sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Aconteceu em Mallorca











Sempre ouvi comentários sobre o traje de banho dos brasileiros. Que a mulher brasileira se expõe muito na praia (e fora dela), que os homens vestem sunga e não bermudão, que o fio dental tem uso generalizado, e perê rê rá rá rá.

Bueno, falando um pouco da moda praia de Mallorca, posso dizer que havia de tudo: muito "asa delta", alguns "fios dentais", havia ainda aqueles biquinis com crise existencial -que você não sabe se era um projeto de maiô que faltou pano, ou que a figura emagreceu muito e aí o tecido ficou meio..., digamos, "fofinho"- enfim, havia de tudo. E, ao contrário do que eu imaginava, alguns biquinis até bem bonitos! - perdão pela sinceridade, mas os europeus e americanos nunca foram muito fashion no quesito traje de banho, daí minha surpresa.

O mais comum, no entanto, era a famosa calcinha grande e... "top less". Nunca vi tanto peito! O legal no entanto é que pareciam de verdade, não tinham cara de silicone, haja visto que o que tinha de peito caído e pequeno?! não é brincadeira! Fiquei feliz com o fato. Me pareceu mais natural do que a onda brasileira de mulheres siliconadas. Inclusive, posso dizer que a galera está em geral mais para sarada, magra, sem celulite - inclusive as mais velhas - do que para o tipo gordinha-sedentária-não-tô-nem-aí (categoria que me encaixaria perfeitamente, se não fosse o "gordinha", ou será que estou?!). E as tatuagens? Ah, sim! Estas, tanto quanto no Brasil, ornam os mais distintos corpos, das mais diferentes idades, nos mais inimagináveis locais. Imagino!

Estava eu, displicentemente pensando sobre o assunto, quando, de repente, a uns 20 metros de mim, na Cala Mondragó, uma mulher de 40, chega vagarosamente com sua bolsa de praia. Logo após, um homem se aproxima - imagino eu, seu companheiro. Ela estende sua toalha na areia, e...assim, sem mais nem menos... tira completamente a roupa. Sim, ela fica completamente nua por alguns segundos. Pasmem! Bem, eu fiquei pasma! Pouco depois, muito tranqüilamente, veste a ENORME, enorme mesmo, calcinha de biquini na nossa frente! Tudo da forma mais natural possível. O distinto cavalheiro, aparentemente acostumado com a cena, nem aí para ajudá-la a ser mais discreta, segurar uma toalha para desfarçar, lo que sea... Fiquei chocada! Não quero dar uma de puritana, mas não me pareceu muito comum. Começamos a debater sobre se aquilo era um bom sinal, uma percepção absolutamente natural sobre a nudez, ou uma inadequação total, falta de sensibilidade cultural ou sei lá o quê, afinal, havia banheiros muito próximos, não era uma praia de nudismo, muitas crianças ao redor, idosos e tudo mais. Enfim, várias alternativas existiam para que a mulher evitasse a cena. O strip tease era absolutamente desnecessário. Bem, a discussão momentânea contudo não me ajudou muito a tirar alguma conclusão definitiva. Ah, e vocês pensam que era alguma Pamela Anderson orgulhosa por mostrar seus dotes femininos? De jeito nenhum, uma figurinha bastante normal, para não dizer, feiosa.

Bem, já percebo que não consigo aprofundar o debate, me dedicarei a outro assunto relacionado. A ver... Ah! Como as pessoas desfrutam a praia alí.

Há pessoas desfilando, outras jogando algum esporte, crianças brincando na areia, outros nadando, tudo seguindo o script de qualquer praia do mundo, suponho! No entanto, o que me chamou atenção é que as pessoas em geral estão juntas, porém, separadas. Me explico: dormindo, lendo, tomando sol, bocejando, observando... na maioria das vezes, meio mudas. Achei bastante diferente de nosotros no Mundo de lá, que aproveita a ocasião para "tomar uma", conversar, comer, enfim, para nós, brasileiros, a praia é um ambiente social. Claro que existem as praias não urbanas, mais desertas e tranqüilas. Ainda assim é um ambiente mais alegre e menos para relax do que me pareceu em Palma. Enfim, me chamou atenção. Durante toda a tarde, após tomar uma única cerveja conseguida num bar próximo, também relaxei enfim, desisti da bebedeira, e tentei desfrutar a la europea. Um amigo nosso nos trouxe um pão com jamon, que, diga-se de passagem, não provei, e pronto! Estava eu e toda a Cala como lagartixas torrando ao sol, tentando um bonito bronzeado. O problema é que, no meu caso, após me ensopar de filtro solar de número 30! Fazer o quê?! Bem que eu podia ter tentado um top less assim meio rápido para ver qual é a sensação, mas brasileiro que é brasileiro é meio tímido. Bem, quem sabe na próxima....

Finalmente Palma






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Palma é a capital da Comunidade Autônoma das Ilhas Baleares, que correspondem às ilhas Mallorca, Menorca, Ibiza e Formentera. Nas Islas Baleares, o castellano é a língua materna da maioria da população, seguida pelo catalão.

