"A comunidade dos justos é estrangeira na terra, ela viaja e vive de fé no exílio e na mortalidade" (Sérgio Buarque de Holanda).
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Inquietude
Talvez dê pra perceber que estou um pouco inquieta. Quem acessa com freqüência, deve ter percebido que nas últimas semanas o blog tem adquirido cores, imagens e tons diferentes. Tudo ao contrário do que estudei sobre marcas. Essa é a grande vantagem de se ter um blog pessoal, você imprime a cor que quiser, de acordo com o seu bom (ou mau) humor, sem ter que dar satisfações. Bem... claro que me preocupo em dar satisfações, senão não estaria postando esta. É que não tem graça ter um blog que ninguém se interesse em ler, e sei que não tenho ajudado muito ao meu leitor, que deve se surpreender positiva (e negativamente) a cada novo acesso, nesses últimos tempos. Perdona. A ver se esse lay-out me agrada amanhã. Senão, já saberás...
sábado, 25 de outubro de 2008
Em boa companhia
Vinicius sempre viveu em muito boa companhia. E realmente, amigos são bienvenidos SEMPRE. Após tantos meses de solidão (ou semi), finalmente alguns amigos brasileiros estão vindo nos visitar. Interessante é que parece que resolveram vir em escala, vão uns, chegam outros. Ótima oportunidade para compartilhar experiências, revisitar Madri, conhecer alguns lugares até então ignorados, e passar um bom tempo papeando, bebericando, e nos divertindo. Realmente, com boas companhias, temos tido agradáveis momentos. Como dizem os espanhóis, estamos pasando muy bien. Meu filho, de 6 anos, tem reclamado um pouco já que a atenção a ele diminuiu consideravelmente, o que é natural. Tanto que ontem saiu com essa: "- Mamãe, eu não vou agüentar essa situação por muito tempo!", me deixando sem fala, como muitas outras vezes.
Bueno, dentre algumas coisas comuns a todos nós brasileiros, que vimos à Europa, chama sempre atenção: a conservação das vias públicas, a acessibilidade de quase TUDO - que inclui as pessoas com necessidades especiais, os monumentos sempre tão bem cuidados, o paisagismo ídem (segundo um amigo, "parece que todo dia tem um jardineiro retocando"), o transporte público de excelente qualidade, a segurança, a desigualdade social muito menor a olhos vistos, além de uma clara impressão de que os impostos são realmente revertidos, em grande medida, para criar o tão famoso bem-comum, promover uma melhor qualidade de vida para a população e tudo o mais que nos faz falta.
Algumas outras questões também valem registro: somos unânimes ao notar o alto índice de fumantes na cidade. Os bares sempre estão impregnados de fumaça, o que é lamentável, para eles, e principalmente para os não fumantes e ALÉRGICOS, como eu. Além disso, poucos restaurantes têm área reservada para fumantes, e quase nenhum proíbe o fumo.
Outra coisa, no mínimo, curiosa, é que além das pessoas dificilmente passarem muito tempo num determinado lugar, sempre estarem salindo de copas, de bar em bar, como "gatos madrileños", elas não curtem muito sentar-se. Nós, do Mundo de lá, leia-se Recife, quando entramos em qualquer bar, vamos logo procurando um lugarzinho para nos sentar, a não ser que estejamos numa boate ou em alguns outros locais específicos. Aqui, ficar em pé ao lado da barra ou balcão É O QUE HÁ. Foi justo quando estávamos conversando sobre isso, que resolvi registrar o fato aqui pra você, que lê meu blog. Chegamos a um bar, cheio de gente, a galera toda em pé, e as mesas vazias ao redor. Para ilustrar no blog, precisava tirar fotos. Diante de olhares desconfiados das pessoas desconhecidas do recinto, que naturalmente não se sentiram muito confortáveis ao ver uma estranha tirando fotos suas, uma amiga se predispôs a fingir que estava posando para mim, e assim me deu o pretexto para os tais clicks. Entre caras e bocas, segue o registro fotográfico da noite espanhola.
