sexta-feira, 24 de abril de 2009

Semana Santa dos "deuses"






Na Semana Santa, suspirei e disse “tudo o que eu queria agora era estar em frente ao mar, tomando uma cerveja estupidamente gelada e comendo camarão,”. Uma amiga espanhola, que é meu “gênio da lâmpada” aqui em Madri, me respondeu: “- desejo realizado!, vamos tal dia ao litoral, levamos tal coisa, e coisa e tal, além do mais é meu aniversário...”, e em alguns minutos já tínhamos tudo planejado para irmos à sua casa em Altea, cidade litorânea do Mediterâneo, na Comunidade Autônoma de Valência, situada na província de Alicante. Faz parte da chamada Costa Blanca. Ao norte de Altea se destaca a serra Bernia, cujo topo mede 1.129 m. Esta serra impede que os ventos frios cheguem até a baía, criando um micro clima agradável. O rio Allgar, “o rio da Salud” como chamavam no passado, desemboca próximo à vila. O município, com suas “terrazas” ao longo da zona costeira, e o casco antigo, é um charme; entre o mar e a montanha, proporciona paisagens belíssimas. A praia não é de areia, é de cascalho, o que também possui seu charme especial, além de exigir umas boas havaianas. As casas da vila são todas brancas, com formas abauladas, típicas dessa região do Mediterrâneo. Resulta que, além de tudo isso, depois de 20 anos sem andar de bicicleta, descobri que de fato, uma vez que se aprende, não se esquece. As aulas do meu pai no parque 13 de Maio do Recife, quando a cada semana tirava uma rodinha da bici, me impressionaram pela capacidade de perdurarem vivas no meu inconsciente por tanto tempo. Fomos quase diariamente pedalar na orla marítima do Mediterrâneo. O máximo!
Bueno, voltando ao meu desejo, nos encontramos ali com uma outra amiga que conheci na escola do meu filho e que nos convidou para almoçar em sua casa. Adivinhem! Dentre outras coisas, camarão regado a um bom vinho (combinava mais com o clima primaveril); a cerveja não fez falta, embora a tenha tomado noutra oportunidade. Acho que os anjos me ouviram e resolveram me dar uma semana santa dos deuses. Pergunto-me todos os dias se mereço tantas bênçãos?! Esta foi mais uma delas, sem dúvida. A Ele dou gracias.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Ser blogueiro

Depois da experiência no Cairo, silêncio! Essa mudez inadequada a um blogueiro(a) me enche de culpa. Ainda mais porque desapareço sem dar satisfação. Leio outros blogs interessantes e vejo como são disciplinados, inclusive antecipando os períodos de ausência, tudo com o maior respeito pelo tempo do outro. Admiro.
Quando eu crescer quero ser igualzinha. No momento atual, todavia, me custa. Ter sempre algo a dizer, e de interessante ainda por cima, minimamente que seja (pelo menos pra mim), me acaba! Por isso, já pensei muitas vezes que eu não nasci pra isso. É uma contradição, porque a cada ano que passa me sinto mais desencanada e dona do meu tempo, no entanto, a velha culpa me trai. E assim, com um pouco de constrangimento, peço que, vez ou outra, você venha conferir se tenho algo novo a compartilhar com você neste espaço virtual, mesmo depois de um longo silêncio. Peço sua cumplicidade. É que antes de escrever, preciso me ouvir... e isto às vezes é o mais difícil. Por enquanto, vou vivendo off line. O que é muito bom também.

terça-feira, 31 de março de 2009

Recomendo no Cairo


Grande Bazar Khan al-Khalili

Grande Bazar Khan al-Khalili

Museu Egípcio


Entrada de Igreja no Casco Antíguo


Ruínas de Babilônia

Vista da Cidade dos Mortos (ver pirâmides ao fundo na foto abaixo)




Esfinge de Menfis


Ramsés II, em Menfis





Pirâmides



Faluca pelo Nilo


- Passeio pelo Nilo (de Cruzeiro ou se não puder, como eu não pude, um passeio rápido de faluca, veleiro típico do Egito).

- Pirâmides de Giza, especialmente a visita interna a Kéops.

- Cidade dos mortos: mescla incrível entre edificios de luxo, tumbas e casas. Onde se hospedavam os refugiados da zona do Canal de Suez durante as guerras.

- Antiga capital Menfis e templos de Ramsés II.