Palma, na ilha de Mallorca, é a maior cidade do arquipélago. Chamada de Isla Mayor pelos antigos romanos, com pouco mais de 400.000 habitantes atualmente, está situada a 550 km de Madri. De clima temperado mediterrâneo, que varia geralmente de 150 C no inverno de janeiro (já tendo tido uma mínima de 3,50 C), até mais ou menos 31o C no verão de agosto. Com 51 dias de chuva ao ano, 2756 horas de sol, raros episódios de neve no inverno, é sem dúvida um dos principais destinos da Europa e, disparadamente, é o lugar mais visitado da Espanha.

Realmente, estar próximo à praia me encanta. Tudo parece mais leve. O clima, falando no sentido da atmosfera psicológica, me parece mais ameno, tranqüilo e, ao mesmo tempo, cheio de promessas.

As belíssimas praias de Mallorca, de areia branca e fina, água cristalina e relativamente morna (sou muito friorenta), e clima agradável são atrativos durante todo o ano. Lembrei-me muito do Mundo de lá, apesar de todas as diferenças. Lamentavelmente, os espanhóis têm perdido espaço nessa região do país. Segundo matéria do El País, já a denominam de “ilha dos alemães” devido à quantidade de alemães que vive ali, especialmente na praia de Arenal. Nada contra os alemães, no entanto, sem dúvida há uma certa perda de identidade espanhola meio óbvia: placas de sinalização em alemão, rádios cujos locutores falam alemão, restaurantes, e por aí vai. Bem, de qualquer forma me identifiquei muito com a região, inclusive, a Duquesa de Palma de Mallorca leva meu nome: Infanta Cristina, e recebeu o título, concedido pelo Rei, por ocasião de seu casamento com Don Iñaki Urdangarín. Tudo muito chique!

Além das belíssimas praias, Mallorca reúne vários monumentos históricos, como o Palácio de la Almudaina, a Catedral de Palma, e o Castillo de Bellver, este último, considerado uma das edificações mais impressionantes e invencíveis do Mar Mediterrâneo. O Palácio, situado no Centro de Palma, data da época da ocupação muçulmana e foi residência de monarcas. Fica em frente à Catedral de estilo gótico. Do período árabe, ainda restam algumas construções, os banhos árabes, e sabe-se que há uma cidade árabe enterrada embaixo da cidade atual.

Outra atração turística é Son Abrines, junto a Cala Major de Palma, onde foi a residência definitiva de Joan Miró. Atualmente abriga a Fundación Pilar y Joan Miró. Ele viveu ali com sua esposa, Pilar Juncosa, desde o ano de 1956 até sua morte, em 1983. Chegaram a Mallorca fugidos das tropas alemães que invadiram Paris. Ele, que era filho de catalão com uma maiorquina, veraneava na ilha desde sua infância. Foi aí que Miró, em plena maturidade artística, produziu telas de grandes dimensões: el tríptico “Bleu I, II, III”, que hoje se encontram expostos no Museu de Arte Moderna de Nova York.

Bem, apesar de tanta coisa para conhecer, priorizamos as belas paisagens e praias. Os monumentos, Fundação e museus ficarão para uma próxima visita, se Deus quiser! Dentre as paisagens e praias mais bonitas destaco: Cala Mondragó em Santayí, Cala Pí, Sóller, Porto Cristo, Pollença e Valldemossa. Para quem gosta de pérolas, em Manacor há lindas pérolas que são fabricadas aritificialmente na região. Eu, particularmente, as acho muito clássicas, não combinam muito com meu estilo, mas não resta dúvidas que são maravilhosas.

Sugiro ainda visitar as Cuevas Del Drag. Bem, este último ponto turístico merece menção honrosa... esperem pelo post correspondente. Tcham tcham tcham tcham...

sábado, 23 de agosto de 2008

As férias de verão

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Palma de Mallorca


Durante o primeiro semestre, em virtude da fase de adaptação à Espanha, e, em especial, do nosso filho estar começando no colégio, viajamos muito pouco. No entanto, estamos aproveitando as férias de verão, quando Madri está bem mais deserta do que o habitual, para conhecermos um pouco os seus arredores. Assim, fomos a Soto Real (uma pequena cidade serrana aqui perto), Segóvia, e Palma de Mallorca, esta última, como já disse, fizemos o trajeto, de uma hora, de avião. Antes de falar de Palma, e mostrar suas lindas paisagens, vale ressaltar a importância das férias para os espanhóis, ou melhor, para os europeus, em geral.

