"A comunidade dos justos é estrangeira na terra, ela viaja e vive de fé no exílio e na mortalidade" (Sérgio Buarque de Holanda).
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
Por uma noite mais feliz
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Cássia. Sempre Ela
Nando. Sempre Ele. Temos ainda a graça da sua companhia aqui na terra. Já Ela, deve estar cantando para os anjos, agora.
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
Adriana Calca "rhotto" en Madrid
Não vejo a hora de ir ao show de Adriana Calcanhotto, amanhã, aqui em Madri. Quando fomos comprar o ingresso, não podemos deixar de gargalhar com a maneira como a chamam: "calca rhoto" (ou seja, ñ pronunciam o nh). A gargalhada póstuma à informação da compra-regalo, foi minha vingança depois de ser alvo dos tantos "¿como como?" que ouço diariamente quando não entendem quando eu falo meu portunhol. Nada como estar em casa.
Já falei neste blog o quanto nossa musicalidade e cultura são conhecidos e prestigiados por aqui. Bueno, ouvir uma boa música brasileira, ao vivo e a cores, ouvir nosso português, poder presenciar o show (e me orgulhar) de uma das maiores cantoras/compositoras dessa "nova" geração, ouvir um bom violão tocado maestralmente... é tudo!!!! Não vejo a hora. Depois do meu grande ídolo Cássia Eller, sempre fui fã de Adriana (dela e de outras tantas cantoras como Maria Betânia, Marisa Monte, Elis). Además, Madri está repleta de atrações brasileiras (ver links abaixo). Em outubro, por ocasião do Dia da Hispanidade, e do prêmio Dom Quijote de La Mancha concedido a Lula, deram o ar de sua graça Zezé de Camargo e Luciano, Daniela Mercury e Chico Buarque. Agora em novembro, Adriana, Vanessa da Mata, Edu Lobo são alguns dos que estarão no Mundo de cá. Não poderei ter o prazer de ver a todos, mas o de amanhã já está garantido. Depois conto como foi... A ver.
http://movidabrasilena.blogspot.com/2008/10/homenaje-chico-buarque-en-madrid.html
http://lacomunidad.elpais.com/movida-brasilena/2008/10/21/vanessa-da-mata-actuara-madrid-noviembre
http://movidabrasilena.blogspot.com/2008/10/festival-de-jazz-y-cine-brasileo-en.html
http://movidabrasilena.blogspot.com/2008/10/ruy-castro-visita-el-circulo-de-bellas.html
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Inquietude
Talvez dê pra perceber que estou um pouco inquieta. Quem acessa com freqüência, deve ter percebido que nas últimas semanas o blog tem adquirido cores, imagens e tons diferentes. Tudo ao contrário do que estudei sobre marcas. Essa é a grande vantagem de se ter um blog pessoal, você imprime a cor que quiser, de acordo com o seu bom (ou mau) humor, sem ter que dar satisfações. Bem... claro que me preocupo em dar satisfações, senão não estaria postando esta. É que não tem graça ter um blog que ninguém se interesse em ler, e sei que não tenho ajudado muito ao meu leitor, que deve se surpreender positiva (e negativamente) a cada novo acesso, nesses últimos tempos. Perdona. A ver se esse lay-out me agrada amanhã. Senão, já saberás...
sábado, 25 de outubro de 2008
Em boa companhia
Vinicius sempre viveu em muito boa companhia. E realmente, amigos são bienvenidos SEMPRE. Após tantos meses de solidão (ou semi), finalmente alguns amigos brasileiros estão vindo nos visitar. Interessante é que parece que resolveram vir em escala, vão uns, chegam outros. Ótima oportunidade para compartilhar experiências, revisitar Madri, conhecer alguns lugares até então ignorados, e passar um bom tempo papeando, bebericando, e nos divertindo. Realmente, com boas companhias, temos tido agradáveis momentos. Como dizem os espanhóis, estamos pasando muy bien. Meu filho, de 6 anos, tem reclamado um pouco já que a atenção a ele diminuiu consideravelmente, o que é natural. Tanto que ontem saiu com essa: "- Mamãe, eu não vou agüentar essa situação por muito tempo!", me deixando sem fala, como muitas outras vezes.