- Mesquita de Alabastro o de Mohamed Alí (rei de 1805 a 1848), em estilo otomano, e é igual às mesquitas de Estambul. A tumba dele se encontra na mesquita (o lutador de box americano adotou seu nome quando se converteu ao islamismo).

- Cairo antigo: Há resquícios da fortaleza romana chamada Babilônia, conquistada pelos árabes quando estes chegaram ao Egito em 640. Nesta área também há inúmeras igrejas, dentre elas, a Igreja de São Sergio (Abu Serga), dos séculos III e IV e foi construída onde a Sagrada família descansou em sua viagem ao Egito. Aliás, caso se tenha interesse, pode-se visitar o Cairo seguindo a rota da Sagrada Família que passou 6 meses no Egito, fugida de Herodes. Também é interessante visitar a Igreja de São Jorge, que está no local onde ele foi preso e torturado. Na verdade, São Jorge era um soldado romano que se converteu ao Cristianismo e por isto foi perseguido; a vitória sobre o dragão é um símbolo da vitória sobre o mal.

- Museu Egípcio: Múmias, Tesouro encontrado na tumba de Tutacamon, entre outros.

- Grande Bazar Khan al-Khalili: Mercado aberto onde se encontra de tudo. Para conseguir qualquer coisa, é necessário pechinchar, na maioria das vezes os preços são mais do que o dobro do preço real. Compras típicas: Cartuchos faraônicos com possibilidade de gravar nomes em hieróglifos, tapetes egípcios, tecidos, algodão e seda egípcia, chilabas (vestido típico), turbantes, tudo relacionado a dança do ventre (só permitida às egípcias depois do casamento), vidro pintado a mão mesclado com dourado, papiro (feito da folha de papiro, utilizado antigamente como papel artesanal e convertido em arte, pintado a mão), ouro e prata, shisha (típico fumo misturado com ervas).

- Gastronomia típica: Frutas do mediterrâneo e tropicais como manga e goiaba, Sucos naturais e coquetéis; Pão pita; Ful (habas); Falafel (croquetas de habas e verduras); Kochary (prato mesclado de arroz, pasta, lentilhas e salsa de cebola e tomate); Molukhya (sopa de verdura); Kebab (pincho de cordero a la brasa);
Kofta (carne moída de cordeiro); Shawarma (sanduíche de cordeiro ou frango assado, com verdura, pão de hot dog ou pão pita); Fatir (pizza egípcia, meio esquisita. Cheia de salsicha ou atum, ou um ingrediente doce, se enche de queijo, azeitona, tomate e se esquenta no forno); Muitos doces; Chá ou café turco.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Cantora egípcia



Oum Koulthoum, a cantora egípcia mais famosa de todos os tempos, falecida em 1975.