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Vai lá
AHHH! Também não deixe de prestigiar a palestra das 14h do dia 06/11: Monitoração e análise da mídia gerada pelo consumidor. Ela me chamou especial atenção, pois falará sobre como a revolução silenciosa dos blogs e dos conteúdos gerados por brasileiros de todas as idades e profissões está mudando o rumo da mídia, da publicidade e da comunicação. Influenciadores 2.0, quem são, como encontrá-los e como se comunicar com eles?
VAI LÁ! É na UFPE. Parece valer muito a pena.
domingo, 19 de outubro de 2008
Metamorfose
Sim, eu também modifiquei a música-vídeo. Até o fim do dia: quem sabe outra?!
Aí vai outra!!!!!!!!!!!!!
Marketing direto puro
Estava a caminho de Granada, quando me deparei com um Repsol. Por estas bandas, Repsol é sinônimo de posto de gasolina, ou será que era outro (isto é que é recall)?! Enfim. Não imaginava que justo ali encontraria uma mensagem bastante direta, marketing direto puro, e bem feito:
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Granada, Lorca e eu (y mi padre - dedico a ele)
A mi padre
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
Terra Estrangeira
.....................................................................
Também Adoro Cinema Brasileiro. http://www.adorocinemabrasileiro.com.br/filmes/terra-estrangeira/terra-estrangeira.asp
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Coisas da vida
- Veja, na íntegra, em http://www.coisademae.blog.br/, blog da minha irmã, Christianne Alcântara (nome pouco original, uma vez que me chamo Cristina, e levo o mesmo sobrenome, mas é que nossos pais não são marketeiros! melhor pra eles!):
"Acabou a campanha do meu pai a vereador do Recife e estou de volta. Não revelei antes o projeto em que estava envolvida para não parecer que estava querendo, por meio do meu blog, fazer campanha. Entretanto, agora, passado o período eleitoral, já posso revelar. Meu pai perdeu a eleição, mas nós (eu e ele) ganhamos em companheirismo. Gostaria muito que meu filho, um dia, viesse a sentir por mim metade do amor que sinto por meu pai. Para isso, eu precisaria ser para João Marcelo pelo menos metade do que meu pai é para mim. Não sei se isso é possível. Meu pai é grande, generoso demais, bom demais. Um grande homem. Fica a ressaca da derrota, mas fica a certeza de que, quando todo o resto nos falta, o amor mútuo entre pai e filha se torna ainda mais forte. Fica também a convicção de que esse elo não se quebrará jamais. Ontem, quando perdemos a eleição, tive a oportunidade de dizer tudo isso a meu pai. Provavelmente não o teria dito se tivéssemos ganho. Meu pai, na sua grandeza d´alma - como diria o poeta Fernando Pessoa, “tudo vale a pena quando a alma não é pequena” -, depois de me ouvir, respondeu: “É tão bom perder…”
Por Christianne Alcântara
domingo, 5 de outubro de 2008
Esperanças e utopias
............................................................................................
