sexta-feira, 19 de junho de 2009

El Verano



Vem chegando o verão (ou já chegou), como anunciou Glenda. Anlene e Flávia gustcharan e eu também, Javi protesta do calor em comentário, Chris nem se deu conta porque no Mundo de lá é inverno (além de oouuutras coisas), e Gi anda filosofando sobre outros "babados". Mesmo que a blogosfera tenha lá suas distintas visões sobre este e outros temas, me manifesto a favor do... CALOR!!!!! O verão é um regresso. É um “estado” que não me molesta. Quando é inverno, percebo a mínima brisa gelada que parece que vai atravessar os meus ossos e que me hará algun daño, estou sempre me lamentando por que não coloquei aquela bota, aquelas duas meias a mais, o outro abrigo, a bufanda mais grossa, enfim, não tem jeito, o frio ocupa muito os meus pensamentos e mina minhas energias. Ainda assim, reconheço que o verão em Madri é escaldante, diferente do de Recife (só um exemplo). O verão também traz um calor de outro tipo, aquele “calor no coração” tão cantado por Marina Lima. Poder sair livremente sem meias, botas, abrigos, quando não, luva e outros apetrechos, pôr um belo sorriso e exibir o bronzeado, conviver com mais ruído e mais alegria, tudo isso não tem preço. Apesar das reclamações constantes do calor, em geral, as pessoas são mais sorridentes, mais convidativas ao encontro social e mais sedutoras. Todo e qualquer incômodo pode ser saciado ou olvidado, por uma cerveja estupidamente gelada ou um bom tinto de verão. "Ele" combina com tudo: com ousadia, com música, com festa, com colorido, com leveza. O astral, as piscinas abertas e a alegria das crianças que rompem o silêncio das urbanizações... ih! acho que estou me repetindo, por que será? Adoro o verão. Melhor ainda quando se tem praia; e se tem samba?!, "vishe!" nem se fala! Bueno, pensando bem, melhor mesmo é ir pro Brasil, mesmo que ali seja...

inverno.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Brasil x Egito

Foto: El País

O Brasil ganha do Egito por 4 x 3 no seu jogo de estréia pela Copa das Confederações, mas não convence. O fato de não convencer não dá margens que se diga que o Egito foi muito superior como sugere o site do El País. Não é verdade. No segundo tempo, o Egito dominou, no primeiro, o fez o Brasil. Claro que se espera muito mais de um time que é pentacampeão do mundo, de uma equipe com nomes como Kaká y Robinho. É natural que se torça por uma equipe com menos fama e expressividade. É mais natural ainda que em sendo Espanha proclamada a grande favorita ao título de 2009, e de fato vem apresentando um futebol estupendo, haja uma tendência a desmoralizar aqueles que têm mais tradição e títulos. Mas muita bola ainda vai rolar e, embora eu torça para que a Espanha se destaque nesse Campeonato, não se deve cantar vitória antes do tempo. Ontem, vi um telejornal onde um jornalista perguntava ao técnico da França se a Espanha era o melhor time do mundo da atualidade. E ele foi muito sábio ao dizer que não, que é o melhor time da Europa, mas até que haja uma nova Copa do Mundo, o campeão mundial ainda é Itália. Estou totalmente de acordo.