domingo, 29 de março de 2009

El Cairo - Parte II










Uma das melhores coisas do Cairo foi conhecer “Maria” (nome fictício), egípcia, 26 anos, cristã, graduada em história e pós-graduada em turismo, guia turístico. Apaixonou-se pelo meu filho de 6 anos, um doce de criatura (ambos), meiga, gentil, sonhadora, boa profissional; te explica tudo tim tim por tim tim sobre o Cairo e o Egito, em bom inglês, apesar do forte sotaque árabe. Com ela, aprendemos um pouco desde mitologia egípcia à vida cotidiana no Cairo. Espera, dentre outras coisas, um bom matrimônio cristão, o que é difícil numa população com 85% de muçulmanos. Surpreendi-me quando a convidei para vir a Madri e ela me disse que infelizmente ainda era solteira. Não compreendi de imediato, percebendo minha cara confusa me disse que não pode viajar sozinha solteira. Contudo, leva uma vida normal (e por que não seria?) de uma moça da sua idade, sai com amigas, vai a bares, festas, trabalha bastante nos fins de semana e feriados, mas quando entramos no detalhe do seu dia-a-dia, a religião é a tônica. Receia andar sozinha em certos lugares pois se sente ameaçada por alguns homens muçulmanos, tem amigos islâmicos, mas se incomoda com as freqüentes conversas religiosas na tentativa de fazê-la mudar de religião, e se sente um pouco oprimida. Quando falamos em português algumas palavras de origem árabe como "açúcar", por exemplo, fica feliz com as similaridades e se sente muito identificada com a nossa simpatia e informalidade. Respeita a religião islâmica, mas não deixa de olhar com ar sorridente quando passa uma mulher de burca com apenas os olhos de fora, e me diz com ar de cumplicidade: “- É que ela é tão bonita que não pode se mostrar. As consideradas mais bonitas são as que vivem mais tapadas”. As muçulmanas, algumas muito ocidentalizadas, vaidosas, maquiadas, não escondem o sorriso apesar do véu. Muitos casais de namorados islâmicos passeiam pelas ruas de mãos dadas sem vigilância paterna, meninas adolescentes ruidosas, crianças engraçadas, porém, se são mulheres, o véu muitas vezes diferencia o gosto pela moda e a classe social - alguns são lindíssimos e bem trabalhados. Na superficialidade, não vejo tantas diferenças. Mais de perto, é tudo muito diferente: o véu, as inúmeras orações diárias, a submissão feminina, a concepção de impureza quando estão menstruadas e com ela a proibição de lerem o Livro Sagrado nessa ocasião. Me senti a própria pagã quando pedi uma cerveja num bar e o rapaz me respondeu que não vendia e ainda me olhou incrédulo: - a senhora não vê que estamos do lado de duas mesquitas? Pedi desculpas pela pouca sensibilidade religiosa. Difícil para quem não compreende ou não está habituado aos rituais e não compactua com as mesmas crenças.
A questão da não mistura de religiões também é importante: muçulmano se casa com muçulmano, e cristão com cristão, e se o homem se interessa por uma mulher de outra religião, alguém (a mulher) tem que se converter, o que não é encarado de forma natural, para não dizer um absurdo com conseqüências duvidosamente perigosas. A virgindade e o divórcio são tabus para os cristãos ortodoxos, para os muçulmanos, no entanto, a virgindade, sim, é um tabu, mas o divórcio nem tanto desde que este seja de interesse masculino.
Voltando à “Maria”, na verdade, fiquei encantada em conhecer-la. Tem um jeito bonito, feliz de encarar a vida, não complica, e leva um ar sonhador realmente encantador. O que dizer mais a seu respeito? Lhe desejo tudo de bom, e se pudesse, lhe diria em português: “- A você, nova e já querida amiga, desejo um bom casamento; que sua vida seja um feliz conto das mil e uma noites, e que eu ainda possa contar a história desse matrimônio iniciando assim “-Era uma vez, no Cairo ...”

quinta-feira, 26 de março de 2009

El Cairo - Parte I








Estou craque em me meter na mala do meu marido, que vive viajando a trabalho, e aproveitar para fazer um pouco de turismo. Bueno, eu e meu filho perdemos alguns dias de aula, mas valeu muito a pena. Fomos todos ao Cairo, capital do Egito, e, como imaginava, foi impressionante. É uma loucura. Estamos acostumados com loucuras, não?!, Brasil também o é, uma mescla de tudo, vários mundos num só país. Mas ainda assim me impressionei. Uma cidade enorme, com mais de 17.000.000 de habitantes no Grande Cairo, de maioria muçulmana, 85%, da população, cuja moeda é a libra egípcia (para se ter uma idéia, um euro equivale a 7 libras egípcias), e o árabe, a língua oficial. Localizado a Nordeste da África, o Egito é o único país do mundo intercontinental, ou seja, também se estende até a Ásia, onde fica a tão conflituosa Faixa de Gaza, também pertencente ao Egito. Bem, voltando ao Cairo, dentre outras coisas, o tráfego é um caos. Muito mais do que vocês podem imaginar. A impressão é de que não há regras, há poucos semáforos, e as pessoas adotaram a buzina como uma sinfonia diária, que não dá tréguas. Por menos preservada que esteja a maior parte da cidade, um olhar mais atento percebe o quanto a arquitetura é bonita e única. Uma cidade construída em uma região que tem mais de 5.000 anos de existência, cheia de palácios, mesquitas, templos, igrejas, hotéis luxuosíssimos, e por outro lado, relíquias se deteriorando, prédios mal cuidados e não rebocados – a cor do cimento é predominante nas fachadas, a impressão é de que toda a cidade está em obras; depois descobrimos que se uma obra termina, obriga ao cidadão pagar mais impostos, assim, as obras estão definitivamente inacabadas, e assim permanecerão a princípio. A pobreza me parece pior do que nas grandes cidades brasileiras, e a desigualdade social parece ser mais acentuada também. Às vezes, a gente pensa que está na Idade Média. Quando entramos na "zona mais moderna", sobretudo a que fica mais à beira do Rio Nilo, percebemos uma cidade mais cosmopolita, com muito melhor serviço do que na Espanha (adoro o terceiro mundo). O Nilo é uma atração à parte. Impressionantemente um oásis no deserto. Em suas margens, vegetação verdejante, e pouco mais adiante (pouquíssimo adiante, na verdade), o deserto. As famosas pirâmides de Kéops, Kéfren y Miquerinos foram construídas muito perto da cidade (há mais de 100 pirâmides em todo o Egito), assim, dependendo de onde se esteja, pode-se ver o grande deserto de um lado, e do outro, um monte de prédios; coisas dos faraós que construíam as suas “moradas no Paraíso” próximo de onde viviam. As pessoas são uma atração à parte. Sem falar das burcas ou entrar mais a fundo no tema da religião, me senti em casa. O povo é muito simpático e acolhedor, mais informal, como somos nós brasileiros, muito gentis e sobretudo sorridentes (gente!, eles sorriem!, e muito!, coisa um pouco mais rara na Europa). Vale a pena. Cairo tem muitos encantos, e uma viagem dessas vai ficar nas nossas mentes por muito tempo.