No Brasil, é muito freqüente as pessoas venderem suas férias, gozá-las de pouquinho em pouquinho, ou simplesmente permanecerem trabalhando durante todo o ano. Creio que, neste aspecto, a relação dos espanhóis com o trabalho é mais saudável. Claro que a questão salarial pesa, uma vez que ganham melhor, podem se dar o luxo de saírem de férias e, sobretudo, de viajarem, já que tudo é tão perto. Mas creio que é mais que isso. É também cultural. Estivemos há 2 anos em Paris, nesta mesma época, e não era raro encontrar uma loja fechada com um aviso de que estavam de férias, informando quando voltariam a trabalhar. Outro fato é que, possivelmente em função da mão-de-obra brasileira ser bem mais barata, as lojas não fecham, se alguém sai de férias, outro funcionário pode ser contratado temporariamente. Aqui, salvo os grandes estabelecimentos comerciais, muitas lojas são geridas por grupos familiares, que saem de férias no mesmo período e, portanto, simplesmente não abrem suas portas. Enfim, pelas viagens que já fizemos, e pela experiência de outros amigos, não creio ser exagero dizer que a Europa pára um pouco durante o verão. Há os turistas, é verdade, e uma parcela da população que não viaja, sobretudo, a que vive do turismo, mas, mesmo no centro de Madri, se vê bem menos gente que o habitual.

Há também o fator clima. Agora está mais fresco, mas assim que voltei do Brasil, o termômetro facilmente marcava 40 graus, num clima super seco. As pessoas fogem desse calor, crêem que é mais fácil se protegerem do frio, já do calor, não tanto, sobretudo quando elegeram as calles (ruas) como seu grande point.

Definitivamente, é uma época que não recomendo vir a Madri, que fica muito menos interessante. Apesar das piscinas estarem abertas, do clima estar mais favorável para nosotros brasileños que estamos mais acostumados com o calor, do trânsito estar fluido, e estacionamentos, vazios (normalmente, um problema no dia-a-dia madrileño), assim mesmo, não vale a pena. Estamos dando um jeito de também nos ausentarmos da cidade sempre que possível.
Bem, quanto à Mallorca, aguardem o próximo post. Essa, vale super a pena! Especialmente, no verão.

Tragédia em Madri

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Com esse título, não quis ser sensacionalista como os jornais, mas não consegui descrever de outra forma o que se passou recentemente em Madri, em virtude da queda do avião da Spanair no aeroporto de Barajas, na última quarta-feira, a caminho de Palmas, nas Ilhas Canárias. Inicialmente, imaginei que o avião estava indo para Palma de Mallorca, no Mar Mediterrâneo, uma das Ilhas Baleares, nosso destino há uma semana, quando aproveitamos o feriado madrileño 15 de agosto (dia de La Virgen de La Paloma) para passarmos alguns dias na praia.

Em função da confusão de nomes, me senti uma passageira com muito a comemorar, poderia ter sido conosco (arrepios)! Na verdade, nos sentimos como aquele passageiro que desiste de última hora de fazer o percurso e, por sorte, ganha mais uma oportunidade para continuar seu caminho. O fato de não ter sido conosco, ou com alguém conhecido, não alivia, no entanto, a comoção por tamanha tragédia.

Nunca havia tido nenhum acidente do tipo com a companhia espanhola Spainair, e lamentamos a fatalidade, que provocou 153 mortos, dentre eles, 22 crianças, e 19 feridos graves que ainda se encontram nos hospitais de Madri.

Luto na Espanha, pronunciamentos mil, inclusive do presidente espanhol, e apuração dos fatos. Só nos resta rezar! Que o diga minha mãe, que voltou a ir à missa, no Brasil, para agradecer por nossa tranqüila viagem a Palma... de Mallorca. Gracias a Dios!

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

O prato de Segóvia

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Sabe aquele prato suculento mostrado nos post sobre Segóvia?! É um cochinillo, porquinho de 6 semanas alimentado só com leite materno. Normalmente, o porco pesa de 4,5 kg a 6 kg. O porco é assado em forno de pedra até ficar crocante e não leva nenhum ingrediente especial, seu sabor é absolutamente natural. Cândido é o gourmet que ficou famoso fazendo os cochinillos de Segóvia. Segundo dizem em Arévalo, cidade próxima, o cochinillo inicialmente era feito só ali, porém, Cândido o comprava em Arévalo e o levava a Segóvia e lá o tornou famoso. Além do excelente sabor, delicado e especial, sua carne é tão macia que Cândido cortava com um prato. Vale a pena provar.
http://www.cochinillodesegovia.com/

Ana Maria Braga

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Cozinhar nunca foi meu forte. Na verdade, nunca gostei nem me interessei por gostar. Acho que minha mãe, apesar de cozinhar bem, nunca gostou de fazê-lo por obrigação e talvez por isso nunca tenha nos estimulado, a mim e à minha irmã, a dominarmos as artes culinárias. Sem falar que nos educou para sermos, antes de tudo, profissionais. As atividades domésticas, segundo ela, não levavam ninguém pra frente. Minha irmã, no entanto, que já morou sozinha por vários anos, antes de se casar, acabou por ser mais hábil na cozinha, talvez pela necessidade de fazê-lo. Já eu, quando saí de casa, direto para o altar, encontrei no meu marido um exímio cozinheiro. Bem, quase todos os meus problemas estavam resolvidos. O trivial eu fazia, quando necessário, e o especial sempre ficou por conta dele. Aliás, sempre procuro coisas práticas, leia-se: que não dêem muito trabalho. Já Demetrio, meu distinto marido, quando inventa de fazer um prato, sempre é o mais complicado. Para fazer uma paella, por exemplo, começa no dia anterior, vai ao supermercado 2 vezes caso tenha esquecido algum ingrediente que considera fundamental para o prato, compra um bom vinho para fazê-lo companhia na hora de cozinhar, enfim, até a nossa cozinha do Recife (da nossa segunda casa), fizemos no estilo americano, sabe aqueles balcões virados pra sala? Sem falar que ele vai cozinhando e lavando, assim, após o prato pronto, a cozinha já está limpíssima. Importantíssimo: não gosta de ajuda, as vezes que tentamos cozinhar juntos, deu briga, assim, prefere fazer sozinho. Melhor impossível! Quando morávamos em Recife, ele fazia questão de comprar o pescado, o camarão, o polvo, ou o que fosse de frutos do mar, no Pina, fresquíssimos, acabados de chegar da pescaria, o meu oposto neste sentido.