Bueno, dentre algumas coisas comuns a todos nós brasileiros, que vimos à Europa, chama sempre atenção: a conservação das vias públicas, a acessibilidade de quase TUDO - que inclui as pessoas com necessidades especiais, os monumentos sempre tão bem cuidados, o paisagismo ídem (segundo um amigo, "parece que todo dia tem um jardineiro retocando"), o transporte público de excelente qualidade, a segurança, a desigualdade social muito menor a olhos vistos, além de uma clara impressão de que os impostos são realmente revertidos, em grande medida, para criar o tão famoso bem-comum, promover uma melhor qualidade de vida para a população e tudo o mais que nos faz falta.
Algumas outras questões também valem registro: somos unânimes ao notar o alto índice de fumantes na cidade. Os bares sempre estão impregnados de fumaça, o que é lamentável, para eles, e principalmente para os não fumantes e ALÉRGICOS, como eu. Além disso, poucos restaurantes têm área reservada para fumantes, e quase nenhum proíbe o fumo.
Outra coisa, no mínimo, curiosa, é que além das pessoas dificilmente passarem muito tempo num determinado lugar, sempre estarem salindo de copas, de bar em bar, como "gatos madrileños", elas não curtem muito sentar-se. Nós, do Mundo de lá, leia-se Recife, quando entramos em qualquer bar, vamos logo procurando um lugarzinho para nos sentar, a não ser que estejamos numa boate ou em alguns outros locais específicos. Aqui, ficar em pé ao lado da barra ou balcão É O QUE HÁ. Foi justo quando estávamos conversando sobre isso, que resolvi registrar o fato aqui pra você, que lê meu blog. Chegamos a um bar, cheio de gente, a galera toda em pé, e as mesas vazias ao redor. Para ilustrar no blog, precisava tirar fotos. Diante de olhares desconfiados das pessoas desconhecidas do recinto, que naturalmente não se sentiram muito confortáveis ao ver uma estranha tirando fotos suas, uma amiga se predispôs a fingir que estava posando para mim, e assim me deu o pretexto para os tais clicks. Entre caras e bocas, segue o registro fotográfico da noite espanhola.
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Vai lá
AHHH! Também não deixe de prestigiar a palestra das 14h do dia 06/11: Monitoração e análise da mídia gerada pelo consumidor. Ela me chamou especial atenção, pois falará sobre como a revolução silenciosa dos blogs e dos conteúdos gerados por brasileiros de todas as idades e profissões está mudando o rumo da mídia, da publicidade e da comunicação. Influenciadores 2.0, quem são, como encontrá-los e como se comunicar com eles?
VAI LÁ! É na UFPE. Parece valer muito a pena.
domingo, 19 de outubro de 2008
Metamorfose
Sim, eu também modifiquei a música-vídeo. Até o fim do dia: quem sabe outra?!
Aí vai outra!!!!!!!!!!!!!