domingo, 14 de junho de 2009

"Mientras" ou: Enquanto isso, na sala de justiça



"Mientras" estava eu aqui, meio muda e dispersa, perdida em meu labor diário de estudante “liada” : um avião cai na costa brasileira; um homem imigrante sem papéis perde um braço enquanto trabalhava clandestino para conseguir o pão de cada dia em Espanha; o pão vira corpo e o vinho, sangue, como ocorre habitualmente nas missas católicas, mas só em Corpus Christi o rito é reverenciado como merece; lamentavelmente, os “de esquerda” não vão às urnas e a ala mais conservadora toma conta do parlamento europeu, eleita por uma minoria direitista, mas atuante e mais comprometida com o ato de votar; ativistas saem às ruas, desnudos, montados em bicicletas para protestar contra a poluição e pedir mais vias alternativas para bicis, e estimular o uso de transporte público como meio de locomoção prioritário; o Barça dá outro show de bola em Roma e ganha o campeonato de maneira brilhante; o Real Madrid contrata Kaká (“o beato”, segundo a imprensa espanhola) e Cristiano Ronaldo (português, "a ovelha desgarrada"), por valores astronômicos, apesar da crise e de toda polêmica sobre o absurdo de tais cifras; Espanha ganha o primeiro jogo da Copa das Confederações em África do Sul, por 5x0 contra a Nova Zelândia; Nadal perde em Roland Garros; o verão chega “pra torar” em Madri, num calor de 38 graus; se aproximam as férias de verão e as crianças amargarão 3 meses sem aula, tempo absurdo para elas e para os pobres pais que não sabem o que fazer com tanta energia dentro de casa, sobretudo para os que trabalham fora; a lei de legalização do aborto é recorrente nos noticiários, só sendo páreo em polêmica para o tema do desemprego em Espanha, esta, atolada em crise como os pobres touros desnorteados na Plaza de Touros de Las Ventas e em outras tantas de Espanha ("se ficar, o homem pega, se correr, o homem come"). Isso é um pouco de Espanha nas últimas semanas. E eu aqui, espectadora dos noticiários, correndo desesperada atrás de boas notas... Volto ao meu mundinho de cá, tentando matar um leão por dia para não ser "suspendida". Cada um com sua cruz. E assim caminha a humanidade, individualista, centrada nos seus próprios problemas e desconectada com o que de fato é importante. Aproveito para plagear meu sobrinho, já filósofo aos 3 aninhos, que ilustra nossa comédia da vida privada: "beber, cair, levantar, madrinha".

quarta-feira, 20 de maio de 2009

A históra das coisas

Se você conseguir dedicar alguns minutos do seu tempo para ver esse vídeo, é porque ainda há esperança.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Buenos días o Bom Dia o Good Morning



"Quando acordar, bom dia (...) Deixe que o dia siga "teus" planos."

sábado, 16 de maio de 2009

Gata madrileña y San Isidro











Ontem foi feriado por aqui, dia de San Isidro, padroeiro de Madri. Apesar de todas as ótimas indicações que vimos no “On Madrid” do El País, no “Todo Madrid” y no “Es Madrid no Madriz”, resolvemos sair sem planos para La Latina e ver o que rolava. É um bairro que adoro, uma galera descolada, point de todas as tribos, com bares maravilhosos e muita gente na rua. Em um deles tinha uma bandeira do Brasil, em outro, marca da BrahmaChopp, em outro, música de Gilberto Gil tocando, e assim as referências brasileiras me acompanham no Mundo de cá. Passamos um bom tempo nos bares da Calle Cava Baja. Fomos de ônibus e metrô para podermos ficar também mais à vontade para beber (alcohol). Adoro andar de transporte público por aqui, é uma tranqüilidade. O que me incomoda muito ainda é o fumo nos bares, há uma tolerância social enorme quanto ao tema, e o praxe é fumar e permitir que se fume. Além do mais, tenho rinite alérgica e para mim é fatal, pero ñ tem jeito, hay que se acostumbrar. Como há muitas terrazas, mesas nas calçadas e muita movimentação a céu aberto, deu pra respirar entre um bar e outro. Aliás, faz um tempo fenomenal, nem muito quente nem muito frio, agradabilíssimo. Os bares e as ruas da La Latina estavam especialmente cheios. No fim da noite, demos um rolé na Plaza Mayor, onde estava havendo uma apresentação ao ar livre. Mas o melhor da noite foi no Bar El Madroño, alguns senhores y senhoras vestidos a caráter, cantando, sem acompanhamento, músicas espanholas típicas do festivo. Lembrei-me das farras nos mercados do Recife, dos ensaios dos blocos que cantam frevo-canção, aqueles senhores(as) do Bloco da Saudade, cantando e dançando fantasiados. Aliás, tinha muita gente fantasiada, com roupas típicas madrileñas, especialmente os mais velhos e muitas crianças. A cultura de um povo é algo bonito de se ver e importante de se preservar. Ontem, me sentí quase uma "local". Deixei um pouco minha estrangeirice de lado, e saí de copas, a la “gata madrileña”, de bar em bar. Foi divertidíssimo. No próximo San Isidro, se ainda estiver por essas bandas, irei fantasiada... É. Pode ser. Quem sabe?!