Pois bem, agora, vivendo no mundo de cá, tenho sentido falta destes dotes em mim. Quando quero fazer algo mais elaborado, levo horas, e o menos elaborado, também. Ou seja, "perder tempo" na cozinha para mim é inevitável. Agora, que meu filho não está na escola, de férias, tem sido horrível! - come no Comedor da escola, que vai das 9h às 16h - , imaginem ter que cozinhar depois de anos sem quase fazê-lo? Depois que Iago nasceu, passei a ter secretária permanentemente e me aposentei da cozinha. Imaginem agora voltar a cozinhar justo para uma criança de 6 anos, vejam a cena: - "Mamãe, quero um spaguete a bolonhesa!", - fico feliz: facílimo! O mais demorado seria ter de fazer a carne moída, mas aqui na Espanha há preparos prontos de molho saborosíssimos, restando fazer somente o spaguete, que é baba! - não tem o que fazer, na verdade, água, sal, um pouco de azeite (ñ gosto de óleo, nem é saudável), e retirar o spaguete do fogo no ponto para que fique ao ponto, e pronto!, já está! O problema é quando ele muda de idéia depois do prato feito. - Ah, não quero esse (mesmo sem provar se está bom ou não), mas estou com fome. - Claro! Acostumado com variedade, paparicados mil. Gil, a antiga babá, fazia bolinhos de feijão para que ele comesse com verdurinha picada, sem falar que o macarrão sempre se transformava no cabelo de um rostinho cuidadosamente elaborado no prato, cujos olhos eram o feijão, o nariz, a cenoura, o tomate, a boca, enfim, tudo muito lúdico, regado com muita paciência, carinho, tempo e, sobretudo, uma boa história durante o almoço para tirarmos ele da bendita televisão. Acostumei mal, sou culpada, reconheço, sempre estimulei isso para vê-lo comer bem e não ter eu mesma que fazer o serviço, que honestamente, também não é o meu forte.

Bem, voltando ao spaguete que ele não quis comer, digo eu, bem ao estilo español: - Come!, é o que tem! e afinal você pediu, além disso, na escola você tem que comer o que tem também, não é? - É, mas eu não gosto e como mal. - o que é verdade, já me reclamaram que ele não come bem no Comedor da Escola e sempre é um pouco estressante pra ele, pois TEM que comer e, enfim, sempre reclama muito ter que comer na escola. Mas imaginem! Eu, a lentidão do mundo todo na cozinha, ter que fazer de improviso outra coisa a essa altura do campeonato?! Fatal! Passei a ter uns pratos prontos para casos de emergência, mas o danadinho é exigente. Depois de um sermão de que ele já não tem mais idade pra isso, que tem muita gente morrendo de fome, etc., etc., não tem jeito, sente-se culpado, mas acaba não comendo do mesmo jeito, e a fome continua. Já tentei deixar com fome até que ele pudesse finalmente provar o que pediu, mas nem sempre funciona. A sorte é que moramos numa rua cheia de bares e restaurantes, ou seja, vira e mexe, descemos e resolvemos o problema, mas claro!, é uma solução provisória, não posso passar minha temporada espanhola nesse estresse. Tenho que reeducá-lo, e quanto a mim, reaprender a cozinhar. Não tem jeito! O pobre do meu marido, para me ver sofrendo menos já deixou algumas coisas prontas no dia anterior em alguns momentos, mas também é uma solução pontual, não dá para fazer isso sempre, depois de um dia inteiro trabalhando, a uma hora da nossa casa.

Bem, que inveja de Ana Maria Braga! O pior é que hoje eu havia decidido que, depois da aula de espanhol, me dedicaria a fazer um bom prato para almoçarmos, mas sabe o que é... dormi mal, as caixas com minhas coisas do Brasil chegaram e tive que organizar algumas, também tenho o El País de domingo que li tão rapidinho..., tenho o blog... enfim, passou o tempo, já são 12h30 e... nada! - se bem que tudo na Espanha acontece 2 horas mais tarde, ou seja, ninguém almoça antes das 14h - sem falar que Iago não sabe hoje o que quer comer, ou seja, tudo pode ser motivo para nem sequer provar!!!! Bueno, definitivamente, não nasci para isto! Acho que hoje vamos "morrer" no Burguer King... Agora, tenho que ir. Ele acaba de dizer: - Mãe, estou hambriento! (leia-se: faminto!). A ver...