Marketing direto puro
Estava a caminho de Granada, quando me deparei com um Repsol. Por estas bandas, Repsol é sinônimo de posto de gasolina, ou será que era outro (isto é que é recall)?! Enfim. Não imaginava que justo ali encontraria uma mensagem bastante direta, marketing direto puro, e bem feito:
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Granada, Lorca e eu (y mi padre - dedico a ele)
A mi padre
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
Terra Estrangeira
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Também Adoro Cinema Brasileiro. http://www.adorocinemabrasileiro.com.br/filmes/terra-estrangeira/terra-estrangeira.asp
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Coisas da vida
- Veja, na íntegra, em http://www.coisademae.blog.br/, blog da minha irmã, Christianne Alcântara (nome pouco original, uma vez que me chamo Cristina, e levo o mesmo sobrenome, mas é que nossos pais não são marketeiros! melhor pra eles!):
"Acabou a campanha do meu pai a vereador do Recife e estou de volta. Não revelei antes o projeto em que estava envolvida para não parecer que estava querendo, por meio do meu blog, fazer campanha. Entretanto, agora, passado o período eleitoral, já posso revelar. Meu pai perdeu a eleição, mas nós (eu e ele) ganhamos em companheirismo. Gostaria muito que meu filho, um dia, viesse a sentir por mim metade do amor que sinto por meu pai. Para isso, eu precisaria ser para João Marcelo pelo menos metade do que meu pai é para mim. Não sei se isso é possível. Meu pai é grande, generoso demais, bom demais. Um grande homem. Fica a ressaca da derrota, mas fica a certeza de que, quando todo o resto nos falta, o amor mútuo entre pai e filha se torna ainda mais forte. Fica também a convicção de que esse elo não se quebrará jamais. Ontem, quando perdemos a eleição, tive a oportunidade de dizer tudo isso a meu pai. Provavelmente não o teria dito se tivéssemos ganho. Meu pai, na sua grandeza d´alma - como diria o poeta Fernando Pessoa, “tudo vale a pena quando a alma não é pequena” -, depois de me ouvir, respondeu: “É tão bom perder…”
Por Christianne Alcântara
domingo, 5 de outubro de 2008
Esperanças e utopias
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"Sobre as virtudes da esperança tem-se escrito muito e parolado muito mais. Tal como sucedeu e continuará a suceder com as utopias, a esperança foi sempre, ao longo dos tempos, uma espécie de paraíso sonhado dos cépticos. E não só dos cépticos. Crentes fervorosos, dos de missa e comunhão, desses que estão convencidos de que levam por cima das suas cabeças a mão compassiva de Deus a defendê-los da chuva e do calor, não se esquecem de lhe rogar que cumpra nesta vida ao menos uma pequena parte das bem-aventuranças que prometeu para a outra. Por isso, quem não está satisfeito com o que lhe coube na desigual distribuição dos bens do planeta, sobretudo os materiais, agarra-se à esperança de que o diabo nem sempre estará atrás da porta e de que a riqueza lhe entrará um dia, antes cedo que tarde, pela janela dentro. Quem tudo perdeu, mas teve a sorte de conservar ao menos a triste vida, considera que lhe assiste o humaníssimo direito de esperar que o dia de amanhã não seja tão desgraçado como o está sendo o dia de hoje. Supondo, claro, que haja justiça neste mundo. Ora, se neste nestes lugares e nestes tempos existisse algo que merecesse semelhante nome, não a miragem do costume com que se iludem os olhos e a mente, mas uma realidade que se pudesse tocar com as mãos, é evidente que não precisaríamos de andar todos os dias com a esperança ao colo, a embalá-la, ou embalados nós ao colo dela. A simples justiça (não a dos tribunais, mas a daquele fundamental respeito que deveria presidir às relações entre os humanos) se encarregaria de pôr todas as coisas nos seus justos lugares. Dantes, ao pobre de pedir a quem se tinha acabado de negar a esmola, acrescentava-se hipocritamente que “tivesse paciência”. Penso que, na prática, aconselhar alguém a que tenha esperança não é muito diferente de aconselhá-la a ter paciência. É muito comum ouvir-se dizer da boca de políticos recém-instalados que a impaciência é contra-revolucionária. Talvez seja, talvez, mas eu inclino-me a pensar que, pelo contrário, muitas revoluções se perderam por demasiada paciência. Obviamente, nada tenho de pessoal contra a esperança, mas prefiro a impaciência. Já é tempo de que ela se note no mundo para que alguma coisa aprendam aqueles que preferem que nos alimentemos de esperanças. Ou de utopias."
Por José Saramago
Aos poucos, este blog passa a ser feito por mais do que uma insone - euzinha, claro! - mas vai se desenhando com a contribuição de alguns amigos e parentes, que apesar de não comentarem muito, deixam interessantes contribuições na minha caixa de entrada.
Sinceros agradecimentos, desta vez, a Antônio, que diferentemente dos demais, também enriquece este blog com seus comentários, e que me passou o link de Saramago com o texto acima. Para ele, aquele abraço!, e boa noite!, ou, seria buenos dias?!