quinta-feira, 7 de maio de 2009

O Barça foi fenomenal

Que vitória massa! Para que não restem dúvidas, sou Real Madrid, mas uma vez que ele não está na jogada, nem o Brasil, obviamente, sou Espanha. E foi emocionante a partida. GGGGGGGGGGGGGGGOOOOOOOOOOOOOOOLLLLLLLLLLLLLAAAAAAAAAAAAAAÇÇÇÇÇÇÇÇÇÇÇÇOOOOO.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

De Forró a Bossa Nova

Vi no blog de anlene o video de Marcos Vale e BossaCucaNova e adorei. Compartilho também aqui com vocês. Aliás, já está confirmada minha BossaTapNova para fim de junho para Recife, e embora Marcos Vale e CucaNova nunca pintem por lá, a bossa será forró, chegarei justo na tarde de São João. Creio que a galera tá meio feliz e triste com a data, afinal, no dia 23, "alguém", pai, mãe, irmã ou lo que sea tem que estar no aeroporto ao invés de estar (com seus abrigos) no "frio" de inverno de 20 graus de Caruaru, Gravatá ou Campina Grande, pulando fogueira, tomando pinga, ou comendo pamonha (ou bolo de milho, milho assado, pé-de-moleque e outras guloseimas juninas). A festa de São João é maravilhosa no Nordeste do Brasil, muitos a preferem ao carnaval. Cresci ouvindo sanfona e cordel, minha avó paterna tinha mania de responder à gente em verso. Minha avó materna (pra não provocar ciúme lá no céu), tinha Lampião como ídolo, e, honestamente, acho que tinha uma frustração danada de não ter virado a "Maria Bonita" da história.

Eu adorava vestir minha roupa de matuta, ver soltarem balão e pularem fogueira, com medo de à noite fazer xixi na cama, uma das crendices populares. Também fiz algumas simpatias pra Santo Antônio pra saber com quem ia me casar e, por casualidade ou não, deu "D" umas 3 vezes, primeira letra do meu Distinto marido, me revoltei porque na época era gamada por um carinha da escola que se chamava Ricardo, por isso insisti em repetir a simpatia.

Essas lembranças enchem meu coração de saudade. Tive uma infância feliz e muito rica culturalmente falando. A poesia popular, Luiz Gonzaga, as rezas e plantas medicinais das avós que curavam de catapora a gripe porcina, a aproximação com os primos, que não são poucos, deixaram boas lembranças, talvez por isto insisto em continuar me relacionando com eles, pelo menos com aqueles que não foram atraídos "pelo lado negro da força", plageando Star Wars. Embora sempre insisto que nasci e vivi na "capitá", em Recife, as idas ao interior de Pernambuco foram mais importantes na minha formação infantil. Hoje, infelizmente, só tenho ido lá pra enterro, o que é uma pena! Havia comentado, janeiro passado, com alguns primos que gostaria de voltar a Afogados da Ingazeira (esse é nome do interior dos meus pais), com eles em julho. Me olharam meio de banda, meio incrédulos, como quem diz: - só pode ser coisa de estrangeira.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Grandes artistas


Barcelona foi palco de movimentos arquitetônicos, culturais, literários e artísticos importantes. Alguns artistas que fizeram história e marcaram a cidade foram:

- Gaudí, arquiteto enigmático, considerado um gênio. Lutou por uma concepção biológica do universo. Aficcionado pela natureza, avançou desde a arquitetura tradicional a novas estruturas arquitetônicas que lembravam a biologia, os seres naturais. A forma da Sagrada Família lembra uma medusa, como várias de suas obras tiveram inspiração em seres marinhos ou da fauna e flora mediterrânea. Sua obra está impregnada de associações com o mundo natural. Combinava tradicionalismo e modernismo e era um amante do Mediterrâneo. É um ícone de Barcelona e sua obra está por toda a cidade. Faleceu fruto de um acidente automobilístico e não terminou a obra que abraçou de forma mais apaixonada que foi a construção da Sagrada Família.