sábado, 9 de agosto de 2008

A Ponte do Diabo




Na entrada da cidade de Segóvia, vemos logo o Acueducto, considerado historicamente como a melhor obra realizada pelos romanos na Espanha. Cogita-se que data do século I d.C. e que funcionou realmente como um acueducto até o século XIX. O monumento é formado por 158 arcos, que resistiram bravamente às tentativas de desmoronamento. Conta-se que o rei mouro Al Mamún quis destruí-lo, porém só conseguiu destruir 36 arcos e depois desistiu do intento. Os Reis Católicos os reergueram posteriormente. Dentre algumas lendas da cidade, conta-se que o diabo, enamorado de uma charmosa jovem, que todos os dias ia pôr água na fonte, lhe ofereceu construir o Aqueducto, em uma só noite, em troca de sua alma. Por sorte, o amanhecer, por intercessão da Virgem, surpreendeu o diabo -amanhecendo mais cedo - , que não conseguiu pôr a última pedra durante a noite, conforme prometido. A jovem se salvou e ainda se livrou de ir diariamente à fonte. Por isso, o Acueducto foi apelidado como A Ponte do Diabo. Se supõe que os pequenos furos de cada pedra eram os sinais deixados pelos dedos do Diabo ao levantar-las. Uma curiosidade: em frente ao Acueducto está a estátua da Loba del Capitólio amamentando a Rômulo e Remo, que a cidade de Roma presenteou a Segóvia trocando-a por uma pedra do Acueducto. Bem, é sabido que não é incomum na Espanha atribuir-se as obras grandiosas ao diabo. Nem a Catedral se livrou dessa lenda. Dizem que o arquiteto da catedral segoviana, ao ver que não terminava a obra na data prometida, pactuou com o diabo para que ele lhe ajudasse. Próximo de terminar a obra, rompeu o pacto com Lúcifer. Este, com raiva, transformou o último carregamento de sillares, que estava a caminho de Segóvia, em pedras. Por isso, dizem que uma das torres da catedral é mais chata que a outra. Bem, talvez fique mais claro por que a Espanha seja o único país que guarda a imagem de Lúcifer - lembram da Fonte do Anjo Caído postado neste blog anteriormente? Daquele Monumento que fica no Parque do Retiro, em Madri? Bem, quem sabe está finalmente explicado!!!


quinta-feira, 7 de agosto de 2008

La nave de piedra

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De volta ¨da volta¨ ao Brasil, fomos a Segóvia, uma das inúmeras pequenas cidades medievais da Espanha. Com 55.000 habitantes, a uma hora de Madri, foi considerada pela UNESCO Patrimônio da Humanidade. É uma cidade que está situada na Unidade Autônoma de Castilla y Leon, e é realmente preciosa, como dizem os nativos ao denominar algo especial. Foi onde Isabel a Católica foi proclamada rainha de Castilla em 1474.

Bueno, com um gosto ainda meio amargo da saudade do Mundo de lá, Segóvia foi para mim uma grata surpresa. Honestamente, não conhecia sua história e não imaginava o quanto ela é interessante. É chamada de la nave de piedra devido à sua geografia, composta por 3 principais monumentos, que nos faz lembrar um navio: o castelo da proa é o Alcázar (fotos superior e lateral), o mastro é a Catedral, e as amarras dos arcos, o Acueducto. Junto ao Acueducto, que representa o mundo pagão, encontra-se a Catedral, que foi dedicada à Nossa Senhora da Assunção e a San Frutos, patrono da cidade. A Catedral Segoviana se constitui no último edifício gótico da Espanha. Além desta, há várias igrejas românicas, conventos e monastérios.

Para se ver bem Segóvia, com maior profundidade, creio que de 2 a 3 dias é o ideal, no entanto, numa rápida visita de 1 dia, já se tem uma boa idéia das suas principais atrações. Dentre outras coisas interessantes, como a Calle Real e a Plaza Mayor, o Alcázar sem dúvida vale a pena ser visitado. Situado na confluência dos rios Eresma e Clamores, é um palácio onde nasceram príncipes e reis, já tendo sido transformado em Forte, e atualmente guarda o arquivo histórico militar de Segóvia. Foi palco da resistência espanhola contra as tropas de Napoleão em 1808. Guarda ainda a trágica história real do filho de Enrique II, don Pedro, que caiu de uma de suas janelas, aos 12 anos. Dizem que a ama que cuidava do menino se jogou depois.

Saindo do trágico para o curioso, Segóvia guarda algumas lendas. A ver...

domingo, 3 de agosto de 2008

Não digas nada

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"Não digas nada!
Nem mesmo a verdade
Há tanta suavidade
em nada se dizer
E tudo se entender
- Tudo metade
De sentir e de ver...
Não digas nada
Deixa esquecer
Talvez que amanhã
Em outra paisagem
Digas que foi vã
Toda essa viagem
Até onde quis
Ser quem me agrada...
Mas ali fui feliz
Não digas nada."