"Sobre as virtudes da esperança tem-se escrito muito e parolado muito mais. Tal como sucedeu e continuará a suceder com as utopias, a esperança foi sempre, ao longo dos tempos, uma espécie de paraíso sonhado dos cépticos. E não só dos cépticos. Crentes fervorosos, dos de missa e comunhão, desses que estão convencidos de que levam por cima das suas cabeças a mão compassiva de Deus a defendê-los da chuva e do calor, não se esquecem de lhe rogar que cumpra nesta vida ao menos uma pequena parte das bem-aventuranças que prometeu para a outra. Por isso, quem não está satisfeito com o que lhe coube na desigual distribuição dos bens do planeta, sobretudo os materiais, agarra-se à esperança de que o diabo nem sempre estará atrás da porta e de que a riqueza lhe entrará um dia, antes cedo que tarde, pela janela dentro. Quem tudo perdeu, mas teve a sorte de conservar ao menos a triste vida, considera que lhe assiste o humaníssimo direito de esperar que o dia de amanhã não seja tão desgraçado como o está sendo o dia de hoje. Supondo, claro, que haja justiça neste mundo. Ora, se neste nestes lugares e nestes tempos existisse algo que merecesse semelhante nome, não a miragem do costume com que se iludem os olhos e a mente, mas uma realidade que se pudesse tocar com as mãos, é evidente que não precisaríamos de andar todos os dias com a esperança ao colo, a embalá-la, ou embalados nós ao colo dela. A simples justiça (não a dos tribunais, mas a daquele fundamental respeito que deveria presidir às relações entre os humanos) se encarregaria de pôr todas as coisas nos seus justos lugares. Dantes, ao pobre de pedir a quem se tinha acabado de negar a esmola, acrescentava-se hipocritamente que “tivesse paciência”. Penso que, na prática, aconselhar alguém a que tenha esperança não é muito diferente de aconselhá-la a ter paciência. É muito comum ouvir-se dizer da boca de políticos recém-instalados que a impaciência é contra-revolucionária. Talvez seja, talvez, mas eu inclino-me a pensar que, pelo contrário, muitas revoluções se perderam por demasiada paciência. Obviamente, nada tenho de pessoal contra a esperança, mas prefiro a impaciência. Já é tempo de que ela se note no mundo para que alguma coisa aprendam aqueles que preferem que nos alimentemos de esperanças. Ou de utopias."
Por José Saramago
Aos poucos, este blog passa a ser feito por mais do que uma insone - euzinha, claro! - mas vai se desenhando com a contribuição de alguns amigos e parentes, que apesar de não comentarem muito, deixam interessantes contribuições na minha caixa de entrada.
Sinceros agradecimentos, desta vez, a Antônio, que diferentemente dos demais, também enriquece este blog com seus comentários, e que me passou o link de Saramago com o texto acima. Para ele, aquele abraço!, e boa noite!, ou, seria buenos dias?!
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Que dá miedo do miedo que dá
...........................................................................
Agradecimentos sinceros a Renata do Amaral, que teve muita paciência comigo ao me explicar como colocar o link do youtube assim, como vocês estão vendo agora. Ganhei meu dia, minha tarde, minha noite. Sem medo de ser feliz, agora posso encher esse blog de MÚSICA!!!! Coitados de vocês... que não me agüentarão mais :)
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Saudade
Em http://www.pensandoenlasmusaranas.com/2007/02/19/do-carnaval-e-outras-musaranas/: "Disculpen los hispanoparlantes, pero hay cosas que sólo suenan bien en un determinado idioma. Escuchar un “te amo” es bonito; pero “amore, ti voglio bene” es imbatible. También se puede decir de muchas maneras en muchos idiomas, pero no hay sentencia más verdadera en su irrefutable brevedad que “shit happens”. “Saudade“, es una palabra en portugués que no tiene traducción exacta en ninguna otra lengua, quizás porque expresa una emoción muy particular, que no es necesariamente triste ni alegre y que está profundamente enraizada en el alma de un pueblo. Cuando un brasileño está “morrendo de saudade”, se toma una cachaçinha. Cuando un argentino está “con un poco de nostalgia”, se toma un Prozac."
Hoje é o cumpleaños de mi hermana. Parabéns, minha linda! Que Saudade! Uma cachacinha, por favor!
terça-feira, 23 de setembro de 2008
Um pedacinho do Egito em Madri
Próximo ao Parque do Oeste, no final do Paseo del Pintor Rosales, podemos encontrar o Templo de Debot, um pedacinho do Egito em Madri. O Templo foi uma doação do Egito à Espanha, em 1968, pela colaboração desta na conservação de outro templo egípcio Abu Simbel, em Núbia, das águas do rio Nilo. Abu Simbel estava ameaçado devido à construção da represa de Asuán.