terça-feira, 24 de março de 2009

El Cairo. Aguarde

Pessoas, estive off line esses dias. É que estava no Cairo e ainda estou sem fôlego, sem tempo, porém, inspiradíssima por aquilo tudo. Perdi uma semana de aula y tengo que me poner al día, enlouquecidamente. Amanhã contarei um pouco da minha aventura. Não agüento mais esperar para escrever. Aguarde.

domingo, 8 de março de 2009

Pedraza



















Uma das coisas boas de Madri é que, ao estar no centro da Espanha, tem ao seu redor várias cidades medievais lindíssimas. Toledo, Aranjuez, Chinchón, Segóvia, Ávila, La Granja, cada pequeño pueblo é um poço de história preservadíssima. Ainda não conheço todos, mas o fim de semana passado foi dedicado a conhecer Pedraza, uma vila pequena ao lado de Segóvia, a uma hora de Madrid, totalmente de pedra, como o nome sugere.

É antiguíssima, tudo indica que já havia ocupação celta no século IV a.C. Um local tão antigo e preservado transpira história. A ocupação romana na Idade Média é também relatada, bem como a muçulmana e posterior reconquista pelos reis católicos. Pelo que contam, era uma cidade de nobres. As igrejas de Santa María, de 1500, e a Románica de San Juan, com sua charmosíssima torre, estavam fechadas para visitação. A Vila recebeu há alguns anos os prêmios “C” de Turismo da Comunidade Autônoma de Castilla y León em 1993 e o Prêmio Europa Nostra em 1996.

Um dia é mais do que suficiente para conhecê-la. A maioria se hospeda em Segóvia, ou em Madri mesmo, e vai lá para passar o dia, embora haja vários alojamentos e pequenos hotéis tipo hospedarias na Vila – o de Santo Domingo, por exemplo, onde ficamos, é confortável, aconchegante e bem central. A gastronomia é saborosa, destacando-se o Cordeiro assado a lenha (simplesmente maravilhoso). Caminhar pela Vila (de tênis ou botas de salto baixo), entrar nas suas pequenas lojas, conhecer o El Castillo de Pedraza, La Plaza Mayor e mirar a paisagem é tudo de bom.

Nos dois primeiros sábados de julho, a vila celebra "la noche de las velas", uma noite em que se apagam as luzes do povoado e todos os habitantes e visitantes acendem velas. Dizem que é um espetáculo belo de se ver, e uma boa oportunidade de apreciar boa música, já que nas mesmas noites há um grande concerto.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Foi carnaval na Espanha

O carnaval no mundo de cá não passou em brancas nuvens. No sábado de Zé Pereira, havia algumas pessoas fantasiadas pela rua; soube que em Chueca, bairro madrileño que leva o nome do escritor, há uma rua que fecham e fazem algo a la espanhola, organizada por um grupo gay, e que ficou meio famoso, sendo reduto atual de todas as tribos. Não fui averigüar, lamentavelmente. O bairro é muito astral e interessante, cheio de gente bonita, bons bares e restaurantes (meio carinho, mas tá valendo).
Acabei improvisando algo aqui em casa mesmo para alguns vizinhos de pueblo. Foi divertido a seu modo. Tomamos muitas caipirinhas, dançamos frevo e samba, e até salsa, teve um pouco de tudo. E a minha grande surpresa, pedi a todos que viessem fantasiados e o fizeram em grande estilo. Já me perguntaram porque não faço outro no mesmo estilo para comemorar a entrada da primavera agora em março :).