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Que dá miedo do miedo que dá
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Agradecimentos sinceros a Renata do Amaral, que teve muita paciência comigo ao me explicar como colocar o link do youtube assim, como vocês estão vendo agora. Ganhei meu dia, minha tarde, minha noite. Sem medo de ser feliz, agora posso encher esse blog de MÚSICA!!!! Coitados de vocês... que não me agüentarão mais :)
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Saudade
Em http://www.pensandoenlasmusaranas.com/2007/02/19/do-carnaval-e-outras-musaranas/: "Disculpen los hispanoparlantes, pero hay cosas que sólo suenan bien en un determinado idioma. Escuchar un “te amo” es bonito; pero “amore, ti voglio bene” es imbatible. También se puede decir de muchas maneras en muchos idiomas, pero no hay sentencia más verdadera en su irrefutable brevedad que “shit happens”. “Saudade“, es una palabra en portugués que no tiene traducción exacta en ninguna otra lengua, quizás porque expresa una emoción muy particular, que no es necesariamente triste ni alegre y que está profundamente enraizada en el alma de un pueblo. Cuando un brasileño está “morrendo de saudade”, se toma una cachaçinha. Cuando un argentino está “con un poco de nostalgia”, se toma un Prozac."
Hoje é o cumpleaños de mi hermana. Parabéns, minha linda! Que Saudade! Uma cachacinha, por favor!
terça-feira, 23 de setembro de 2008
Um pedacinho do Egito em Madri
Próximo ao Parque do Oeste, no final do Paseo del Pintor Rosales, podemos encontrar o Templo de Debot, um pedacinho do Egito em Madri. O Templo foi uma doação do Egito à Espanha, em 1968, pela colaboração desta na conservação de outro templo egípcio Abu Simbel, em Núbia, das águas do rio Nilo. Abu Simbel estava ameaçado devido à construção da represa de Asuán.
Bueno, para o Egito, um templo a mais ou a menos não faz tanta diferença assim; já para Madri, é um refúgio interessante, principalmente aproveitar o parque onde ele foi instalado. Fica a dica para uma tarde ensolarada de domingo, de preferência.
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
A volta da estrangeira e a Noche en Blanco
terça-feira, 9 de setembro de 2008
O salvador de formigas
Ontem, estava voltando para casa com meu filho, quando me surpreendi com um pulo que ele deu para não pisar em certa coisa. Perguntei o que era:
- Era uma fila de formigas, mamãe! Você não viu?
- Não. Mas o caçador de formigas agora está salvando-as?! - perguntei intrigada. Ele me respondeu:
- É que sou caçador lá em casa, para salvar nossas coisas, nossa comida. Aqui fora, temos que salvar o planeta!
Ah, bom! Agora entendi.
É, bem já dizia Clarice, os filhos são mesmo uma surpresa para a gente.
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
O ataque das formigas
Nunca imaginei que eu viria para a Espanha para me especializar justo em hormigas. Sim, é o que você está pensando mesmo, aquele bichinho asqueroso, minúsculo, que em bando provoca um incômodo danado! Desde que voltamos do Brasil, a minha casa está surpreendentemente empestada de formigas. Já procuramos em tudo e não encontramos nada que justificasse o fato. Quando me levanto, já vou procurá-las. Meu filho estava insistentemente me pedindo um irmão, depois de tantas lacônicas do tipo: é, talvez, pode ser, vamos ver, quem sabe, ele percebeu a dúvida e resolveu pedir algo mais fácil, um cachorro ou bicho de estimação. De repente tive uma idéia que a mim me pareceu criativa inicialmente: fazer das formigas da casa sua(s) mascote(s). Depois de pensar um pouco mais, desisti da idéia. O problema é que isso poderia dar um nó na cabeça do menino, pois nossa melhor diversão em casa tem sido caçar formigas! Preocupada em acabar criando um filho psicótico, cuja diversão é matar seu bicho de estimação, logo vi que não estou “batendo muito bem” mesmo. Sempre achei que criatividade e loucura estivessem intimamente associadas.