Bueno, para o Egito, um templo a mais ou a menos não faz tanta diferença assim; já para Madri, é um refúgio interessante, principalmente aproveitar o parque onde ele foi instalado. Fica a dica para uma tarde ensolarada de domingo, de preferência.
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
A volta da estrangeira e a Noche en Blanco
terça-feira, 9 de setembro de 2008
O salvador de formigas
Ontem, estava voltando para casa com meu filho, quando me surpreendi com um pulo que ele deu para não pisar em certa coisa. Perguntei o que era:
- Era uma fila de formigas, mamãe! Você não viu?
- Não. Mas o caçador de formigas agora está salvando-as?! - perguntei intrigada. Ele me respondeu:
- É que sou caçador lá em casa, para salvar nossas coisas, nossa comida. Aqui fora, temos que salvar o planeta!
Ah, bom! Agora entendi.
É, bem já dizia Clarice, os filhos são mesmo uma surpresa para a gente.
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
O ataque das formigas
Nunca imaginei que eu viria para a Espanha para me especializar justo em hormigas. Sim, é o que você está pensando mesmo, aquele bichinho asqueroso, minúsculo, que em bando provoca um incômodo danado! Desde que voltamos do Brasil, a minha casa está surpreendentemente empestada de formigas. Já procuramos em tudo e não encontramos nada que justificasse o fato. Quando me levanto, já vou procurá-las. Meu filho estava insistentemente me pedindo um irmão, depois de tantas lacônicas do tipo: é, talvez, pode ser, vamos ver, quem sabe, ele percebeu a dúvida e resolveu pedir algo mais fácil, um cachorro ou bicho de estimação. De repente tive uma idéia que a mim me pareceu criativa inicialmente: fazer das formigas da casa sua(s) mascote(s). Depois de pensar um pouco mais, desisti da idéia. O problema é que isso poderia dar um nó na cabeça do menino, pois nossa melhor diversão em casa tem sido caçar formigas! Preocupada em acabar criando um filho psicótico, cuja diversão é matar seu bicho de estimação, logo vi que não estou “batendo muito bem” mesmo. Sempre achei que criatividade e loucura estivessem intimamente associadas.
“Los formícidos u hormigas (Formicidae) son una familia de insectos himenópteros. Son uno de los grupos zoológicos más exitosos, destacando su socialización y su capacidad para formar colonias. Se conocen más de 12.000 especies. Las hormigas ocupan todas las regiones biogeográficas del mundo y son capaces de adaptarse a los más lugares inhóspitos, soportando desde los –40ºC de de la tundra ártica a los 70ºC de los más ardientes desiertos. (…) La comunicación entre las hormigas se produce principalmente a través de feromonas. Debido a que la mayoría de los tipos de hormigas están todo el tiempo en contacto con el suelo, estos mensajes químicos están más desarrollados en ellas. De este modo, por ejemplo, cuando una hormiga recolectora encuentra una fuente de alimento, deja un rastro químico en el suelo en su camino de vuelta a casa. Cuando se encuentra con otras hormigas, les comunica el hallazgo regurgitando parte del alimento y las invita a seguir el rastro mediante señales táctiles. Cuando éstas vuelven también al hormiguero, refuerzan el rastro, atrayendo así a más hormigas, hasta que la comida se termina, de forma que a partir de ese momento el rastro no es reforzado y se disipa lentamente.”
Bueno, o que mais me chamou a atenção foi que elas podem suportar até 70 graus C, o que me causou uma preocupação adicional: estariam todas as formigas VIVAS dentro do saco do aspirador de pó?! Eis uma preocupação relevante! Tive um ímpeto momentâneo de ir à despensa e abri-lo para conferir. Depois, preocupada com uma revolução que talvez pudessem ter maquinado lá dentro contra seus inimigos, nós, imaginando encontrá-las todas a postos, esperando a grande oportunidade para saírem em liberdade, desisti da idéia e decidi que é melhor guardar minha curiosidade científica para o doutorado em marketing. Enquanto isso, vamos convivendo o resto do verão com elas, quando acumulam alimento para passarem o inverno fartas e bem aquecidas nas suas casinhas, fazendo aquela festança.