Durante 40anos de domínio franquista, o carnaval foi proibido por aqui e pouco a pouco os espanhóis estão redescobrindo essa festividade internacional. Há havido alguns pontos de resistência. Dizem que Cádiz, ao sul Andaluz, pertinho da África, está entre os três maiores carnavais do mundo. Apenas os carnavais do Rio de Janeiro e de Trinidad (ilha da América Central, que junto com a de Tobago formam o país) parecem ultrapassá-lo - é que não conhecem o de Recife e de Salvador. Teve o seu início no século XVII. Veneza e Génova organizam até hoje celebrações carnavalescas anuais, muito chiques por sinal, e Cádiz decidiu adotar e engrandecer esta festa. Além da influência italiana, segundo contam, as tripulações de barcos espanhóis que viajavam para a América voltavam com numerosas influências musicais que ainda permanecem vivas atualmente. De qualquer forma, o carnaval atual é uma mistura de flamenco andaluz, ritmos africanos, samba e outros sons sul-americanos. Há também um espaço reservado na Praça da Catedral para atuações de grupos musicais espanhóis, inclusive de rock. Os carnavais espanhóis de Tenerife e de La Gran Canária também são famosos.

Apesar dessas novas referências, bateu aquela saudade. Assinamos Globo Sat e no melhor do Galo da Madrugada, a Globo Internacional interrompe a transmissão para passar Big Brother. Quase quebramos a tv de raiva. Segunda, terça e quarta de cinzas foram dias absolutamente normais, com aula e alguns compromissos meio chatinhos. É, fazer o qué?! Só nos contentando com os sites, que transmitem MAL, mas deixam aquele gostinho de quero VER mais. Maracatu, caboclinho, frevo, os espetáculos do Marco Zero, a brincadeira espontânea de Olinda, os tambores silenciosos, os frevos de bloco e suas marchas dos carnavais de antigamente, tudo isso que exalta Recife vai ter que esperar. Brincar mesmo, só no mundo de lá. Felizmente, tem todo ano. Este é o consolo.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Penélope, Alcobendas y o Oscar



O óscar de melhor atriz coadjuvante de Penélope Cruz pelo "Vicky Cristina Barcelona", direção de Woody Allen, continua notícia por aqui. Não vi a festa de premiação, o filme, ou seus concorrentes, mas vi uma parte de um noticiário que mostra a entrega do prêmio e o discurso da atriz, especialmente quando ela cita a cidade onde nasceu Alcobendas, a 13 km Norte de Madri. Depois da tal homenagem, não sei quem ficou mais famoso, Penélope, que já era uma celebridade, ou Alcobendas.
Não dou sorte. Ligo a TV - coisa raríssima, por sinal - e está a professora de Penélope relembrando, não sei como, das suas façanhas quando criança, ou o alcade (prefeito) de Alcobendas dando entrevista, ou os moradores orgulhosíssimos porque o "mundo" descobriu Alcobendas, afinal. Me lembrei muito do Domingão do Faustão e do seu breguíssimo arquivo confidencial.
Compreendo a euforia da cidade, mas lamento a maneira como a mídia se alimenta de coisas tão banais. O seu trabalho de atriz, o papel de Almodóvar na sua carreira, os bons filmes e péssimos - inclusive um que fez com o brasileiríssimo Murilo Benício -, já encenados, enfim, uma análise mais crítica e, sem dúvida, mais interessante passa a segundo ou terceiro planos.
Quanto ao prêmio, estou longe de ser uma crítica de cinema (ainda mais sem ter assistido ao filme, veja que audácia!), mas pelo meu ignorante ponto de vista, creio que ela não está ainda no roll das grandes atrizes, apesar de ter me alegrado com o seu êxito - morando aqui, a gente acaba torcendo mesmo, além do mais, ela é cría do fabuloso Almodóvar.
Penélope tem seu mérito, tem potencial e vem amadurecendo como profissional. Ah, mas isto também não importa, vocês ouviram os comentários sobre o seu vestido...? Y blá blá blá.