- Joan Miró, pintor, escultor, e ceramista español considerado um dos máximos representantes do surrealismo español. Na década de 30, Miró manifestou seu desejo de abandonar os métodos convencionais de pintura. Um dos seus grandes projetos foi a Fundación Joan Miró, situada em Barcelona, um centro cultural e artístico para difundir as novas tendências da arte contemporánea.

- Salvador Dalí também um pintor surrealista español, nascido em Figueras, Cataluña. Também foi um excelente desenhista. Uma da suas obras mais conhecidas é "La persistencia de la memoria", de 1931. Los recursos plásticos utilizados por ele incluíram o cinema, a escultura e a fotografía. Era considerado megalomaníaco e narcísico, adorava o dourado e tem forte influência da dominação árabe da península ibérica nas suas obras .

- Picasso, nascido em Málaga em 1881, pintor e escultor español, criador do movimento cubista e um dos maiores artistas do século XX. Pintou mais de duas mil obras. Estudante brilhante, ingressou na Escola de Bellas Artes de Barcelona aos 14 anos.

Uma ótima descoberta, nem tão recente pra mim, é que João Cabral de Melo Neto, nascido em 1920 em Recife, já citado algumas vezes por mim neste blog, foi poeta e diplomata brasileiro em Barcelona. Sua obra poética foi reconhecida por prêmios como o Premio Camões (o mais importante da literatura portuguesa) em 1990, Neustadt International Prize for Literature em 1992, e o Premio Reina Sofía de Poesía Iberoamericana en 1994. Dos inúmeros países em que esteve como diplomata, tinha um especial afeto pela España. Tinha estreita relação com Joan Miró e com o poeta Joan Brossa.

Tudo isso é um pouco de Barcelona e da Espanha. Temos ótimos trabalhos de Picasso, Joan Miró, Salvador Dali também em Madri, especialmente no Reina Sofia. Vale a pena conferir.

Barcelona



Depois de um ano em Madri, finalmente fui visitar Barcelona. Foi uma visita curta, mas maravilhosa, com sabor de quero mais. Fui com minha irmã, cunhado, papagaio, cachorro, etc., e aterrissamos na casa de uma amiga minha e uma prima do meu marido, nos dividimos entre as duas casas, que nos acolheram maravilhosamente.

Lista de interesses por lá:
Park Güell * Sagrada Família * Casa Milá “La Pedrera” * Casa Batló * Palau Güell
Casa Vicens * Cripta Colónia Güell * Palau de la Música Catalana * Hospital de Sant Pau
La Rambla * Mirador de Colom * Mercado de la Boqueria * Bairro Gótico
La Barceloneta * Par de la Ciudadella * Parc de Montjuic, Fundació Miró, el Museu d'Arqueologia, l'Etnològic Museu nacional de arte de Cataluñia MNAC * Museu del futbol club Barcelona
Museu Picasso * Jardim Botânico * Caixa Fórum


Quanto disto foi cumprido? 10%, em apenas 4 dias. Ou seja, preciso voltar.

Barcelona tem uma aura distinta de Madri. Me pareceu mais cosmopolita, mais moderna, uma cidade com cheiro de século XXI. Madri também exala uma mistura de civilizações, povos e momentos históricos, mas o antigo e o moderno convivem mais a céu aberto, já Barcelona é uma "mirada ao futuro". Hoje me sinto mais identificada com Madri, talvez porque também já criei laços com a cidade e com o modo de vida daqui, apesar de ter tanta saudade do mar. Como adoro história, folclore, as raízes culturais espanholas me pareceram mais vivas em Madri. Na verdade, são dois mundos distintos em um mesmo país. Mas Barcelona me pareceu lindíssima, encantadora. Tem o glamour da modernidade e uma aura de "mundana" combinada com um astral contagiante. A Espanha é de fato um lugar muito peculiar, com muitos encantos e muito por descobrir.