Se você não pode com o inimigo, junte-se a ele. Mudei então de estratégia. Passei a imaginar qual sua comida predileta para comprá-la e deixá-la à disposição. Afinal, teríamos finalmente nosso bicho de estimação, ao menos durante o escaldante verão madrileño que já começa a nos dar adíos. É! Esta talvez seja outra idéia bem criativa...
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
A Estrangeira e as Maquininhas 2
Quem acompanha o blog já deve saber das minhas poucas habilidades tecnológicas (post "A estrangeira e as maquininhas") e culinárias (post "Ana Maria Braga"). Pois bem, já pensaram o que acontece quando eu preciso usar um aparatozinho desses da modernidade para cozinhar? Isso mesmo: um estresse! Aliás, sempre me considerei uma pessoa relativamente paciente, porém, tenho chegado à conclusão de que a percepção que cultivamos de nós mesmos depende muito das experiências que passamos, e do quanto nos deparamos e reagimos ao novo. Surpreendemo-nos positiva ou negativamente com nós mesmos a cada nova situação vivenciada. Bueno, ultimamente talvez tenha me estressado por pouca coisa, mas já imaginaram quando o dito aparato modernoso é justo o fogão! E o pior é que ele é um meio termo entre o moderno e o antigo. Não tem nada pior do que "o que é e não é", ou que "parece ser e não é", ou "é e não parece ser". Explico-me: é de vitrilho, porém a gás! Explicando melhor ainda, bem didática, para aqueles que como eu não estão muito acostumados com essas coisas: ele é daquele tipo que é acoplado ao balcão, duas bocas, bonito e aparentemente moderno, porém, para você ligar exige uma dose extra de paciência, pois não é elétrico e tampouco reage à nossa antiga caixa de fósforos ou isqueiro, sacou?! Então, há um “jeitinho”, que já percebi que não é o tão propagado “jeitinho brasileiro”, que o faz funcionar. É outro tipo de jeitinho, mais complexo, chamado de manha, paciência, determinação ou mandinga espanhola para o tanto de liga-desliga que se faz necessário para que ele finalmente funcione. Até mesmo quando ele começa a funcionar é difícil de perceber, pois o início se dá com uma pequena e delicada chama, facilmente imperceptível devido ao brilho do vitrilho, sacou de novo?! Quando penso que vou cozinhar no fogão de vitrilho não elétrico?! Não dá outra: Burguer King de novo! Ai que saudade do meu antigão, que quase sempre pedia o velho e bom fósforo, uma das melhores invenções da humanidade! Que saudade!
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
Aconteceu em Mallorca
Bueno, falando um pouco da moda praia de Mallorca, posso dizer que havia de tudo: muito "asa delta", alguns "fios dentais", havia ainda aqueles biquinis com crise existencial -que você não sabe se era um projeto de maiô que faltou pano, ou que a figura emagreceu muito e aí o tecido ficou meio..., digamos, "fofinho"- enfim, havia de tudo. E, ao contrário do que eu imaginava, alguns biquinis até bem bonitos! - perdão pela sinceridade, mas os europeus e americanos nunca foram muito fashion no quesito traje de banho, daí minha surpresa.
O mais comum, no entanto, era a famosa calcinha grande e... "top less". Nunca vi tanto peito! O legal no entanto é que pareciam de verdade, não tinham cara de silicone, haja visto que o que tinha de peito caído e pequeno?! não é brincadeira! Fiquei feliz com o fato. Me pareceu mais natural do que a onda brasileira de mulheres siliconadas. Inclusive, posso dizer que a galera está em geral mais para sarada, magra, sem celulite - inclusive as mais velhas - do que para o tipo gordinha-sedentária-não-tô-nem-aí (categoria que me encaixaria perfeitamente, se não fosse o "gordinha", ou será que estou?!). E as tatuagens? Ah, sim! Estas, tanto quanto no Brasil, ornam os mais distintos corpos, das mais diferentes idades, nos mais inimagináveis locais. Imagino!