Lenine em Madrid

Lenine estará por aqui em 25 marzo, na sala Heineken. Vibrei com a notícia. Veja mais detalhes no Movida Brasileña (link no título).
Bom, pelo menos quebrei o silêncio. Lo siento por la auséncia por aqui. Só mesmo Lenine pra me fazer hablar. Depois te conto.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Prêmio Dardos



Pessoas, recebi de O Astronauta (blog sobre as experiências de João e sua super mãe Flávia, escrito de Barcelona), o Prêmio Dardos. Segundo a comandante da nave, "este prêmio visa a reconhecer os valores que cada blogueiro mostra a cada dia, seu empenho por transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais." Muchísimas gracias pela indicação. Além de tudo, é uma maneira de sabermos o que os próprios blogueiros estão lendo e assim podermos também fazer parte daquela comunidade virtual, e ainda indicar a outros. Bueno, como manda o regulamento, indico outros 5 blogs ao prémio, que a mi me gustan mucho:

Es Madrid no Madriz
Gosto da maneira como escreve, de suas críticas, sugestões. Muito legal. Um blog muito bom para respirar ares madrileños, mesmo a distáncia. Escrito de Madrid/España, obviamente.

Todo Madrid
Me mantém atualizada sobre o que está rolando de bom na cidade, o que tem de interessante pra se ver, conhecer, experimentar. Também escrito de Madri.

Dentro da Bota
Um blog escrito de "dentro da bota" européia. Dicas, turismo, arte, enfim, um apanhado geral sobre coisas interessantes a ver (e saber) sobre a Itália.

Coisa de Mãe
É inegável a relação afetiva, uma vez que é escrito por minha irmã, mas antes de você já ir julgando, dada a minha parcialidade, tire você mesmo suas conclusões. Ela é jornalista, conta as experiências da maternidade de maneira muito sensível, dá dicas importantes para marinheiros de primeira viagem, entrevistas com médicos, enfim. Tudo muito interessante. Escreve de Recife/Brasil.

GPS Mappa
Um blog criado e gerenciado por uma agência de São Paulo/Brasil, escrito por pessoas de toda parte do mundo. Habla sobre negócios, marketing, inovação, tecnologia e um montão de coisas interessantes que permeiam o mundo da comunicação. Merezce la pena pasar un vistazo. De vez em quando, também "dou o ar da minha graça" por ali, e escrevo algo que vejo de interessante sobre os temas citados. Outros escrevem de Portugal, Inglaterra, Arábia Saudita, Brasil, EUA, enfim.

São blogs que me encantan sinceramente, além de "o astronauta", que só não coloquei na lista acima para o caso de você ser brasileiro, não poder alegar "marmelada".

Mais sobre o prêmio e o que se pede aos agraciados:
- Exibir a imagem do selo em seu blog,
- Linkar o blog pelo qual você recebeu a indicação,
- Escolher outros 5 blogs a quem entregar o Selo Prêmio Dardos,
- Avisar aos escolhidos.

Bueno, es todo por hoy. A todos que lêem o "Mundo de cá", gracias.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Dieta Mediterránea



Muito bom se surpreender com um bom filme, não?! Depois de 6 anos indo ao cinema para ver Shrek, Madagascar, Bolt, etc., etc., etc., esperando que os bons filmes de adulto fossem lançados o mais rapidamente possível em vídeo, ou estivessem disponíveis na TV fechada, finalmente nos organizamos para podermos sair e assistir um filme em Madrid, longe do reizinho da casa. Não foi a primeira vez, mas são raras as oportunidades. Logo eu, que adoro cinema. Bueno, quando, mesmo tendo chegado 2 horas antes, vimos que o que nos restava era a primeira fila do filme selecionado (aqui, as cadeiras são marcadas e escolhidas na hora da compra), terminamos assistindo ao filme catalão "Dieta Mediterrânea" e nos deliciamos. Divertido, original, interessante, bons atores, enfim, recomendo. Não que esta não pudesse ter sido nossa primeira opção de cara, mas com tantos bons filmes Hollywoodianos dando sopa, muitos deles concorrendo ao Oscar, enfim, não resistimos aos apelos publicitários de Brad Pitt ou Tom Cruise. Afortunadamente, a sorte nos ajudou, e acabamos assistindo por casualidade ao filme espanhol. Nossa noite de inverno madrileño não poderia ter sido mais gostosa. !Que aprovechen!