Rafael Nadal, nº 1 de novo em Barcelona

Depois de sua quinta vitória em Conde de Godó, Barcelona, tendo ganhado a final de tennis contra o alicantino David Ferrer, Nadal permanece o nº 1 do mundo. Em 1 hora e 46 minutos, placar de 6-2 e 7-5, Nadal consegue pela quinta vez consecutiva o troféu barcelonês, depois de vencer os abertos de Austrália, Indian Wells e Montecarlo, e no total tem o título nº 35 de sua carreira na pista central do Real Clube de Tennis Barcelona-1899, depois de outros tantos feitos: 6 títulos de Grand Slam, tetracampeão de Roland Garros e agora de novo campeão. Nadal confessava emocionado: “- Nunca imaginé algo así. Volver a ganar aquí en Barcelona, en mi club, siendo un torneo tan importante y con tanta historia es increíble”. Nadal, natural das Ilhas Baleares, Palma de Mallorca, orgulho nacional de ponta a ponta na Espanha. Enhorabuena.

sábado, 25 de abril de 2009

Família



Felizmente, tenho recebido minha família em Madri. É verdade que eles preferem conhecer - alguns - ou revisitar - outros - a Europa a vir me ver, mas está valendo assim mesmo. Aliás, valeu! Já passou. Uma semaninha apenas. Eu sei, eu sei. A Europa é mais bonita, mais interessante, mais importante do que os laços familiares; sei que Madri é apenas um pedacinho disso tudo, e que somos um pedacinho menorzinho ainda, eu sei. Mas... fazer o quê?! Europa é Europa, né?! Fica a ressaca da saída deles, da saudade da casa cheia, das cachaças intermináveis, a mesma ressaca que sentimos quando voltamos do Brasil. Vontade de estar mais junto, mostrar outras coisas, conviver de novo. Mas em julho estarei de volta para mais uma temporada de um mês na Terrinha e aí... teremos tempo..., a lo mejor, acho que vou conhecer ou revisitar o Brasil, que é quase do tamanho da Europa (8.547.403 km2 contra 10.180.000 km2) e tão (ou mais) bonito quanto.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Semana Santa dos "deuses"






Na Semana Santa, suspirei e disse “tudo o que eu queria agora era estar em frente ao mar, tomando uma cerveja estupidamente gelada e comendo camarão,”. Uma amiga espanhola, que é meu “gênio da lâmpada” aqui em Madri, me respondeu: “- desejo realizado!, vamos tal dia ao litoral, levamos tal coisa, e coisa e tal, além do mais é meu aniversário...”, e em alguns minutos já tínhamos tudo planejado para irmos à sua casa em Altea, cidade litorânea do Mediterâneo, na Comunidade Autônoma de Valência, situada na província de Alicante. Faz parte da chamada Costa Blanca. Ao norte de Altea se destaca a serra Bernia, cujo topo mede 1.129 m. Esta serra impede que os ventos frios cheguem até a baía, criando um micro clima agradável. O rio Allgar, “o rio da Salud” como chamavam no passado, desemboca próximo à vila. O município, com suas “terrazas” ao longo da zona costeira, e o casco antigo, é um charme; entre o mar e a montanha, proporciona paisagens belíssimas. A praia não é de areia, é de cascalho, o que também possui seu charme especial, além de exigir umas boas havaianas. As casas da vila são todas brancas, com formas abauladas, típicas dessa região do Mediterrâneo. Resulta que, além de tudo isso, depois de 20 anos sem andar de bicicleta, descobri que de fato, uma vez que se aprende, não se esquece. As aulas do meu pai no parque 13 de Maio do Recife, quando a cada semana tirava uma rodinha da bici, me impressionaram pela capacidade de perdurarem vivas no meu inconsciente por tanto tempo. Fomos quase diariamente pedalar na orla marítima do Mediterrâneo. O máximo!
Bueno, voltando ao meu desejo, nos encontramos ali com uma outra amiga que conheci na escola do meu filho e que nos convidou para almoçar em sua casa. Adivinhem! Dentre outras coisas, camarão regado a um bom vinho (combinava mais com o clima primaveril); a cerveja não fez falta, embora a tenha tomado noutra oportunidade. Acho que os anjos me ouviram e resolveram me dar uma semana santa dos deuses. Pergunto-me todos os dias se mereço tantas bênçãos?! Esta foi mais uma delas, sem dúvida. A Ele dou gracias.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Ser blogueiro

