmente a face mais Real do povo brasileiro, a face simples, alegre, inteligente, criativa, popular, e emotiva que o europeu não está habituado. Um brilho nos olhos e uma espontaneidade estranhada por muitos, que se perguntam: de onde vem essa cara de felicidade, demonstrada em tantas ocasiões independente da vitória olímpica?! Em poucos países se expressa tão facilmente as emoções como no Brasil, se fala tão abertamente, para o bem e para o mal, sobre quem somos, o que queremos e acreditamos. Hoje, essa face está estampada em todos os jornais do mundo. Chorei com Lula várias vezes durante e depois da tão sonhada vitória brasileira. Honestamente, fiquei muito feliz de ver os momentos finais da apuração dos votos com a minha melhor amiga espanhola. E dizíamos uma a outra como foi fenomenal que os dois países mais queridos por nós tenham ficado para a final (no caso dela, inclui o Brasil por tabela, pois o conhece pelos meus olhos). Antes de qualquer resultado, prometemos que, houvesse o que houvesse, estaríamos ali, em Madrid ou Rio, em 2016. Um pacto de amizade e de promessa de reencontro, pois imagino que em 2016 já não estarei mais em terras espanholas. Voltarei pro meu Brasil brasileiro, meu mulato estrangeiro, contente pelas amizades conquistadas, um pouco espanhola, é verdade, e com um sorriso no rosto de haver podido contemplar de perto que o nosso país finalmente está começando a ser mais respeitado e valorizado como merece.

Explode coração, na maior felicidade




Essa vitória é brasileira, mas é especialmente uma vitória carioca. O Rio, "cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos" merece essa vitória. Ela sempre foi o cartão postal do Brasil, e um dos nossos grandes orgulhos nacionais, apesar dos pesares. Hoje, não tenho palavras pra expressar minha emoção e felicidade. É lindo ver nosso povo gritar de alegria e esperança. Me uno aos de lá, aos de cá, aos de acolá, nessa alegria. Hoje, além de recifense, sou muito, mas muito, muito mesmo: carioca!!!!!

Como será Rio 2016

Uma espiadinha no futuro: Rio 2016...

sábado, 26 de setembro de 2009

Estrangeirice. Ser estrangeiro é...

A estrangeirice de um amigo:
"O sentimento de não pertencimento independe dos objetos, da casa, do celular. Vem de outro lugar, daquele velho sentido da dialética de que um homem nunca mergulha duas vezes no mesmo rio. O triste é que no fim o sentimento é o de ser de lugar nenhum. Bate uma solidão...
Mas o bom é saber que é sempre possível voltar para o lugar de onde a gente veio de alma aberta. Quando isso acontecer, a sensação de estrangeirice logo passará, pois a identidade original é sempre mais forte do que as outras identidades que a gente pensa que vai agregando ao longo da vida. Apesar de todo o debate em torno da multiplicidade de personas que adquirimos ao longo da vida, justamente em função desse desencaixe, sempre acho que há algo de muito primário que nos fixa emocionalmente a um lugar. E é sempre pra ele que a gente deseja voltar nos momentos bons e ruins."

A estrangeirice de uma amiga:
"Ainda lembro da 1ª vez que fui de férias ao Brasil, depois de 1 ano e meio fora. Quando cheguei, me sentia perdida, como se tudo aquilo não fizesse mais parte de mim; lembro de como foi angustiante os 3 primeiros dias (...)entre idas e vindas já deu "mais ou menos" pra aceitar a idéia de que neste momento "este" é o meu mundo."

A estrangeirice de Mario Vargas Llosa, ou melhor, de "Ricardito", no livro "Travessuras da menina má", p. 125, 126:
"(...) Talvez porque sua solidão era parecida com a minha, embora fôssemos diferentes em muitas outras coisas. Ambos tínhamos decidido nunca voltaríamos a viver nos nossos países, pois tanto eu, no Peru, como ele, na Turquia, certamente nos sentiríamos mais estrangeiros que na França, onde, no entanto, também nos sentíamos forasteiros. E estávamos cientes de que jamais iríamos nos integrar no país que escolhemos para morar e que até nos concedeu um passaporte. ´- Não é culpa da França se nós dois continuamos sendo estrangeiros, querido. A culpa é nossa. Uma vocação, um destino (...)de estar sem estar, de ser mas não ser´".

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

A Ausência que não é Falta

“Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.!“

Carlos Drummond de Andrade

domingo, 20 de setembro de 2009

La Noche en Blanco 2009 e A Banda

Fomos a la noche en blanco madrilenha, ontem-hoje. Como sempre, me encanta! Muita gente na rua, de todas as tribos e crenças e idades. Ruas fechadas para os carros, metrôs funcionando até às 3 da manhã, programações de todo tipo. Tudo aberto, museus, salas especiais, Palácio Real, Bellas Artes, etc., e principalmente salas que em geral são fechadas ao público, tudo gratuito. Pena que, por ser apenas por uma noite, as filas são enormes. O mais inusitado da noite (foi muito engraçado ver), bandinhas de rua - essas bandas marciais que passeavam pelas cidades do interior brasileiro (quem viveu, se lembrará seguramente) e que ainda tocam em 7 de Setembro -, tocaram toda a noite pelas ruas de Madrid, seguidas por muitos, inclusive por nós por um curto percurso. Bateu a culpa por não ter levado meu filhote, que teria adorado!