Estava eu, displicentemente pensando sobre o assunto, quando, de repente, a uns 20 metros de mim, na Cala Mondragó, uma mulher de 40, chega vagarosamente com sua bolsa de praia. Logo após, um homem se aproxima - imagino eu, seu companheiro. Ela estende sua toalha na areia, e...assim, sem mais nem menos... tira completamente a roupa. Sim, ela fica completamente nua por alguns segundos. Pasmem! Bem, eu fiquei pasma! Pouco depois, muito tranqüilamente, veste a ENORME, enorme mesmo, calcinha de biquini na nossa frente! Tudo da forma mais natural possível. O distinto cavalheiro, aparentemente acostumado com a cena, nem aí para ajudá-la a ser mais discreta, segurar uma toalha para desfarçar, lo que sea... Fiquei chocada! Não quero dar uma de puritana, mas não me pareceu muito comum. Começamos a debater sobre se aquilo era um bom sinal, uma percepção absolutamente natural sobre a nudez, ou uma inadequação total, falta de sensibilidade cultural ou sei lá o quê, afinal, havia banheiros muito próximos, não era uma praia de nudismo, muitas crianças ao redor, idosos e tudo mais. Enfim, várias alternativas existiam para que a mulher evitasse a cena. O strip tease era absolutamente desnecessário. Bem, a discussão momentânea contudo não me ajudou muito a tirar alguma conclusão definitiva. Ah, e vocês pensam que era alguma Pamela Anderson orgulhosa por mostrar seus dotes femininos? De jeito nenhum, uma figurinha bastante normal, para não dizer, feiosa.
Bem, já percebo que não consigo aprofundar o debate, me dedicarei a outro assunto relacionado. A ver... Ah! Como as pessoas desfrutam a praia alí.
Há pessoas desfilando, outras jogando algum esporte, crianças brincando na areia, outros nadando, tudo seguindo o script de qualquer praia do mundo, suponho! No entanto, o que me chamou atenção é que as pessoas em geral estão juntas, porém, separadas. Me explico: dormindo, lendo, tomando sol, bocejando, observando... na maioria das vezes, meio mudas. Achei bastante diferente de nosotros no Mundo de lá, que aproveita a ocasião para "tomar uma", conversar, comer, enfim, para nós, brasileiros, a praia é um ambiente social. Claro que existem as praias não urbanas, mais desertas e tranqüilas. Ainda assim é um ambiente mais alegre e menos para relax do que me pareceu em Palma. Enfim, me chamou atenção. Durante toda a tarde, após tomar uma única cerveja conseguida num bar próximo, também relaxei enfim, desisti da bebedeira, e tentei desfrutar a la europea. Um amigo nosso nos trouxe um pão com jamon, que, diga-se de passagem, não provei, e pronto! Estava eu e toda a Cala como lagartixas torrando ao sol, tentando um bonito bronzeado. O problema é que, no meu caso, após me ensopar de filtro solar de número 30! Fazer o quê?! Bem que eu podia ter tentado um top less assim meio rápido para ver qual é a sensação, mas brasileiro que é brasileiro é meio tímido. Bem, quem sabe na próxima....
Finalmente Palma
Palma é a capital da Comunidade Autônoma das Ilhas Baleares, que correspondem às ilhas Mallorca, Menorca, Ibiza e Formentera. Nas Islas Baleares, o castellano é a língua materna da maioria da população, seguida pelo catalão.