Depois da experiência no Cairo, silêncio! Essa mudez inadequada a um blogueiro(a) me enche de culpa. Ainda mais porque desapareço sem dar satisfação. Leio outros blogs interessantes e vejo como são disciplinados, inclusive antecipando os períodos de ausência, tudo com o maior respeito pelo tempo do outro. Admiro.
Quando eu crescer quero ser igualzinha. No momento atual, todavia, me custa. Ter sempre algo a dizer, e de interessante ainda por cima, minimamente que seja (pelo menos pra mim), me acaba! Por isso, já pensei muitas vezes que eu não nasci pra isso. É uma contradição, porque a cada ano que passa me sinto mais desencanada e dona do meu tempo, no entanto, a velha culpa me trai. E assim, com um pouco de constrangimento, peço que, vez ou outra, você venha conferir se tenho algo novo a compartilhar com você neste espaço virtual, mesmo depois de um longo silêncio. Peço sua cumplicidade. É que antes de escrever, preciso me ouvir... e isto às vezes é o mais difícil. Por enquanto, vou vivendo off line. O que é muito bom também.

terça-feira, 31 de março de 2009

Recomendo no Cairo


Grande Bazar Khan al-Khalili

Grande Bazar Khan al-Khalili

Museu Egípcio


Entrada de Igreja no Casco Antíguo


Ruínas de Babilônia

Vista da Cidade dos Mortos (ver pirâmides ao fundo na foto abaixo)




Esfinge de Menfis


Ramsés II, em Menfis





Pirâmides



Faluca pelo Nilo


- Passeio pelo Nilo (de Cruzeiro ou se não puder, como eu não pude, um passeio rápido de faluca, veleiro típico do Egito).

- Pirâmides de Giza, especialmente a visita interna a Kéops.

- Cidade dos mortos: mescla incrível entre edificios de luxo, tumbas e casas. Onde se hospedavam os refugiados da zona do Canal de Suez durante as guerras.

- Antiga capital Menfis e templos de Ramsés II.

- Mesquita de Alabastro o de Mohamed Alí (rei de 1805 a 1848), em estilo otomano, e é igual às mesquitas de Estambul. A tumba dele se encontra na mesquita (o lutador de box americano adotou seu nome quando se converteu ao islamismo).

- Cairo antigo: Há resquícios da fortaleza romana chamada Babilônia, conquistada pelos árabes quando estes chegaram ao Egito em 640. Nesta área também há inúmeras igrejas, dentre elas, a Igreja de São Sergio (Abu Serga), dos séculos III e IV e foi construída onde a Sagrada família descansou em sua viagem ao Egito. Aliás, caso se tenha interesse, pode-se visitar o Cairo seguindo a rota da Sagrada Família que passou 6 meses no Egito, fugida de Herodes. Também é interessante visitar a Igreja de São Jorge, que está no local onde ele foi preso e torturado. Na verdade, São Jorge era um soldado romano que se converteu ao Cristianismo e por isto foi perseguido; a vitória sobre o dragão é um símbolo da vitória sobre o mal.

- Museu Egípcio: Múmias, Tesouro encontrado na tumba de Tutacamon, entre outros.

- Grande Bazar Khan al-Khalili: Mercado aberto onde se encontra de tudo. Para conseguir qualquer coisa, é necessário pechinchar, na maioria das vezes os preços são mais do que o dobro do preço real. Compras típicas: Cartuchos faraônicos com possibilidade de gravar nomes em hieróglifos, tapetes egípcios, tecidos, algodão e seda egípcia, chilabas (vestido típico), turbantes, tudo relacionado a dança do ventre (só permitida às egípcias depois do casamento), vidro pintado a mão mesclado com dourado, papiro (feito da folha de papiro, utilizado antigamente como papel artesanal e convertido em arte, pintado a mão), ouro e prata, shisha (típico fumo misturado com ervas).