Fernando Pessoa

De volta da volta

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Esquadros: http://br.youtube.com/watch?v=qS92UmIIEO8

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Desculpem o silêncio, mas continuo meio muda mesmo. Espero que não por muito tempo. A ver...



domingo, 27 de julho de 2008

Mi cumple


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En Brasil, hoy, 27, es mi cumple; en España, foi ontem. Bueno, nada a dizer. Solo cantar e sentir.

sábado, 26 de julho de 2008

O mundo de lá é


O mundo de lá nunca foi, nem é, mas pode vir a ser. É promessa! Tanto quanto o de cá, de outra forma. O mundo de lá é Chico, Buarque e Sciense, e Caetano. É América... DO SUL. É rede (a de dormir, deitar, brincar, cair mesmo), é caipirinha e suco de frutas, é berimbau, é selva e mar. É Shopping. É forró, carnaval, maracatu, frevo, caboclinho, manguebeat, samba, axé, etc, etc, etc. O mundo de lá é Festa. É sofrido. É pobre. É rico. É Nelson Rodrigues. É Boneco de Olinda. É feijoada e bolo de rolo, é caldinho de... tudo; é úmido. É abraço. É cachaça. É muito ´xêro´. O mundo de lá é ´gente boa´ (o de cá é boa gente). O mundo de lá é retorno. É porto.

terça-feira, 22 de julho de 2008

A busca

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Estava pensando sobre essas férias no Mundo de lá (mais uma vez). As curiosidades que me motivam conhecer mais o Brasil, saber mais sobre Recife; indagações que honestamente nunca havia tido. Pensando bem, é algo que supera a simples necessidade de explicar, no Mundo de cá, o de lá. É uma busca também por auto-conhecimento, identidade, conhecer o já tão conhecido, porém, de outra forma, agora sob as lentes da distância. É...! Um olhar estrangeiro me persegue, mesmo no meu Mundo. AQUI, devo concordar com Caetano: “menos estrangeira no lugar que no momento, sigo sozinha caminhando contra o vento.”

http://br.youtube.com/watch?v=hoMaHloFdF8

"Eu tava encostada alí minha guitarra
num quadrado branco vide um papelão
eu era um enigma uma interrogação
olha que coisa mas que coisa à toa, boa, boa, boa, boa, boa
eu tava com graça, tava por acaso alí não era nada
bunda de mulata, muque de peão
tava em Madureira, tava na Bahia, no Beaubourg, no bronx, no brás
e eu,e eu, e eu, e eu, e eu
a me perguntar: eu sou neguinha?
era uma mensagem, lia uma mensagem, parece bobagem, mas não era não
eu não decifrava, eu não conseguia
mas, aquilo ia, e eu ia, e eu ia, e eu ia, e eu ia...
eu me perguntava, era um gesto hippie, um desenho estranho
homens trabalhando, páre e contra-mão,
e era uma alegria, era uma esperança
e era dança e dança, ou não, ou não, ou não, ou não, ou não
tava perguntado: eu sou neguinha? eu sou neguinha!
eu sou neguinha? eu sou neguinha!
eu sou neguinha? eu sou neguinha! eu sou neguinha!
eu sou neguinha?
eu tava rezando alí completamente, um crente uma lente, era uma visão
totalmente terceiro sexo, totalmente terceiro mundo
terceiro milênio carne nua, nua, nua, nua, nua
era tão gozado
era um trio elétrico, era fantasia, escola de samba na televisão
luz no fim do túnel, beco sem saída
e eu era a saída melodia
meio-dia, dia, dia, dia
era o que eu dizia: eu sou neguinha!
mas, via outras coisas, via o moço forte
e a mulher macia dentro da escuridão
via o que é visível, via o que não via
e o que a poesia e a profecia não vêem mais nem, vêem, vêem, vêem, vêem
é o que parecia
que as coisas conversam, coisas supreendentes
fatalmente erram, acham solução
e que o mesmo signo que eu tento ler e ser
é apenas um possível ou impossível
em mim, em mil, em mil, em mil
e a pergunta vinha: eu sou neguinha? eu sou neguinha!
eu sou neguinha? eu sou neguinha!
eu sou neguinha? eu sou neguinha!
eu sou neguinha? ....."


Vanessa da Mata canta Caetano

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Por que "Recife"

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"Ensinam os filólogos que a palavra arrecife é a forma antiga do vocábulo recife e que ambos procedem do árabe, ar-raçif, que significa calçada, caminho pavimentado, linha de escolhos, dique, paredão, muralha, cais, molhe. No antigo castelhano arrecife tinha o sentido de caminho, banco ou baixio mar". José Antônio Gonsalves de Mello, em O Recife e os arrecifes.