“Los formícidos u hormigas (Formicidae) son una familia de insectos himenópteros. Son uno de los grupos zoológicos más exitosos, destacando su socialización y su capacidad para formar colonias. Se conocen más de 12.000 especies. Las hormigas ocupan todas las regiones biogeográficas del mundo y son capaces de adaptarse a los más lugares inhóspitos, soportando desde los –40ºC de de la tundra ártica a los 70ºC de los más ardientes desiertos. (…) La comunicación entre las hormigas se produce principalmente a través de feromonas. Debido a que la mayoría de los tipos de hormigas están todo el tiempo en contacto con el suelo, estos mensajes químicos están más desarrollados en ellas. De este modo, por ejemplo, cuando una hormiga recolectora encuentra una fuente de alimento, deja un rastro químico en el suelo en su camino de vuelta a casa. Cuando se encuentra con otras hormigas, les comunica el hallazgo regurgitando parte del alimento y las invita a seguir el rastro mediante señales táctiles. Cuando éstas vuelven también al hormiguero, refuerzan el rastro, atrayendo así a más hormigas, hasta que la comida se termina, de forma que a partir de ese momento el rastro no es reforzado y se disipa lentamente.”
Bueno, o que mais me chamou a atenção foi que elas podem suportar até 70 graus C, o que me causou uma preocupação adicional: estariam todas as formigas VIVAS dentro do saco do aspirador de pó?! Eis uma preocupação relevante! Tive um ímpeto momentâneo de ir à despensa e abri-lo para conferir. Depois, preocupada com uma revolução que talvez pudessem ter maquinado lá dentro contra seus inimigos, nós, imaginando encontrá-las todas a postos, esperando a grande oportunidade para saírem em liberdade, desisti da idéia e decidi que é melhor guardar minha curiosidade científica para o doutorado em marketing. Enquanto isso, vamos convivendo o resto do verão com elas, quando acumulam alimento para passarem o inverno fartas e bem aquecidas nas suas casinhas, fazendo aquela festança.
Se você não pode com o inimigo, junte-se a ele. Mudei então de estratégia. Passei a imaginar qual sua comida predileta para comprá-la e deixá-la à disposição. Afinal, teríamos finalmente nosso bicho de estimação, ao menos durante o escaldante verão madrileño que já começa a nos dar adíos. É! Esta talvez seja outra idéia bem criativa...
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
A Estrangeira e as Maquininhas 2
Quem acompanha o blog já deve saber das minhas poucas habilidades tecnológicas (post "A estrangeira e as maquininhas") e culinárias (post "Ana Maria Braga"). Pois bem, já pensaram o que acontece quando eu preciso usar um aparatozinho desses da modernidade para cozinhar? Isso mesmo: um estresse! Aliás, sempre me considerei uma pessoa relativamente paciente, porém, tenho chegado à conclusão de que a percepção que cultivamos de nós mesmos depende muito das experiências que passamos, e do quanto nos deparamos e reagimos ao novo. Surpreendemo-nos positiva ou negativamente com nós mesmos a cada nova situação vivenciada. Bueno, ultimamente talvez tenha me estressado por pouca coisa, mas já imaginaram quando o dito aparato modernoso é justo o fogão! E o pior é que ele é um meio termo entre o moderno e o antigo. Não tem nada pior do que "o que é e não é", ou que "parece ser e não é", ou "é e não parece ser". Explico-me: é de vitrilho, porém a gás! Explicando melhor ainda, bem didática, para aqueles que como eu não estão muito acostumados com essas coisas: ele é daquele tipo que é acoplado ao balcão, duas bocas, bonito e aparentemente moderno, porém, para você ligar exige uma dose extra de paciência, pois não é elétrico e tampouco reage à nossa antiga caixa de fósforos ou isqueiro, sacou?! Então, há um “jeitinho”, que já percebi que não é o tão propagado “jeitinho brasileiro”, que o faz funcionar. É outro tipo de jeitinho, mais complexo, chamado de manha, paciência, determinação ou mandinga espanhola para o tanto de liga-desliga que se faz necessário para que ele finalmente funcione. Até mesmo quando ele começa a funcionar é difícil de perceber, pois o início se dá com uma pequena e delicada chama, facilmente imperceptível devido ao brilho do vitrilho, sacou de novo?! Quando penso que vou cozinhar no fogão de vitrilho não elétrico?! Não dá outra: Burguer King de novo! Ai que saudade do meu antigão, que quase sempre pedia o velho e bom fósforo, uma das melhores invenções da humanidade! Que saudade!