- Gastronomia típica: Frutas do mediterrâneo e tropicais como manga e goiaba, Sucos naturais e coquetéis; Pão pita; Ful (habas); Falafel (croquetas de habas e verduras); Kochary (prato mesclado de arroz, pasta, lentilhas e salsa de cebola e tomate); Molukhya (sopa de verdura); Kebab (pincho de cordero a la brasa);
Kofta (carne moída de cordeiro); Shawarma (sanduíche de cordeiro ou frango assado, com verdura, pão de hot dog ou pão pita); Fatir (pizza egípcia, meio esquisita. Cheia de salsicha ou atum, ou um ingrediente doce, se enche de queijo, azeitona, tomate e se esquenta no forno); Muitos doces; Chá ou café turco.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Cantora egípcia



Oum Koulthoum, a cantora egípcia mais famosa de todos os tempos, falecida em 1975.

domingo, 29 de março de 2009

El Cairo - Parte II










Uma das melhores coisas do Cairo foi conhecer “Maria” (nome fictício), egípcia, 26 anos, cristã, graduada em história e pós-graduada em turismo, guia turístico. Apaixonou-se pelo meu filho de 6 anos, um doce de criatura (ambos), meiga, gentil, sonhadora, boa profissional; te explica tudo tim tim por tim tim sobre o Cairo e o Egito, em bom inglês, apesar do forte sotaque árabe. Com ela, aprendemos um pouco desde mitologia egípcia à vida cotidiana no Cairo. Espera, dentre outras coisas, um bom matrimônio cristão, o que é difícil numa população com 85% de muçulmanos. Surpreendi-me quando a convidei para vir a Madri e ela me disse que infelizmente ainda era solteira. Não compreendi de imediato, percebendo minha cara confusa me disse que não pode viajar sozinha solteira. Contudo, leva uma vida normal (e por que não seria?) de uma moça da sua idade, sai com amigas, vai a bares, festas, trabalha bastante nos fins de semana e feriados, mas quando entramos no detalhe do seu dia-a-dia, a religião é a tônica. Receia andar sozinha em certos lugares pois se sente ameaçada por alguns homens muçulmanos, tem amigos islâmicos, mas se incomoda com as freqüentes conversas religiosas na tentativa de fazê-la mudar de religião, e se sente um pouco oprimida. Quando falamos em português algumas palavras de origem árabe como "açúcar", por exemplo, fica feliz com as similaridades e se sente muito identificada com a nossa simpatia e informalidade. Respeita a religião islâmica, mas não deixa de olhar com ar sorridente quando passa uma mulher de burca com apenas os olhos de fora, e me diz com ar de cumplicidade: “- É que ela é tão bonita que não pode se mostrar. As consideradas mais bonitas são as que vivem mais tapadas”. As muçulmanas, algumas muito ocidentalizadas, vaidosas, maquiadas, não escondem o sorriso apesar do véu. Muitos casais de namorados islâmicos passeiam pelas ruas de mãos dadas sem vigilância paterna, meninas adolescentes ruidosas, crianças engraçadas, porém, se são mulheres, o véu muitas vezes diferencia o gosto pela moda e a classe social - alguns são lindíssimos e bem trabalhados. Na superficialidade, não vejo tantas diferenças. Mais de perto, é tudo muito diferente: o véu, as inúmeras orações diárias, a submissão feminina, a concepção de impureza quando estão menstruadas e com ela a proibição de lerem o Livro Sagrado nessa ocasião. Me senti a própria pagã quando pedi uma cerveja num bar e o rapaz me respondeu que não vendia e ainda me olhou incrédulo: - a senhora não vê que estamos do lado de duas mesquitas? Pedi desculpas pela pouca sensibilidade religiosa. Difícil para quem não compreende ou não está habituado aos rituais e não compactua com as mesmas crenças.
A questão da não mistura de religiões também é importante: muçulmano se casa com muçulmano, e cristão com cristão, e se o homem se interessa por uma mulher de outra religião, alguém (a mulher) tem que se converter, o que não é encarado de forma natural, para não dizer um absurdo com conseqüências duvidosamente perigosas. A virgindade e o divórcio são tabus para os cristãos ortodoxos, para os muçulmanos, no entanto, a virgindade, sim, é um tabu, mas o divórcio nem tanto desde que este seja de interesse masculino.
Voltando à “Maria”, na verdade, fiquei encantada em conhecer-la. Tem um jeito bonito, feliz de encarar a vida, não complica, e leva um ar sonhador realmente encantador. O que dizer mais a seu respeito? Lhe desejo tudo de bom, e se pudesse, lhe diria em português: “- A você, nova e já querida amiga, desejo um bom casamento; que sua vida seja um feliz conto das mil e uma noites, e que eu ainda possa contar a história desse matrimônio iniciando assim “-Era uma vez, no Cairo ...”