Próximo aos museus, por sua vez, no Paseo del Prado, bailarinos ensinavam passos de dança através de um grande telão, desde street-dancing a ballet. A galera imitando na rua... foi uma onda. Em outros pontos, cine espanhol foram exibidos pelas ruas. Nos teatros, leituras de poemas e outras cositas más. No Barrio de las Letras, aonde costumavam ir Garcia Lorca, Lope de Vega, Cervantes, Calderón de la Barca e tantos outros nomes, desenhistas ouviam as histórias dos "callejeros" (pessoas que andam pelas ruas, ou seja, qualquer um de nós), como psicólogos de rua, e em troca faziam um desenho personalizado que pudesse representar um pouco da conversa. Os bares, movimentados, uma festa.  A temperatura amena, porém, sem muito frio... Enfim... mesmo que a cidade não estivesse tão bonita como no ano passado, e o astral, idem, valeu a pena.

Só pela nostalgia que bateu devido às bandas que animaram Madrid en La Noche en Blanco, segue "A Banda", de Chico, Festival de 1966. Imperdível.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Patrick Swayze morre de câncer

Nunca fui uma grande fã de Patrick Swayze, apesar de que gostava muito de vê-lo dançar. Entre os seus principais sucessos como "Dirty Dancing" y "Ghost", prefiro "Priscila, uma Rainha do Deserto". No entanto, poucas coisas são mais difíceis de se aceitar do que uma morte prematura. Na verdade, prematura ou não, a morte é bastante difícil de se aceitar seja em que idade for, pelo menos para  a maioria dos ocidentais, público em que me incluo. Quando ela é precedida de uma doença terminal parece ainda mais assustadora.

No entanto, o médico-psiquiatra David Servan-Schreiber (que descubriu um tumor no cérebro aos 32 anos, e superou todas as estatísticas de sobrevivência apresentadas em seu caso),  escreveu em seu excelente livro "Anticâncer: Prevenir e vencer usando nossas defesas naturais", p. 217, uma passagem que gosto particularmente, dentre outras tantas:

"Ouve-se freqüentemente dizer de uma pessoa fulminada por um infarto inesperado que ele teve uma "bela morte". Contudo, é um fim que nos priva de toda possibilidade de preparação, de troca, de transmissão, bem como de uma ocasião para dar um fecho às relações incompletas. Não é a que desejo para mim. Hoje, a palavra "câncer" não é mais sinônimo de morte. Mas ela evoca sua sombra. Para muitos pacientes, como foi para mim, essa sombra é a oportunidade de refletir sobre a própria vida, sobre o que se quer fazer dela. é a oportunidade para começar a viver de maneira a poder olhar pra trás, no dia de nossa morte, com dignidade, com integridade. Que nesse dia se possa dizer adeus com um sentimento de paz."
Em outra passagem, ele fala de um paciente, também médico e acometido por um linfoma, p. 210-212:
"Denis era inteiramente ateu(...) mas descobriu aquilo que chamaria mais tarde de alma. A forma como cada uma de suas escolhas, cada uma de suas ações ao longo da vida, tinham sido impressas para sempre no destino do mundo através de suas repercussões infinitas. Como a borboleta proverbial da teoria do caos, cujo batimento de asas influenciam os furacões da América, Denis tomava consciência da importância de cada pensamento, de cada uma de suas palavras. E ainda dos gestos de amor dirigidos aos outros ou à terra. Ele o via agora todos como a semente de uma colheita eterna. Tinha o sentimento, pela primeira vez, de viver cada instante. De abençoar o céu que lhe acariciava a pele, assim como a água que refrescava sua garganta. O mesmo sol que já tinha dado vida aos dinossauros. A mesma água que eles tinham bebido também. Que havia feito parte de suas células antes de se tornar outra vez nuvens, depois oceanos. "De onde vem essa gratidão, a mim que vou morrer?" E depois também o vento, o vento no seu rosto. "Dentro em breve eu serei o vento, a água e o sol. E principalmente a centelha nos olhos de um homem de quem eu cuidei da mãe ou curei o filho. Então, é isso a minha alma. O que eu fiz de mim, que já vive em toda parte e viverá sempre."
Nos últimos dias, quase nao falava mais. Morreu em um final de tarde. Um de seus amigos lhe massageava os pés. De manhã, sobre a minha mesa, eu achei uma nota do meu assistente: "Denis M.: CDR." Um eufemismo usual no hospital para "cessou de respirar". E eu me perguntei se ele não teria justamente começado."

sábado, 12 de setembro de 2009

Rubem Alves e a Gaiola de Prender Idéias



"Inspiraçao é quando a gente nao sabe de onde a idéia vem."

"O pensamento experimental não deseja persuadir, mas inspirar."

"Gaiola de prender idéias: um caderninho." ... ou um blog!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Rio, Cidade Maravilhosa



Publicado no facebook por Thiago Guedes. Adorei!