A cidade anfíbia

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"É essa planície constituída de ilhas, penínsulas, alagados, mangues e pauis, envolvidos pelos braços d'água dos rios que, rompendo passagem através da cinta sedimentar das colinas, se espraiam remansosos pela planície inundável. Foi nesses bancos de solo ainda mal consolidados – mistura ainda incerta de terra e de água – que nasceu e cresceu a cidade do Recife, chamada de cidade anfíbia, como Amsterdã e Veneza, porque assenta as massas de sua construção quase dentro de água, aparecendo numa perspectiva aérea, com seus diferentes bairros flutuando esquecidos à flor das águas". Josué de Castro

Mais mundo de lá

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Foto Recife: http://www.learn-portuguese-brazil.com.br/images/recife.jpg

"Fundada em 1537 pelos portugueses, Recife é a capital mais antiga do Brasil. Localizada no litoral do oceano Atlântico, tem uma área de 218 km² e uma população de 1,4 milhão de pessoas (3,5 milhões na região metropolitana). Cercada por rios e cortada por pontes -ao todo, 60 -, Recife é cheia de ilhas e mangues que marcam sua geografia. É conhecida como a Veneza brasileira, graças à semelhança com a cidade européia. Com um PIB de quase doze bilhões de reais, é considerada a cidade mais rica da Região Nordeste e o maior centro regional nos setores de comércio e prestação de serviços (84,3% do PIB). A cidade possui vários pólos de desenvolvimento, como o pólo médico, um dos maiores do Brasil e o conceituado pólo de software, chamado de Porto Digital, que abriga diversas empresas de Tecnologias da Informação. Pela privilegiada posição geográfica, tem se destacado também como um importante pólo logístico, com dois portos e o maior aeroporto do Nordeste. A cidade sempre foi berço de intensa atividade cultural. Poetas e escritores como Manuel Bandeira, Clarice Lispector, Gilberto Freyre, Paulo Freire e João Cabral de Mello Neto são alguns dos grandes expoentes. Na música, especialmente pela sua pluralidade de ritmos, como o frevo e o maracatu, sua efervescência cultural também a tornou lar de diversos músicos e compositores tradicionais e contemporâneos, como Capiba, Antonio Maria, António Carlos Nóbrega e Chico Science. Hoje em dia, é um pólo-cultural em constante crescimento nas artes visuais, música, teatro, literatura e gastronomia. Recife guarda grandes riquezas histórico-culturais e belas praias urbanas, uma parada obrigatória para turistas do mundo inteiro. As principais atrações turísticas em Recife são:
- Atelier de artes cerâmicas de Francisco Brennand;
- Instituto Ricardo Brennand (Castelo)
- Conjunto arquitetônico do Bairro do Recife Antigo;
- Prédio do Paço da Alfândega (Shopping Paço da Alfândega);
- Praia de Boa Viagem;
- Olinda, Patrimônio Histórico da Humanidade;
- Casa da Cultura: lojas de souvenirs e artesanato;
- Pátio de São Pedro;
- Museu do Estado;
- Museu de Arte Moderna (MAMAM);
- Diversas igrejas e monumentos históricos.

Recife está próxima a diversas praias muito procuradas como ponto turístico na circunvizinhança, em especial Porto de Galinhas (PE, 60 km ao sul)- considerada a praia mais bonita do Brasil -, Tamandaré (PE, 110 km ao sul), Ilha de Itamaracá/Coroa do Avião (PE, 40 km ao norte), Maragogi (AL, 150km ao sul), Tambaba (PB, 115km ao norte) e Praia da Pipa (RN, 280km ao norte)."

Copiado do Site http://www.pe.senac.br/ascom/Congresso/olocal.asp do VI Congresso Internacional de Tecnologia na Educação, que acontecerá em Recife, de 17 a 19 de setembro de 2008, no Centro de Convenções de Pernambuco/Olinda - PE.

Foto Boa Viagem http://rt-travelweb.com/img/recife1.jpg

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Evocação do Recife

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http://www.vagamundos.net/v3.1/img/dsc02720_recife.jpg

"Recife
Não a Veneza americana
Não a Mauritsstad dos armadores das Índias Ocidentais
Não o Recife dos Mascates
Nem mesmo o Recife que aprendi a amar depois
- Recife das revoluções libertárias
Mas o Recife sem história nem literatura
Recife sem mais nada
Recife da minha infância
A rua da União onde eu brincava de chicote-queimado
e partia as vidraças da casa de dona Aninha Viegas
Totônio Rodrigues era muito velho e botava o pincenê na ponta do nariz
Depois do jantar as famílias tomavam a calçada com cadeiras
mexericos namoros risadas
A gente brincava no meio da rua
Os meninos gritavam:
Coelho sai!Não sai!
A distância as vozes macias das meninas politonavam:
Roseira dá-me uma rosa
Craveiro dá-me um botão
(Dessas rosas muita rosa
Terá morrido em botão...)
De repente nos longos da noite um sino
Uma pessoa grande dizia:
Fogo em Santo Antônio!
Outra contrariava: São José!
Totônio Rodrigues achava sempre que era são José.
Os homens punham o chapéu saíam fumando
E eu tinha raiva de ser menino porque não podia ir ver o fogo.
Rua da União...Como eram lindos os montes das ruas da minha infância
Rua do Sol (Tenho medo que hoje se chame de dr. Fulano de Tal)
Atrás de casa ficava a Rua da Saudade......onde se ia fumar escondido
Do lado de lá era o cais da Rua da Aurora......onde se ia pescar escondido
Capiberibe- Capiberibe
Lá longe o sertãozinho de Caxangá
Banheiros de palha
Um dia eu vi uma moça nuinha no banho
Fiquei parado o coração batendo
Ela se riu
Foi o meu primeiro alumbramento
Cheia! As cheias!
Barro boi morto árvores destroços redemoinho sumiu
E nos pegões da ponte do trem de ferro os caboclos destemidos
em jangadas de bananeiras
Novenas
Cavalhadas
E eu me deitei no colo da menina e ela começoua passar a mão nos meus cabelos
Capiberibe- Capiberibe
Rua da União onde todas as tardes passava a preta das bananas
Com o xale vistoso de pano da Costa
E o vendedor de roletes de cana
O de amendoim
que se chamava midubim e não era torrado era cozido
Me lembro de todos os pregões:
Ovos frescos e baratos
Dez ovos por uma pataca
Foi há muito tempo...
A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros
Vinha da boca do povo na língua errada do povo
Língua certa do povo
Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil
Ao passo que nós
O que fazemos
É macaquear
A sintaxe lusíada
A vida com uma porção de coisas que eu não entendia bem
Terras que não sabia onde ficavam
Recife...Rua da União...A casa de meu avô...
Nunca pensei que ela acabasse!
Tudo lá parecia impregnado de eternidade
Recife...Meu avô morto.
Recife morto, Recife bom, Recife brasileiro
como a casa de meu avô."