quinta-feira, 26 de março de 2009

El Cairo - Parte I








Estou craque em me meter na mala do meu marido, que vive viajando a trabalho, e aproveitar para fazer um pouco de turismo. Bueno, eu e meu filho perdemos alguns dias de aula, mas valeu muito a pena. Fomos todos ao Cairo, capital do Egito, e, como imaginava, foi impressionante. É uma loucura. Estamos acostumados com loucuras, não?!, Brasil também o é, uma mescla de tudo, vários mundos num só país. Mas ainda assim me impressionei. Uma cidade enorme, com mais de 17.000.000 de habitantes no Grande Cairo, de maioria muçulmana, 85%, da população, cuja moeda é a libra egípcia (para se ter uma idéia, um euro equivale a 7 libras egípcias), e o árabe, a língua oficial. Localizado a Nordeste da África, o Egito é o único país do mundo intercontinental, ou seja, também se estende até a Ásia, onde fica a tão conflituosa Faixa de Gaza, também pertencente ao Egito. Bem, voltando ao Cairo, dentre outras coisas, o tráfego é um caos. Muito mais do que vocês podem imaginar. A impressão é de que não há regras, há poucos semáforos, e as pessoas adotaram a buzina como uma sinfonia diária, que não dá tréguas. Por menos preservada que esteja a maior parte da cidade, um olhar mais atento percebe o quanto a arquitetura é bonita e única. Uma cidade construída em uma região que tem mais de 5.000 anos de existência, cheia de palácios, mesquitas, templos, igrejas, hotéis luxuosíssimos, e por outro lado, relíquias se deteriorando, prédios mal cuidados e não rebocados – a cor do cimento é predominante nas fachadas, a impressão é de que toda a cidade está em obras; depois descobrimos que se uma obra termina, obriga ao cidadão pagar mais impostos, assim, as obras estão definitivamente inacabadas, e assim permanecerão a princípio. A pobreza me parece pior do que nas grandes cidades brasileiras, e a desigualdade social parece ser mais acentuada também. Às vezes, a gente pensa que está na Idade Média. Quando entramos na "zona mais moderna", sobretudo a que fica mais à beira do Rio Nilo, percebemos uma cidade mais cosmopolita, com muito melhor serviço do que na Espanha (adoro o terceiro mundo). O Nilo é uma atração à parte. Impressionantemente um oásis no deserto. Em suas margens, vegetação verdejante, e pouco mais adiante (pouquíssimo adiante, na verdade), o deserto. As famosas pirâmides de Kéops, Kéfren y Miquerinos foram construídas muito perto da cidade (há mais de 100 pirâmides em todo o Egito), assim, dependendo de onde se esteja, pode-se ver o grande deserto de um lado, e do outro, um monte de prédios; coisas dos faraós que construíam as suas “moradas no Paraíso” próximo de onde viviam. As pessoas são uma atração à parte. Sem falar das burcas ou entrar mais a fundo no tema da religião, me senti em casa. O povo é muito simpático e acolhedor, mais informal, como somos nós brasileiros, muito gentis e sobretudo sorridentes (gente!, eles sorriem!, e muito!, coisa um pouco mais rara na Europa). Vale a pena. Cairo tem muitos encantos, e uma viagem dessas vai ficar nas nossas mentes por muito tempo.

terça-feira, 24 de março de 2009

El Cairo. Aguarde

Pessoas, estive off line esses dias. É que estava no Cairo e ainda estou sem fôlego, sem tempo, porém, inspiradíssima por aquilo tudo. Perdi uma semana de aula y tengo que me poner al día, enlouquecidamente. Amanhã contarei um pouco da minha aventura. Não agüento mais esperar para escrever. Aguarde.