Palma, na ilha de Mallorca, é a maior cidade do arquipélago. Chamada de Isla Mayor pelos antigos romanos, com pouco mais de 400.000 habitantes atualmente, está situada a 550 km de Madri. De clima temperado mediterrâneo, que varia geralmente de 150 C no inverno de janeiro (já tendo tido uma mínima de 3,50 C), até mais ou menos 31o C no verão de agosto. Com 51 dias de chuva ao ano, 2756 horas de sol, raros episódios de neve no inverno, é sem dúvida um dos principais destinos da Europa e, disparadamente, é o lugar mais visitado da Espanha.
Realmente, estar próximo à praia me encanta. Tudo parece mais leve. O clima, falando no sentido da atmosfera psicológica, me parece mais ameno, tranqüilo e, ao mesmo tempo, cheio de promessas.
As belíssimas praias de Mallorca, de areia branca e fina, água cristalina e relativamente morna (sou muito friorenta), e clima agradável são atrativos durante todo o ano. Lembrei-me muito do Mundo de lá, apesar de todas as diferenças. Lamentavelmente, os espanhóis têm perdido espaço nessa região do país. Segundo matéria do El País, já a denominam de “ilha dos alemães” devido à quantidade de alemães que vive ali, especialmente na praia de Arenal. Nada contra os alemães, no entanto, sem dúvida há uma certa perda de identidade espanhola meio óbvia: placas de sinalização em alemão, rádios cujos locutores falam alemão, restaurantes, e por aí vai. Bem, de qualquer forma me identifiquei muito com a região, inclusive, a Duquesa de Palma de Mallorca leva meu nome: Infanta Cristina, e recebeu o título, concedido pelo Rei, por ocasião de seu casamento com Don Iñaki Urdangarín. Tudo muito chique!
Além das belíssimas praias, Mallorca reúne vários monumentos históricos, como o Palácio de la Almudaina, a Catedral de Palma, e o Castillo de Bellver, este último, considerado uma das edificações mais impressionantes e invencíveis do Mar Mediterrâneo. O Palácio, situado no Centro de Palma, data da época da ocupação muçulmana e foi residência de monarcas. Fica em frente à Catedral de estilo gótico. Do período árabe, ainda restam algumas construções, os banhos árabes, e sabe-se que há uma cidade árabe enterrada embaixo da cidade atual.
Outra atração turística é Son Abrines, junto a Cala Major de Palma, onde foi a residência definitiva de Joan Miró. Atualmente abriga a Fundación Pilar y Joan Miró. Ele viveu ali com sua esposa, Pilar Juncosa, desde o ano de 1956 até sua morte, em 1983. Chegaram a Mallorca fugidos das tropas alemães que invadiram Paris. Ele, que era filho de catalão com uma maiorquina, veraneava na ilha desde sua infância. Foi aí que Miró, em plena maturidade artística, produziu telas de grandes dimensões: el tríptico “Bleu I, II, III”, que hoje se encontram expostos no Museu de Arte Moderna de Nova York.
Bem, apesar de tanta coisa para conhecer, priorizamos as belas paisagens e praias. Os monumentos, Fundação e museus ficarão para uma próxima visita, se Deus quiser! Dentre as paisagens e praias mais bonitas destaco: Cala Mondragó em Santayí, Cala Pí, Sóller, Porto Cristo, Pollença e Valldemossa. Para quem gosta de pérolas, em Manacor há lindas pérolas que são fabricadas aritificialmente na região. Eu, particularmente, as acho muito clássicas, não combinam muito com meu estilo, mas não resta dúvidas que são maravilhosas.
Sugiro ainda visitar as Cuevas Del Drag. Bem, este último ponto turístico merece menção honrosa... esperem pelo post correspondente. Tcham tcham tcham tcham...
sábado, 23 de agosto de 2008
As férias de verão
Durante o primeiro semestre, em virtude da fase de adaptação à Espanha, e, em especial, do nosso filho estar começando no colégio, viajamos muito pouco. No entanto, estamos aproveitando as férias de verão, quando Madri está bem mais deserta do que o habitual, para conhecermos um pouco os seus arredores. Assim, fomos a Soto Real (uma pequena cidade serrana aqui perto), Segóvia, e Palma de Mallorca, esta última, como já disse, fizemos o trajeto, de uma hora, de avião. Antes de falar de Palma, e mostrar suas lindas paisagens, vale ressaltar a importância das férias para os espanhóis, ou melhor, para os europeus, em geral.