Manuel Bandeira



Ser brasileiro é um sentimento



Estava pensando…por que é tão bom tudo isso aqui?!, digo: do lado de lá, chamado Brasil – PE- Recife....!!!!! São as referências culturais? - Vale! (vale, em español é = ok!), é a nossa relação e história com cada pedacinho de chão? - também vale!, é a família? - vale muito!, é o jeito brasileiro de ser? - vale muito, muito, muito! É a beleza das nossas riquezas naturais? - também vale! Bueno, depois de muito pensar, cheguei à conclusão de que ser brasileiro é um sentimento. Amar ser brasileiro é um sentimento maior ainda, que não tem nada a ver com a negação do bom que há em outros países, ou em ter outras nacionalidades. Sem ufanismo, narcisismo ou egocentrismo, se é que dá pra entender... Explicando melhor: minha irmã tem um blog chamado “Coisa de mãe” http://www.coisademae.blog.br/e ela estava dizendo que ser mãe é, antes de tudo, um sentimento; há mães que não sentem a maternidade de forma intensa ou nem mesmo sentem!, e outras que não são mães biológicas e sentem tudo!, são muito maternais e amam tanto quanto...ou mais. Pois bem, pode parecer uma viagem, mas me lembrei um pouco da sensação de estar no Brasil, mais especificamente, em Recife. Por mais que eu compare e encontre prós e contras em todos os lugares, ser Recifense, Pernambucana, Brasileira é, antes de tudo, um sentimento; um sentimento de pertencimento e de encontro. É a apropriação de tudo de bom (e de ruim) que representamos, afinal, somos a soma de tudo que somos (de bom e de... ruim), mesmo. Não há ser humano só bom, como o revés também é improvável. Então, ser brasileiro, é antes de tudo, se sentir brasileiro e, mais do que isso, amar essa condição e não trocá-la por nada, por mais maravilhoso que seja o país onde se está vivendo. Ser brasileiro é tudo! E muito mais.

"Grande pátria, desimportante, em nenhum instante, eu vou te trair!"

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Boa Viagem, no Mundo de lá

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Foto de: Marcelo Cabral


Após uma semana chuvosa de inverno, finalmente o sol aparece. É verdade que a chuva ameaçou em alguns momentos da manhã, mas logo logo deu uma trégua pra que pudéssemos aproveitar um pouquinho mais da praia. Boa Viagem é uma praia urbana típica, situada em Recife, deve ter em média sete quilômetros (7 km) de extensão. Para quem não conhece, é margeada por coqueiros e edifícios em quase toda a orla, areias claras, cor do mar esverdeada; quando a maré baixa, forma piscinas naturais protegidas por arrecifes. A temperatura média da água é de 26 graus. No calçadão, pista de cooper e ciclismo, quiosques vendendo água de côco e outras cositas más, equipamentos de musculação, alguns chuveiros para tirarmos o sal. Os ambulantes, aos montes, vendem de tudo. Alugam cadeira e guarda-sol, ou simplesmente permitem o seu uso em troca do consumo de alguma(s) bebida(s). O bom de BV é sentar numa cadeira de praia, à sombra de um guarda-sol, contemplar a paisagem, “jogar conversa fora”, tomar uma cerveja estupidamente gelada, tomar caldinho de feijão, mergulhar ocasionalmente no mar, no raso (é uma praia com vários registros de ataques de tubarão - a prática do surf foi proibida), e aproveitar essa vidinha difícil. Com um bom protetor solar, ficamos horas a fio sem fazer nada, só contemplando e papeando. Meu sobrinho, de apenas dois anos, depois de beber água de coco, suspirou e repentinamente disse “vida boooooa”. Só me resta concordar.