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Carnaval e neve



Já é carnaval em Recife e a gente aqui nesta neve. Bueno, tentaremos celebrar assim mesmo. Enquanto não o fazemos, fiquem com as imagens do FFFFRRRRRRRRÍÍÍÍÍOOOOO que faz em Madri.














sábado, 31 de janeiro de 2009

Mais uma da estrangeira

Quando justo estava comemorando a minha capacidade (tardia) de adaptação, uma infeliz de uma camarera - garçonete - acaba com toda minha auto-estima de estrangeira semi-adaptada, justo agora em que eu estava me sentindo uma "quase española". Ao lhe pedir uma sugestão de prato, ela me disse que só gostava de um deles de toda a Carta, portanto, não era a mais indicada a me sugerir nada (bem, despreparadinha, segundo registrou oportunamente o meu marido, mas, pelo menos, honesta). Isto não foi nada, o interessante foi que a gentil atendente disse que ia resolver o meu problema, e me chega com o mesmo cardápio escrito em INGLÊS. Opções: 1. ela achava que eu não tinha conseguido ler o cardápio em espanhol e por isto pedi a sugestão, 2. percebeu o meu sotaque obviamente não espanhol, 3. as duas primeiras opções são verdadeiras, 4. a figurinha era meio sem-noção. Bueno, como a maioria dos garçons daquí também não são nativos, a pobre moça no fim só quis me ajudar. Quase que pedia o prato em inglês mesmo, mas deixei pra lá. Despreparadinha, a coitada, mas gentil.... Fazer o quê? Justo depois de ONTEM, dia em que minha aula de espanhol foi absolutamente dedicada à interpretação de textos técnicos em marketing, o que me fizeram me sentir a expert no idioma...! É. Pra terminar, a gentil, mas despreparadinha moça, não deve ter entendido o pedido de um simples café... Até hoje...Um dia, quem sabe ele chega. Talvez na próxima ida ao excelente lugar, de garçons gentis (o que é raríssimo), mas despreparadinhos.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

El sosiego de espíritu


Existem alguns acontecimentos que representam o grande e tão falado ponto de inflexão, aquele momento ímpar, que sem ter nem pra qué, APARECE, surge e se impõe. O momento da descoberta, enfim. A percepção deste ponto de inflexão que seguramente você não sabe ainda do que se trata, foi motivada por um simples hecho – feito, resolvi mudar a imagem da área de trabalho do meu computador, aquela imagem que assim que a gente liga o micro, está lá. É verdade que alguns não têm imagem, só um colorido e tal, mas... você entendeu. Bem, voltando. Já há algum tempo eu estava meio cansada da linda paisagem de Maragogi ornamentando a primeira tela do micro. Antes de Maragogi, já foram parar ali fotos de Noronha, Boa Viagem, tartaruga, golfinho, filho na praia, etc. Só que, de volta ao meu Mundo de cá, resolvi mudar essa imagem e escolhi justo as “torres gêmeas” de Madri. Bem, decisão tomada displicentemente, sem drama. E aí está o grande ponto de inflexão que explicarei mais à frente. Paciência, please., afinal, você chegou a ler até aqui, não vai morrer na praia, né?

Bueno, primeiro, sobre a foto: esta foto foi tirada há alguns meses, saindo da rodoviária de Chamartín, quando presenciei com uns amigos um belíssimo pôr do sol “enfeitando” os imponentes prédios. Não titubeei, foto na certa. Lindíssimas, as “torres” de arquitetura pós-moderna, exuberantes, são agora a minha porta de entrada para o mundo navegável da Internet sempre que resolvo estar online. Ao vivo e a cores, os prédios destoam um pouco da paisagem madrileña, é verdade, onde as construções são baixas e de estilo antigo, em sua maioria. Sobretudo a parte mais turística de Madri, que lembra o Velho Mundo, com seus edifícios de estilos clássicos, góticos, neoclássicos, renacentistas, e assim vai. Bom, contextualizado o tema, agora vem o susto e o ponto de inflexão percebido, finalmente.

Ontem, ao ligar o computador, me assustei com a troca. Cadê o mar, o sol, o MEU mundo? Sim, Espanha também tem mar, e muito, porém, NÃO onde vivo, NÃO O MMMMEEEUUUU marzão, etc. Bem, me dei conta imediatamente de que estava com o computador certo, que aquela foto tinha sido escolhida por mim há menos de dois dias e que, sim!, a escolha foi consciente e, por que não dizer, feliz!