No Brasil, é muito freqüente as pessoas venderem suas férias, gozá-las de pouquinho em pouquinho, ou simplesmente permanecerem trabalhando durante todo o ano. Creio que, neste aspecto, a relação dos espanhóis com o trabalho é mais saudável. Claro que a questão salarial pesa, uma vez que ganham melhor, podem se dar o luxo de saírem de férias e, sobretudo, de viajarem, já que tudo é tão perto. Mas creio que é mais que isso. É também cultural. Estivemos há 2 anos em Paris, nesta mesma época, e não era raro encontrar uma loja fechada com um aviso de que estavam de férias, informando quando voltariam a trabalhar. Outro fato é que, possivelmente em função da mão-de-obra brasileira ser bem mais barata, as lojas não fecham, se alguém sai de férias, outro funcionário pode ser contratado temporariamente. Aqui, salvo os grandes estabelecimentos comerciais, muitas lojas são geridas por grupos familiares, que saem de férias no mesmo período e, portanto, simplesmente não abrem suas portas. Enfim, pelas viagens que já fizemos, e pela experiência de outros amigos, não creio ser exagero dizer que a Europa pára um pouco durante o verão. Há os turistas, é verdade, e uma parcela da população que não viaja, sobretudo, a que vive do turismo, mas, mesmo no centro de Madri, se vê bem menos gente que o habitual.
Há também o fator clima. Agora está mais fresco, mas assim que voltei do Brasil, o termômetro facilmente marcava 40 graus, num clima super seco. As pessoas fogem desse calor, crêem que é mais fácil se protegerem do frio, já do calor, não tanto, sobretudo quando elegeram as calles (ruas) como seu grande point.
Definitivamente, é uma época que não recomendo vir a Madri, que fica muito menos interessante. Apesar das piscinas estarem abertas, do clima estar mais favorável para nosotros brasileños que estamos mais acostumados com o calor, do trânsito estar fluido, e estacionamentos, vazios (normalmente, um problema no dia-a-dia madrileño), assim mesmo, não vale a pena. Estamos dando um jeito de também nos ausentarmos da cidade sempre que possível.
Tragédia em Madri
Com esse título, não quis ser sensacionalista como os jornais, mas não consegui descrever de outra forma o que se passou recentemente em Madri, em virtude da queda do avião da Spanair no aeroporto de Barajas, na última quarta-feira, a caminho de Palmas, nas Ilhas Canárias. Inicialmente, imaginei que o avião estava indo para Palma de Mallorca, no Mar Mediterrâneo, uma das Ilhas Baleares, nosso destino há uma semana, quando aproveitamos o feriado madrileño 15 de agosto (dia de La Virgen de La Paloma) para passarmos alguns dias na praia.
Em função da confusão de nomes, me senti uma passageira com muito a comemorar, poderia ter sido conosco (arrepios)! Na verdade, nos sentimos como aquele passageiro que desiste de última hora de fazer o percurso e, por sorte, ganha mais uma oportunidade para continuar seu caminho. O fato de não ter sido conosco, ou com alguém conhecido, não alivia, no entanto, a comoção por tamanha tragédia.
Nunca havia tido nenhum acidente do tipo com a companhia espanhola Spainair, e lamentamos a fatalidade, que provocou 153 mortos, dentre eles, 22 crianças, e 19 feridos graves que ainda se encontram nos hospitais de Madri.
Luto na Espanha, pronunciamentos mil, inclusive do presidente espanhol, e apuração dos fatos. Só nos resta rezar! Que o diga minha mãe, que voltou a ir à missa, no Brasil, para agradecer por nossa tranqüila viagem a Palma... de Mallorca. Gracias a Dios!