Durante meses: falando, pensando e utilizando ícones sempre brasileiros predominantemente pernambucanos, aquela mudança tinha que significar alguma coisa. Comecei a observar a minha linguagem quando respondo sobre a Espanha aos curiosos brasileiros, quando falo sobre a minha vida no Mundo de cá, o tom usado, o jeito, as roupas, enfim, percebi que estou mais light, mais tranqüila mesmo com o meu novo estilo de vida, quase um pouquinho espanhola, o que não nega EM NADA a minha brasilidade.

Me dei conta de que ENFIM estou adaptada, seja lá o que isto significa exatamente. Me sinto menos estrangeira do que antes, e mais disposta hoje a vivenciar experiências não mais como uma alienígena que aterrissou em Madri. Enfim, um pouco de PAZ. Ou, como o relato de Saramago, es cierto que busco obstinadamente el sosiego de espíritu y, por ahora, tal vez lo tenga encontrado. Bom saber.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Tá valendo a viagem

Avaliando o ano meio mal acabado, leia-se: o ano que mal acabou, ou o ano que acabou mal – a Faixa de Gaza e o Boi Não Sei das Quantas, da novela das oito brasileira, que o digam – não pude deixar de registrar a satisfação em ter criado este blog. Foi um dos acontecimentos marcantes pra mim. Voltar a escrever, familiarizar-me mais com a Internet (sempre fui meio off line), registrar alguns acontecimentos, fotos, músicas… tornar tudo isso público, enfim, me faz lembrar da minha adolescência quando mantinha um diário onde relatava o que se passava. Adorava ilustrá-lo, colá-lo, era o máximo, a minha terapia. Pois é, voltei no tempo, só que mais tecnológica. Me encanta compartilhar as minhas percepções da Espanha, que possui um passado interessantísimo, cidades belíssimas e uma cultura tão peculiar. Imagino que à medida em que eu vá me adaptando, me aprofunde mais em outros temas ainda ñ abordados aqui. As pretensões com o blog sempre foram “desabafar”, segundo Vinicius ou Ferreira Goulart, ñ sei bem, quando vc escreve, joga o sentimento pro outro, pronto!, se livra dele e ya está. Também passo a criar cumplicidade com outros que se identificam com o que relato, ou simplesmente querem saber como estou. Não o enquadraria portanto num blog turístico nem de longe - para conhecer Madri, sem dúvida, outros sao mais competentes e ricos, como Todo Madrid, ou Es Madrid no Madriz, etc. Por isto, que defino "Mundo de cá" como um diário de bordo, mais adequado. Agora, à minha mala, agreguei as experiências de uma estudante de doutorado da UCM, o que promete vir a ser bem interessante, espero! Bem, bem-vindo a bordo, 2009 promete e tá valendo a viagem.

domingo, 25 de janeiro de 2009

2008, o ano que terminou, e uma viagem

Se não fosse pela minha tão esperada ida ao Mundo de lá, leia-se Recife, o rito de passagem da virada do ano, que sempre me encantou, teria passado em brancas nuvens. Apesar das confraternizações na minha rápida passagem pelo Brasil, ficou a impressão de que tudo caminha como sempre, no seu ritmo próprio, e que nao temos mais razoes para acreditar que AGORA SIM tudo vai ser diferente. Meio óbvio.
Também fiz minha fezinha por lá: rompí de branco, pasé un vistazo no meu mapa astral e coisas assim. Ou seja, mesmo as emoçoes ainda estando meio congeladas pelo frio de Madri, nao escapei de preservar alguns rituais que esquentam o coração e encheram de promessas esta criatura que vos escreve.
Agora, de volta a Madri, só me resta nostalgicamente dar finalmente o meu adeus a 2008 e tentar recomeçar uma nova etapa. Para o ano que terminou, só posso desejar que não morra de melancolia e tristeza por nao fazer mais parte do nosso tempo. É, 2008, tudo passa!... não só você, acredite. Tudo passa.

Clichês bregas me emocionam

Clichês me emocionam, fazer o quê? Quem, em sendo brasileiro, nunca rompeu o ano ao som de “este ano, quero paz no meu coração…” Nao cheguei a ouvi-la neste fim de ano, mas inevitavelmente, a música bem que veio à mente. Devo confessar que ficou um vazio,então. Talvez por isto. Será?

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Perdão pelo silêncio. Acontece

Estive off line durante um tempo. Estou no Mundo de lá e um pouco melancólica. Bueno, amanhã volto a Madri e espero voltar com ganas para voltar a escrever. Perdona. Acontece.